
Whatever works foi dos filmes que mais gozo me deu ver nos últimos tempos e também um dos melhores Woody Allen em tempos mais recentes (não olvidando o fabuloso Match Point (2005) e, eventualmente, o Cassandra's Dream (2007), que não vi). É um Woody Allen que toca no mesmo humor neurótico dos inevitáveis Annie Hall (1977), Midsummer Night's Sex Comedy (1982) ou Manhattan (1979), mas muito mais arejado; a neurose é a mesma, mas a perspectiva é agora outra, bem mais descontraída e optimista.
Inacreditavelmente, o youtube não tem (ou eu não encontrei) aquela que para mim é a melhor cena do filme: quando Boris (Larry David) desce as escadas exclamando "Vou morrer, vou morrer, eu vou morrer!", e a mulher, preocupada, lhe pergunta "queres que chame uma ambulância?". Ele abana muito a careca dizendo "não, não, não é isso, não estás a perceber, eu um dia vou morrer!".
A esta se segue imediatamente outra cena sublime, quando Boris e a mulher iniciam um diálogo cuja conclusão, feita por Boris, é qualquer coisa como "apaixonámo-nos de uma forma perfeitamente racional: gostávamos da mesma literatura, da mesma música, da mesma arte; fez tanto sentido, foi tão racional, que deu nisto".
(Perdoem-me a muito provável adulteração grosseira dos diálogos, mas a culpa é mesmo do youtube. E transcrito perde metade da piada, bem sei).