domingo, abril 11, 2010



Eu não conheço a obra de Tim Burton por aí além (não vi o "Eduardo Mãos de Tesoura", por exemplo), mas do que conheço e do que me ficou no espírito depois de ver "Alice no País das Maravilhas"", partilho muito deste pensamento:

"(...) a ameaça instalou-se na nossa cabeça quando soubemos do seu projecto seguinte: uma versão em 3D de "Alice no País das Maravilhas". Primeiro, a escolha da história parece-nos completamente redundante numa obra que, de forma arrojada e por vezes corajosa, sempre soube "brincar" com o imaginário do clássico de Lewis Carroll.
A popularidade universal da história e personagens colocava a Burton um dilema: fazer jus à obra, e ao imaginário popular que a transcende, e refrear o espírito "dessacralizador" que sempre o caracterizou ou dar-lhe um enquadramento radicalmente novo, leia-se, "burtonizá-lo" dos pés à cabeça. Pensamos que, de modo politicamente correcto, Burton quis fazer as duas coisas e, com isso, ficou a meio caminho nas duas: tornou a "wonderland" numa "underland" e, com isso, satisfez os seus mais indefectíveis que o vêem como um auteur do "fantástico para adultos" (negro, irónico e freudiano) e, por outro lado, seguiu previsivelmente a narrativa mais repetida na história das imagens e impingiu ao espectador uns óculos de plástico (qual Charlie e companhia). Seremos só nós que não gostamos minimamente desta nova plástica de Burton?"


Não, eu também não gostei.

1 comentário:

Daniela Ramalho disse...

Ainda ontem estive a ver de novo o Eduardo Mãos de Tesoura (por mais que repita o raio do filme fico sempre a chorar no fim) e aconselho-to vivamente. Até porque o Burton do Mãos de Tesoura não tem nada a ver com os actuais filmes que ele tem feito.