segunda-feira, julho 25, 2011

sunglasses


A deslumbrante Gena Rowlands em Minnie and Moskowitz (1971), de John Cassavetes.

domingo, julho 24, 2011

toda a razão

LMO, no Ípsilon (artigo completo - com o qual não concordo na totalidade - aqui):

"Como o dinheiro comanda a vida, também é daquelas raras alturas do ano em que um filme se faz "notícia": vem aí o Harry Potter, vem aí o Harry Potter, naquele misto de frenesi e indiferença com que os telejornais falam de tudo, a "saga mais lucrativa de sempre". Podiam dizer "a mais popular", "a mais querida", "a mais entusiasmante", mas não, dizem "a mais lucrativa". Miseravelmente remediados como somos, resta-nos ficar esmagados com tanta competência na bilheteira.

A talhe de foice, e para que se tenha uma noção das somas envolvidas: em 1937, com a Branca de Neve e os Sete Anões, Walt Disney precisou de um milhão e meio de dólares para influenciar o imaginário de todas as gerações futuras de todo o mundo; em 2011, a empresa sai mais cara: Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 2 fez-se por 250 milhões de dólares. Rentabilizar isto não se faz de ânimo leve, exige estratégia e disciplina quase militares, recompensadas com seis mil milhões de dólares (números gerais da "saga").

Acontecimento económico, acontecimento empresarial, acontecimento jornalístico (por supuesto): não se contesta, mas nada disto é sinónimo de um acontecimento "crítico" nem mesmo, passe o palavrão, "cinéfilo"".

sábado, julho 23, 2011

Bad Lieutenant (1992), Abel Ferrara.

Quase chorei de alegria quando encontrei este fotograma.

sexta-feira, julho 22, 2011

Repulsa (1965), Roman Polansky.

quinta-feira, julho 14, 2011


O Sangue (1989), Pedro Costa.

terça-feira, julho 12, 2011

Michael Glawogger

Megacities, 1998



Workingman's Death, 2005

Hoje:


Vamos continuar todos sem saber o que está na caixa... Belle de jour (1967), de Luis Buñuel, às 22h00, no Teatro do Campo Alegre.

segunda-feira, julho 11, 2011



A Comédia de Deus (1995), João César Monteiro.

domingo, julho 10, 2011

cinema na RTP2

Embora nunca tenha por aqui (blog) dado eco ao que se vinha passando, fui um observador atento da iniciativa levada a cabo por alguns bloggers e cinéfilos relativamente à programação (ou falta dela, para dizer as coisas como elas são) da RTP2 no que toca a Cinema. Refiro-me concretamente ao programa "Sessão Dupla", que passa na RTP2 aos sábados à noite.
A questão, complexa - porque lida necessariamente com conceitos tão tortuosos como "serviço público" ou "cultura" -, continua a resumir-se, do ponto de vista exclusivamente "cinematográfico", chamemos-lhe assim, ao que Luís Mendonça escreve neste post (um balanço sobre os caminhos que a iniciativa tomou) obrigatório:

Este sábado, em sessão dupla, a esmola que Wemans ainda vai dando ao "público" da RTP2, passam os filmes "Excalibur" de John Boorman, seguido de "A Promessa" de Chen Kaige. O que os liga, o que é que os põe em diálogo? A lenda do rei Arthur encontra ressonâncias na história lendária da China das concubinas? É isso? São as espadas e os cavalos? É Boorman e Kaige?

Esta é a questão central; outras há, derivadas desta, que não vou expôr pois podem ser melhor compreendidas se lidas na petição pública em causa. Veja-se também o que foi escrito ou filmado (um debate com o próprio Jorge Wemans, responsável pela programação de cinema na RTP2) aqui.
Mas o que é mais preocupante nisto tudo é ficar a saber, pelo balanço negativo que Luís Mendonça faz no mesmo post, do total alheamento de entidades como a ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social), a Cinemateca ou a Associação Portuguesa de Realizadores. Não digo que não tenham as suas razões para o afastamento, nem que a posição a tomar quanto a esta petição pública seja de sentido único; simplesmente, esse afastamento foi, pelo que diz Luís Mendonça, silencioso, autista, obscuro. Foi, para mim, verdadeiramente triste ler aquilo que os organizadores desta iniciativa descrevem: uma gritante falta de apoio, um absoluto desprezo das entidades públicas e das elites do cinema português por este tão legítimo e fecundo exercício de cidadania, essa palavra vistosa que por cá parece só ser de utilizar para elogiar esse país tão vasto chamado "lá fora".
Ler o último post de Luís Mendonça constituiu, para mim, um exercício de desacreditação. Senti-me muito desapontado com o meu país e, sobretudo, com aqueles que, amando o cinema, não foram capazes - por razões que prefiro aqui não desenvolver, até por desconhecimento - de estabelecer, pelo menos, diálogo com um grupo de cidadãos anónimos voluntariosos e bem-intencionados.

Alguns dir-me-ão: mas o que interessa o Cinema quando o país está como está? Todavia, permitam-me, quem faz essa pergunta nesses termos, não a faz porque o país tem a Troika a pisar-lhe os calcanhares no momento presente. Fá-la porque, enfim, a fará sempre, em qualquer momento: o que interessa o Cinema, o que interessa a Cultura a um país? Porquê, no que toca ao Cinema, por exemplo, passar um Hitchcock, um Antonioni ou um Rohmer, e não um blockbuster pipoca qualquer? Que diferença faz? Que é que interessa? (A não ser que alguém queira mesmo que se responda a isto, vou poupar-me ao esforço e passar esta à frente)

Contudo, neste caso concreto, a situação é mais profunda: é que foram também os próprios entusiastas de um cinema de qualidade e de fora do circuito estritamente comercial a não querer ouvir, a não querer dialogar com esses "malucos" (como eles) que gostam de cinema.
A democracia e a cidadania saem derrotadas e, repito, não unicamente porque esta petição pública não tenha triunfado. Saem derrotadas por um problema que é anterior e mais grave: porque uns quantos cidadãos - o Povo, esse soberano nebuloso - se sentiram desapoiados, mal tratados e ignorados por aqueles que têm responsabilidades ou, pelo menos, um certo papel - um ethos - a cumprir na defesa dos seus interesses.

terça-feira, julho 05, 2011

coisas que nem sempre são fáceis de conjugar

Um breve comentário a propósito da filmografia de Abel Ferrara, a cidade de Nova Yorque, os anos 90 e a cultura hip-hop.

Hoje:



Jules et Jim (1962), de François Truffaut, no Teatro do Campo Alegre, às 22h.

descubra as diferenças




Há um mundo de semelhanças entre o Ray Ruby (Willem Dafoe) de Go Go Tales (2007, Abel Ferrara) e o Joachim Zend (Mathieu Amalric) de Tournée (2010, Mathieu Amalric).
De um lado, a mesma paixão, irreverência e obstinação. O optimismo inquebrantável, contra tudo e contra todos (the show must go on), que mexe em tudo por que passa, mesmo quando a tragédia parece estar iminente. Por outro lado, a mesma infantilidade (ambos sonhadores e indomáveis - síndrome "Peter Pan") e solidão (Ray dormindo sozinho no seu escritório enquanto mil coisas acontecem no seu clube; Joachim viajando sozinho de carro pela noite dentro enquanto a sua companhia de new burlesque actua).
E, porque não dizê-lo, a mesma decadência e sensação de nostalgia pelos good old days, não só no que ao dinheiro propriamente dito diz respeito (dois businessman falidos), mas também no que toca ao seu percurso dentro do mundo do espectáculo (o clube Ray's Paradise já viveu melhores dias e Joachim, por seu turno, era um tipo famoso em França antes de se chatear com a indústria e se exilar nos EUA).



Mas, ainda mais marcante, é a mesma fragilidade emocional e necessidade de se agarrarem aos seus mais próximos, que não são, note-se, num caso e noutro, a família (como seria habitual), mas sim as pessoas com quem trabalham diariamente. Ray trata as suas go go girls quase como filhas, referindo-se ainda numerosas vezes ao pessoal do Ray's Paradise como uma "grande família", onde todos olham por todos (veja-se a cena excelente em que uma striper lhe diz que está grávida ou aquela outra em que Ray canta sozinho em palco - a canção parece ser, na verdade, dirigida ao clube). Joachim, por sua vez, parece só estar bem quando rodeado das suas strippers, procurando fazer tudo para que se sintam bem, ainda que por isso durma pouco ou nada.



Flagrante, também, o espaço em que ambas as personagens se movem: o mundo do espectáculo e, mais concretamente, o mundo do striptease, das mulheres, da carne e da sensualidade. É neste mundo que ambas as personagens se encontram permanentemente à beira do colapso, do fim, embora haja sempre algo que as mantém à tona. Apetece acreditar que esse "algo" não é fruto do acaso ou da fortuna, mas como que uma recompensa pela coragem e determinação de dois seres vertiginosos que correm todos os riscos por amor à arte. E por aqui se vê o grito pela independência - no cinema, mas também na arte, em geral - que é comum a crítica apontar a Amalric e Ferrara por estes dois filmes.

domingo, julho 03, 2011


Tempos de Verão (2008), de Olivier Assayas.

sexta-feira, julho 01, 2011

forgiveness



Harvey Keitel em Bad Lieutenant (1992), de Abel Ferrara.

Ciclo ABEL FERRARA: "ENTRE O VÍCIO E A MORAL"



Começou hoje, no Teatro Campo Alegre, o ciclo "Entre o vício e a moral", dedicado à obra de Abel Ferrara. Até dia 6 de Julho, com sessões às 18h30 e 22h.

quinta-feira, junho 30, 2011

Ciclo "VERÃO", no Passos Manuel



Começa já hoje o ciclo "VERÃO", organizado pela Milímetro. Às 22h, no Passos Manuel.

30 JUNHO
Tempos de Verão (2008), Olivier Assayas.

14 JULHO
Almoço de 15 de Agosto (2008), Gianni di Gregorio.

21 JULHO
Aquele Querido Mês de Agosto (2008), Miguel Gomes.


Hoje, às 22h, é exibido o primeiro filme do ciclo - Tempos de Verão, de Olivier Assayas, o tão badalado realizador de Carlos.

domingo, junho 26, 2011

Dolores Haze

Lolita (1962), de Stanley Kubrick.

Ainda a Sharon Stone era uma menina...

sábado, junho 25, 2011

sem ponto de chegada



Viagem a Portugal é uma viagem que podia ser, em boa verdade, a qualquer país desenvolvido onde ainda subsistam tiques xenófobos e discriminatórios (das autoridades, note-se, porque da população subsistirão sempre). E ao dizer isto, já estou a avançar que o novo filme de Sérgio Tréfaut se acaba por anular a si mesmo, sem nervo nem rasgo.
Na realidade, a história - verídica - que sustenta Viagem a Portugal é uma história como outra qualquer, daquelas que tristemente continuam a assolar os países que se dizem "abertos" e "multiculturais": a desconfiança face ao outro, ao que nos é estranho, ou, sem eufemismos, uma história sobre o racismo e o preconceito em estado bruto. Daí o primeiro parágrafo e a pergunta que se coloca: porquê viagem a... Portugal? O que há no filme de Tréfaut que identifique concretamente o nosso país e suas idiossincracias? Somos assim tão diferentes, no que toca ao preconceito, dos alemães, dos espanhóis ou dos americanos?



Mas esta questão poderia ser omitida se Viagem a Portugal não falhasse em toda a linha no resto. Vamos às coisas boas, primeiro. O argumento (um ponto de partida cativante) alia-se a um tratamento de imagem de um preto e branco "científico", super higiénico, como que em comunhão com o espaço "incolor" de normatividade e burocracia da Autoridade (no caso, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de um aeroporto). Daí todo um ambiente muito "clean", mas simultanemente claustrofóbico e ameaçador (diria que há mesmo algo de orwelliano naqueles corredores e escritórios...).
Estas eram duas valias (uma narrativa, outra estética) que podiam fazer de Viagem a Portugal um exercício interessante. O problema está, depois, na franca monotonia em que o filme se arrasta: não só nos diálogos que nada acrescentam ao que já foi dito, mas também na brincadeira do campo/contracampo repetida sob a perspectiva de cada uma das personagens, mas que, de tão mecânica (são raríssimos os movimentos de câmara), se torna previsível e aborrecida ao fim de alguns minutos. Mas o pior de tudo está mesmo nos actores e nos diálogos, a que só escapa Maria de Medeiros. Isabel Ruth começa o filme muito bem, é certo, mas depois vai por ali fora sempre a descer. Isto para não falar de outras personagens, como a de José Wallenstein, perfeitamente inconsequentes. E depois há ainda uma série de diálogos confrangedores (são vários, a sério) e péssimos actores (não havia mesmo mais ninguém para vestir o papel de polícia?!), como só me lembro de ver em Mistérios de Lisboa (mas toda a gente disse maravilhas do filme, por isso mais vale estar calado).



Tudo somado, fica a sensação de uma oportunidade falhada em explorar um tema que é, por si só, estimulante (sobretudo quando estamos a falar um documentarista como é Tréfaut) e tão em voga nos dias de hoje (se calhar em demasia, e por isso o filme talvez não tenha o impacto que seria suposto ter...). Por isso, apetece dizer que a viagem de Tréfaut parece acabar por não chega a lado algum - não apenas no sentido literal (nunca saímos do mesmo espaço físico, o SEF) propriamente dito, mas também na medida em que o filme nada acrescenta ao seu tema de base (o preconceito), o qual é reconhecível imediatamente logo nos primeiros minutos do filme. Não saímos de onde partimos, e não ficamos mais ricos.

"Carlos"



Há um ponto de partida incontornável para qualquer crítica que se faça a propósito de Carlos, de Olivier Assayas: é o de que estamos perante um sub-produto da obra original, pensada para televisão e com a duração de 5 horas e meia. E ao contrário do que já li, penso ser essa uma circunstância que não deixa de ser perceptível na versão que nos chega ao cinema, mais concretamente na montagem de um filme em que demasiados momentos narrativos são intercalados pelo "apagão" total (raccords nem vê-los), técnica que muito dificilmente me parece ter aqui qualquer cunho estético, antes instrumento necessário para condensar o tempo da fita, o que a certa altura acaba por ser cansativo (porque monótono) para o espectador.
Isto não faz de Carlos um mau filme, muito pelo contrário, sem que no entanto as 2h45de filme não deixem de saber a pouco. Carlos é filme de acção, empolgante e nesse particular cumpre com mestria. Mas depois falta-lhe algo mais: falta densidade às personagens (algumas delas mesmo muito pouco trabalhadas) e falta também um maior aprofundamento político do contexto histórico em que o filme se move - a dada altura, Carlos tem tanto de político (e menos de sexual, com pena minha) como um Bond.
Mas para tudo isto pode existir uma decisiva razão que mude o caso de figura: as tais 5 horas que a versão original (feita em formato de série para televisão) possui e que merecem ser vistas (a cena do assalto à OPEP, uma hora inteirinha, deve estar fabulosa).




Curiosamente, ao contrário da crítica que Carlos, o original, teceu ao filme - de que este o descaracterizaria, por o retratar tão-só como um mercenário e sex-symbol, despido de convicções políticas e ideológicas -, creio que Assayas é sóbrio e justo com a personagem de Carlos. Não o pinta, em momento algum, como um "mercenário", mas sim como um jovem que, como tantos, ontem mais do que hoje, foi refém de símbolos e imaginários voluntaristas e utópicos. Nesse capítulo, e esta é a pedra de toque, essa abnegação utópica, porque presa a esses referentes-mito, criou nesses jovens - burgueses, em grande parte dos casos, como é sabido - uma projecção imediatista, pouco ou nada reflectida (este Carlos nem livrinhos de bolso do Lenine transporta consigo...), para lutar. A personagem de Carlos é, neste particular, um exemplo paradigmático desse estado das coisas - e por isso é que o seu "hasta la victoria siempre!" soa tão vazio e artificial, como um qualquer slogan da coca cola (coca cola e Marx, à Godard). Mas dizer (ou filmar) isto não é descaracterizar ou falsificar; é, na verdade, documentar e reflectir sobre uma época e uma certa forma de estar entre os jovens filiados na esquerda radical dessa Europa de então.



Como retrato histórico e bem dentro dos movimentos revolucionários de esquerda europeus que proliferavam nos anos 70, continuo a preferir O Complexo de Baader Meinhoff (2008), de Uli Edel (foto abaixo), ou até A Melhor Juventude (2003, Marco Tullio Giordana) e Bom Dia, Noite (2003, Marco Bellochio).

quinta-feira, junho 16, 2011

La Gran Vie



É provável que em 1963 a metáfora da vida como uma roleta russa fosse já cliché. Jacques Demy parece não se importar.

As fichas, os croupiers, os smokings, o casino de Monte Carlo, não falta nada. Ainda assim, a "Baía dos Anjos" está longe de ser um filme glamouroso, mesmo tendo a loiríssima Jeanne Moreau num dos papéis principais.

Pelo contrário, este é o retrato quotidiano de um vício em que a desilusão e o êxtase se alternam perpetuamente, ao sabor do acaso, da sorte, do destino, ou de algo mais (Jacqueline (Jeanne Moreau) perguntava-se a certa altura se não seria Deus quem escolhia os números da roleta).

No entanto, mantém-se a ilusão de que se controla a vontade e o futuro, num misto de ansiedade e insaciedade, até à chegada redentora do amor. Não é tudo isso a vida, afinal? "La gran vie", diria Jacqueline.


P.S. A banda sonora, mais uma vez, é soberba. Desta vez com Michel Legrand, em vez de Beethoven.