quinta-feira, abril 30, 2009

29 Abril - A Man for all Seasons

Muito reduzido mas persistente, o público pôde assistir a uma motivante e esclarecedora apresentação por parte do Prof. Doutor Paulo Adragão. O filme, A Man for all Seasons, mostrou bem porque arrecadou 6 Óscares em 1966.
Por acidente de logistica, o chá não houve.

E já vão três...

quarta-feira, abril 29, 2009

28 Abril - Citizen Kane

Após uma inspiradora apresentação por parte do Prof. Doutor Colaço Antunes, cerca de 30 pessoas assistiram à obra prima de Orson Welles, Citizen Kane.
O chá foi o Assam.

E já vão dois...

segunda-feira, abril 27, 2009

27 Abril - La Haine

Após uma brilhante e muito diferente apresentação por parte da Dra. Rita Faria, 40 pessoas assistiram à primeira sessão da Semana Chá com Cinema, o filme La Haine, de Mathieu Kassovitz.
O chá foi o Earl Grey.


Um já está...

sábado, abril 25, 2009

Semana Chá com Cinema - Sessões

Apresentação: Dra. Rita Faria

Apresentação: Prof. Doutor Colaço Antunes

Apresentação: Prof. Doutor Paulo Adragão
Apresentação: Dra. Maria Regina Redinha

P.s.: o primeiro cartaz está errado no que toca às horas. Por motivos de logística, apenas as duas primeiras sessões serão às 18:15h, sendo as duas últimas às 19h.

Cineclube da Faculdade de Economia

O mais recente cineclube do Porto.

www.cineclubeeconomia.blogspot.com

quarta-feira, abril 22, 2009

Semana Chá com Cinema

27 Abril - La Haine

28 Abril - Citizen Kane

29 Abril - A Man for all Seasons

30 Abril - The Grapes of Wrath

em salas a confirmar atempadamente.

domingo, abril 19, 2009

qualquer coisa como isto:

El 25 de Abril fue una fiesta del rojo; no el rojo del sangue pero el rojo del corazon.

quinta-feira, abril 16, 2009

amizade



Quando leio a contracapa do dvd d' O Carteiro de Pablo Neruda - e depois de passar à frente o absurdo epíteto de "comédia romântica" - vejo a fita descrita como uma maravilhosa história de amor entre um homem e uma mulher.
Errado.
Há uma história de amor entre um homem e uma mulher.
Mas isso é só uma história. Dentro de uma outra bem maior - gigante - sobre Amizade, companheirismo, cumplicidade, respeito.

Imagens d'"O maoísta"











La Chinoise

(ou "lá chinóise")


de Jean-Luc Godard

Creio nunca ter tido tanta dificuldade em fazer uma crítica a um filme como a este, de Godard. Porventura resultará isso da própria maneira como se estrutura: os planos (quase sempre) curtos sempre a sucederem-se fazendo apelo não à narrativa propriamente dita (que não é muito clara) mas a qualquer coisa de externo. Na verdade, fico com a ideia de que abordar o filme é abordar o maoísmo, a década de 70, o recurso à luta armada, a honestidade (ou não) dos estudantes que dizem querer construir um melhor mundo por aquela via.
A crítica que formulo é, pois, fiel espelho dessa percepção que retirei do filme: um filme cujo núcleo central parece estar fora daquilo que é filmado. De tal modo se apresenta enraizado na vida, “naquilo a que estamos habituados a ver”, que o espectador quase se sente como mais um para aquele grupo de estudantes. Sim, eles conversam sobre marxismo-leninismo, sobre a necessidade de “analisar” a vida social, sobre um grupo de temáticas que acabam sempre por girar à volta do livro vermelho. E nós estamos ali com eles, a ouvir, concordando ou discordando, embora incapazes de nos movermos no seio da história.

Falei, no primeiro parágrafo, do modo como o filme se estrutura, referindo os planos quase sempre curtos. Além disso (que rouba, desde logo, a continuidade à história), podem-se apontar os momentos em que se filma a própria rodagem do filme. La Chinoise move-se sempre nesse campo, o de “un filme en train de se faire”.
Assim, chega-se ao que já referi. É um filme diferente do habitual: não se distanciando puramente da nossa realidade – é algo que se está a fazer, ainda está do lado de cá – com ela também não se confunde, porque se passa no domínio da ficção. O que leva ao resultado de nunca nos evadirmos realmente do nosso mundo, contudo dele partindo. É um pouco confuso, sim, mas eu já reconheci que o filme me deixou em apuros…

Quanto à história, ou aos mosaicos sucessivamente colados, o que mais me impressiona (e já estamos, mais uma vez, a partir da história para fora dela…) é o modo como o grupo de estudante vai gradualmente fanatizando-se. A dada altura, parece que o objectivo já não é perseguir o que é certo, justo, mas, numa interpretação mais ou menos exegética de obras doutrinárias, perseguir o que para outros era certo ou justo. O que lhes leva a um consecutivo alheamento da realidade: a este propósito é interessante a quantidade de chavões que utilizam para falar do que quer que seja. Parece que se querem mover num mundo que desconhecem, nele tendo uma fé indizível. Rudemente poder-se-á dizer que a fé justifica-se pela promessa de que, no fim, todo o caminho terá valido a pena.
No entanto, perspectivei também algo mais, porventura motivado por considerações extra-la chinoise: a de que, mais do que o caminho, do que a esperança de que o maoísmo seja a solução para a prosperidade dos estados europeus, o que os move é poderem encontrar um ponto de apoio na terra, algo que lhes ofereça uma razão para viverem o dia-a-dia. E esse esforço mais ou menos caprichoso de encontrar um rumo é que justifica a fanatização: o fanático sabe (ou afirma saber), antes de mais, o rumo certo, que consome todos os disparates que pelo rumo faça. Os fins, nesta linha, naturalmente justificam os meios. E, no caso, jovens aparentemente da classe média-alta movem-se no paradoxo de negarem a sociedade que lhes dá razão de ser, que lhes permite um verão num apartamento a experimentarem uma doutrina política, reduzindo toda a realidade a ricos e pobres, ilustrados e ignorantes, bons e maus. E, nessa oposição de pretos e brancos, acabam por chegar a situações limites: um membro do grupo afasta-se, um suicida-se, cometem um acto terrorista. E tudo, mais do que actos conscientes, parece um grito de revolta. Porventura aquele que, menos de dois anos após o filme, se fez ouvir no Maio de 68. Só por isso, já vale a pena.

sexta-feira, abril 10, 2009

14 Abril - La Chinoise

Aparece e traz um amigo.

The Great Escape, por André Silva



Equipas de homens são organizadas para o planeamento, escavação, ocultação de solo, fabrico de roupas civis, falsificação de documentos, segurança e distracções, contrabando e procura de materiais, tudo com um único objectivo: a fuga de 250 prisioneiros de um campo de concentração nazi, através de vários túneis subterrâneos. “The Great Escape” é um filme produzido e dirigido em 1963 por John Sturges. Baseado num romance de Paul Brickhill, sobre uma tentativa de fuga de um campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial por parte de um grupo de prisioneiros do grupo dos Aliados. Brickhill tinha sido um prisioneiro de guerra juntamente com o seu amigo George Harsh, contando no seu livro as suas próprias memórias e experiências. Estrelas como Steve McQueen, James Garner, Richard Attenborough, Charles Bronson, Donald Pleasence, James Coburn, David McCallum e James Donald iniciam neste filme as suas brilhantes carreiras no mundo do cinema.
Em 1944, os alemães têm uma especial prisão construída, projectada para assegurar que os mais problemáticos presos não conseguissem escapar, apesar dos vários esforços. Ao longo de três horas conhecemos uma multiplicidade de personagens que nos são apresentadas detalhadamente, provocando-nos uma qualquer ligação pessoal entre os prisioneiros e o próprio espectador. A abordagem do filme parece realçar a ideia de resistência do grupo, retratando a força e o triunfo do espírito humano.
O único aspecto que realmente posso referir como menos positivo é a duração do filme. Senti que o filme se prolongava demasiado ao longo de quase três horas. Apesar disso não consigo pensar em alguma cena que poderia ser retirada. A direcção, a fotografia e a edição musical contribuíram bastante para o sucesso desta obra. A história embora não incrivelmente profunda, é envolvente e inteligentemente bem escrita. Não fugindo muito do tema central da fuga da prisão, seduz pela pormenorizada descrição e exposição que é feita da vida dos prisioneiros que meticulosamente planeiam a árdua construção dos três túneis. Sturges consegue manter ao longo do filme uma agradável sensação de interesse e descoberta quanto ás vidas das personagens pessoalmente apresentadas anteriormente. Lendário ficará para sempre o salto de mota de Steve McQueen, como a ultima tentativa desesperada de fuga para a liberdade da Suiça.
“The Great Escape” tem uma peculiar capacidade de conseguir misturar uma emocionante história sobre a Segunda Guerra Mundial, com a horrível natureza dos inerentes custos de guerra. Interessante no modo como nos é apresentada a história, tradicional na maneira visual como o filme é realizado, mas com a certeza de ser um clássico a revisitar.

autor: André Silva

sexta-feira, abril 03, 2009

le bal (2)

*ou elogio um tanto ou quanto desconexo, meio a quente, sobre o baile.
Após trocar algumas palavras sobre o Le Bal, depois de se passar o filme, acabei por me encontrar numa situação nova: já me tinha ocorrido de já não ter gostado de um filme perante o gáudio geral; desta feita, senti-me um bicho raro que gostou de coisa ainda mais inusitada, sem ser secundado pela globalidade das pessoas com quem troquei palavras.
A esse propósito, são bastante impressivas as palavras da comentadora Rio: “escrevo este mail no intuito de partilhar o meu deslumbramento com o filme de hoje. assim, sem meios termos nem meios adjectivos; assim, porque este filme não é de meias medidas. ou se adora ou se sai a meio do filme. eu, adorei: a sucessiva passagem do tempo, mantendo os lugares, mudando personagens nos mesmos corpos de há pouco; a emotividade que transborda de cada gesto e de cada olhar; o simbolismo de pequenos objectos e de grandes épocas. este filme transpira segredos.obrigada a quem escolheu o filme.”
Longe de querer inculcar o meu sentido estético, que vale o que vale, quero expor aqui aquilo de que mais gosto no filme. Cá vai.

O veio que parece unir todos os pedaços do filme é a dança. E a dança surge como uma espécie de resposta a uma necessidade natural do homem, a de se evadir das coisas normais do dia-a-dia - ignorando-as, exultando-as, esquecendo-as. Curioso, então, como em torno dessa ideia reitora gravitam todos as idiossincrasias dos homens de cada condição, aqui mais em função do tempo e do “estrato” social do que, propriamente, do espaço (estamos sempre no mesmo salão de baile). A dança, embora vindo como uma resposta, conhece várias vestes: sobre o mesmo chão, operários dançam fraternalmente, sem qualquer tipo de formalidades; rockabillies, como rejeitando a dança, dão um espectáculo meio dionisíaco, partindo cadeiras, rolando em cambalhotas; …, dança-se ainda o chá-chá-chá, o samba, e muitas outras variantes.

Os exemplos de como a dança surge como um reflexo de algo de co-natural ao homem, ou melhor dizendo, como uma resposta a um apelo natural, podem apontar-se:
1. O oficial alemão que, perante o enxovalho de não encontrar qualquer mulher para dançar, presta-se, segundo parece, À vergonha maior de dançar com um homem (muito embora, prudentemente, coloque uma luva na mão que dá ao par de bailarico).
2. O sujeito que, mandando parar a música, vê uma mulher, logo secundada pelos restantes bailantes, a criar um ritmo musical pelo bater dos pés no chão, como que sugerindo não haver poder que consiga abafar plenamente a condição humana
3. Os grandes revolucionários que, embora querendo romper com tudo-e-mais-alguma-coisa, não resistem a invadir o salão de baile e a dançar agarradinhos.
4. O homem que, mutilado pela guerra, só com uma perna, dança aos pulinhos.

Por outro lado, como reflexo de como o conjuntural se cruza com o estrutural:
1. O modo como o salão de baile, a música e a banda gravitam sempre em função da dança (paradigmaticamente, numa cena a banda está a sair do salão do baile, por o "seu tempo" ter passado).
2. Como, embora em coisa tão inócua como a dança, os homens recusam ao colaboracionista francês a condição de um igual, não o deixando participar na roda (aliás, invectivando-o…).

Dança-se, no le bal, por tudo e mais alguma coisa: para comemorar as vitórias na rua, na guerra, para passar bem a noite, para tocar em alguém do sexo oposto, para se divertir; dança-se em dias de penúria e prosperidade, quando o salão serve para baile ou como espécie de bunker; dança-se quando se quer dançar, quando se pode dançar, e ainda quando querem impedir a própria dança. No fundo, dança-se sempre, e sugere-se que para sempre se dançara.
Parece-me assim que, pela dança, Ettore Scola consegue tocar numa dimensão que tem o seu quê de absoluto. Pela sucessão de imagens de homens em diferentes períodos históricos a fazer a mesma coisa, dançar, começamos a ver algo que está para além, um reflexo de algo que parece irmanar todos os homens na mesma condição. Independentemente de tudo o que nos distingue, ali vemos humanos, acima de tudo humanos, e na sua diferença não hesitamos em considerá-los da mesma carne.

E, isso, sendo poupadinho nas palavras, é genial.
(curiosamente, a imagem do cartaz a anunciar o filme tinha uma gravura representando uma dança, porventura com alguns séculos. Apesar de ter sido por acaso, ajusta-se que nem uma luva ao filme que se passou.)

quarta-feira, abril 01, 2009

Le Bal - Crítica

Le Bal (1983) de Ettore Scola: Observações a um baile
Por Francisco Noronha

Talvez já todos tenhamos imaginado pelo menos uma vez como será o início de uma noite num grande espaço de dança frequentado por muita gente. Como será esse espaço sem as pessoas, as roupas, os risos, os cigarros, as maquilhagens, o barulho, os olhares, os copos, … Como será esse espaço sem aquilo que o motiva: pessoas e movimento. Quando me lembro das poucas vezes que presenciei uma situação dessas, recordo o quão surpreendido fiquei pela solidão do local, transformado numa sala silenciosa como tantas outras. O exercício torna-se ainda mais interessante - e faz-nos sentir porventura um pouco idiotas - se pensarmos que qualquer sala, sem gente, é obviamente isso mesmo e nada mais: uma sala como tantas outras. Sem nada nem ninguém.
Pois bem; Le Bal (1983) satisfaz, logo a abrir, este apetite pelo impensável: acompanhamos na penumbra um homem a percorrer uma sala, ajeitando umas coisas aqui e ali. Repentinamente, acende as luzes. Deparamo-nos então com um salão de dança parisiense anos 80, algures entre o cabaret, o casino e um qualquer concurso televisivo da tv portuguesa anos 90. A câmara dá-nos o salão de frente: o rectângulo para o pé de dança ao meio, um conjunto de cadeiras a ladeá-lo e, acima, quatro ou cinco lanços de escadas de grande comprimento. Olhamos para cima e vemos globos luminosos, enquanto que, um pouco atrás das escadas, nas laterais, os contornos dos degraus superiores e da varanda que dá para o salão se encontram também eles iluminados por um néon muito disco. Por esta altura, já o barman colocou a agulha num disco invocador dos míticos eighties.
Está, então, tudo pronto para o espectáculo: começam a chegar as senhoras, uma por uma, todas elas se mirando escrupulosamente ao espelho para ajeitar um cabelo fora do sítio ou verificar a brancura dos dentes. Todas elas se vão sentando, uma por uma, em cadeiras diferentes. Percebemos então aqui como a música sugere qualquer coisa próxima de uma preparação, um ritual para dar início a… A qualquer coisa próxima de uma missão? Talvez assim o possamos entender quando chegam os homens e se enfileiram como soldados para o ataque ao inimigo. É a vez deles de descerem e se encostarem galantemente ao balcão. Dá-se então início a todo um jogo sedutor de olhares, tiques e preocupações relativamente ao sexo oposto. Aqui compreendemos o que vai mover o italiano Ettore Scola em toda a fita: a atracção e o flirt mútuo entre homens e mulheres (quer serão sempre os mesmos actores). Homens e mulheres que, desde o início, percebemos quererem retratar uma certa diversidade social. Quer em aspectos porventura mais materialistas (na roupa, no bom-gosto ou nos modos), quer em aspectos de índole moral ou psicológica (a mulher lasciva que mostra as ligas; a mulher fria e decidida que chupa o cigarro; a mulher nervosa que à ultima troca os sapatos; ou a paranóica que vai engolindo uns comprimidos à socapa). E o mesmo nos homens.
Toda esta narração altamente descritiva por parte do autor deste escrito é consciente e voluntária: o mesmo seria necessário fazer para avaliar cada momento histórico abordado por Scola num baile que se dança nos anos 30, quando o operariado consubstanciava a sua força na multipolar Frente Popular; nos anos 40, com os bombardeamentos alemães e consequente invasão seguida de libertação; o pós-guerra com o jazz negro importado da América; mais tarde o rock and roll rebelde; e por fim, antes de voltar aos eighties, o ambiente quente das revoltas estudantis francesas dos anos 60. Entre o documentário, o histórico e o musical, Le Bal transforma-se, a meu ver, num intenso (e paciente) exercício de observação. Quer para o realizador, enquanto construtor; quer para o espectador. E, para este último, fará porventura sentido este sensato cliché: Le Bal não é um filme para se ver, mas antes para se observar. E 107 minutos de observação podem ser eventualmente duros para as pestanas. Mas serão, com certeza, um fresco original e curioso de um século.
Como qualquer exercício – neste caso, de observação - Le Bal exige esforço e interesse. Afinal de contas, o mesmo que se exige para se ir dançando no correr dos anos…
Nomeado em 1984 para o Óscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira e vencedor de vários Ursos de Berlim.

Como disse na altura em que fazia a apresentação, assumia as responsabilidades pela escolha do filme... Pelos vistos, não houve responsabilidades para suportar. Pelo menos não todas. :)
Até à próxima sessão!

Francisco.

segunda-feira, março 30, 2009

31 Março - Le Bal

Aparece, e de novo escusas de trazer o revolver.
Traz um amigo ou dois.

sexta-feira, março 27, 2009

M, por André Silva



“Who are you...all of you?...Criminals! Perhaps you're even proud of being able to break safes, to climb into buildings or cheat at cards...Things you could just as well keep your fingers off...But I...I can't help myself! I haven't any control over this evil thing that's inside me – the fire, the voices, the torment...I want to escape...but it's impossible.”
Hans Beckert

Alguém mata consequentemente crianças numa cidade alemã, sem que o criminoso seja encontrado pela polícia. Esta é a história que nos conta o realizador alemão Fritz Lang no filme “M” de 1931. Escrito pelo próprio Lang e pela sua mulher, The von Harbou, “M” é o primeiro filme sonoro alemão, apesar de já ter realizado diversos filmes anteriormente. Considerado como um drama-thriller, tornou-se num clássico do cinema, e das melhores obras de Lang. Importante obra durante a época da ascensão do Partido Nazi alemão, por fazer uma alusão à autoridade estadual e à necessidade de punição dos criminosos.
Supostamente baseado na vida real, no caso do serial killer Peter Kürten, o “ Vampiro de Düsseldorf ”, autor de vários crimes na década de 1920, não muito tempo antes deste filme ter sido realizado. Um fantástico filme noir alemão, onde não faltam diversos elementos que compõe o estilo noir: uma cidade escura com ruas desertas, ambientes instáveis, cânticos negros como por exemplo sobre o famoso “Bogeymen” e sobre assassinos, as patológicas paranóicas dos indivíduos e o clássico fatalismo a que estas obras nos habituaram. Através do contraste da iluminação, dos efeitos fortes, e dos grandes ângulos, Lang consegue sugerir-nos uma presença espiritual maléfica que paira sobre a cidade, e nos traduz uma sensação de perdição dos seus habitantes. “M” é mais do que uma paisagem sobre uma mente humana desequilibrada. Com o seu clima de terror palpável e a sua directa ligação à mentalidade da máfia alemã, esta obra desenha com uma assustadora precisão, os escuros contornos da sociedade nazi. Há um constante paralelismo entre a polícia e o submundo da máfia, e a forma como eles funcionam e se organizam. Típico de Fritz Lang, o filme vê a polícia e os criminosos de uma forma quase indistinguível.
Não há qualquer violência na tela, mas o sentimento de ameaça é insuportavelmente intenso e persegue o espectador durante todo o filme, especialmente quando o assassino assobia uma melodia musical ameaçadora. O filme contém duas sequências constantes; por um lado uma escala de diálogos, e por outro lado espaços de música e efeitos sonoros. Lang utilizou o som como se fosse um outro elemento visual, editando-o livremente. Inicialmente, o criminoso não é mostrado ao espectador, fazendo com que cada pessoa individual crie os detalhes e características do assassino, de acordo com a sua própria imaginação e criatividade. Destaque para o cativante desempenho de Peter Lorre, que interpreta o assassino Hans Beckert.
“M” é um dos filmes mais conhecidos de realizador Fritz Lang, e provavelmente a sua maior obra cinematográfica. Praticamente inventando o psicopata serial killer típico do cinema, “M” esteve bem à frente do seu tempo, tanto em termos de estilo como em termos de história, ao passar uma mensagem de protecção familiar ás mães daquela época. Visivelmente impressionado com os registos deste realizador, sem dúvida.

autor: André Silva

quarta-feira, março 25, 2009

Watchmen

Uma fantástica alegoria ao periodo da Guerra Fria.
Um filme de super-herois que pouco tem de filme de super-herois.
Um bom filme.

segunda-feira, março 23, 2009

Un Perro Andaluz, por André Silva



“Un Perro Andaluz” é uma curta-metragem muda de 17 minutos, escrita, produzida e dirigida por Luís Buñuel em 1929, com a colaboração de Salvador Dali. Considerado como o primeiro filme surrealista do cinema, “Un perro andaluz” teve como principal objectivo provocar um impacto moral no espectador, através de imagens agressivas. Remete constantemente ao sonho e à loucura, tanto nas imagens produzidas, como na não utilização de uma sequencia cronológica. Socialmente simbólica e vanguardista, esta obra é considerada como uma das mais famosas da história do cinema. A utilização de temas como a violência, a brutalidade e a sexualidade fizeram aumentar a polémica deste primeiro filme do realizador, precisamente devido à contrariedade à normalidade dos típicos filmes mudos da época. As ideias de Buñuel e Dali chocaram o público europeu ao romper com as formalidades cinematográficas do tempo, o tradicionalismo e o conservadorismo a que o período estava habituado. Servindo-se de imagens que oscilam entre o erótico, o assustador, o engraçado, o estranho, e o simbólico, “Un Perro Andaluz” foi escrito em apenas uma semana, seguindo apenas uma regra muito simples, a de não aceitar ideias ou imagens que pudessem dar lugar a uma explicação racional, psicológica ou cultural. Para sempre imortalizada no cinema a imagem do corte do olho com uma navalha, esta obra nasceu da convergência dos sonhos de Buñuel e Dali. Obra de arte e do ensaio cinematográfico, “Un Perro Andaluz” é um filme de culto único, resultado da extraordinária imaginação de dois jovens na altura, Luís Buñuel com 29 anos e Dali com 25 anos, portadores de um singular talento. Por ultimo, como nos disse o jovem realizador Luís Buñuel: “Opino que una película, salvo que sirva sólo para pasar el rato, siempre debe defender y comunicar indirectamente la idea de que vivimos en un mundo brutal, hipòcrita e injusto. Y exactamente eso es lo que no suele hacer el cine”. Sem duvida uma obra muito interessante, recheada de misticismo e imaginação, que nos faz alargar os limites da própria criatividade humana.

autor: André Silva

quinta-feira, março 19, 2009

sugestões de leitores

Há algum tempo que iniciei uma viagem pela obra de Pedro Almodóvar. Fiquei simplesmente fascinado com o surpreendente trabalho deste realizador. A forma humana e real como nos é transmitida a sociedade actual é simplesmente fantástica. Pedro Almodóvar consegue desenvolver o conceito de ser humano, transformando-o numa série de importantes relações de sociabilização e sentimentalismos necessários à própria convivência humana. È esta natural capacidade do cineasta em traduzir a vida quotidiana em situações pessoais e intimas do próprio espectador, que me fascinou particularmente. Por motivos de conveniência não apresentarei mais criticas sobre trabalhos de Pedro Almodóvar, passando a participar com outras pseudo-criticas num diferente sentido e rumo cinematográfico. Porém apraz-me por ultimo sugerir duas obras também muito boas do autor: “Carne trémula” (1997) e “La mala educación” (2004). Registos diferentes e que abordam temáticas diferentes, mas com a humanidade e naturalidade a que o realizador nos habituou.

autor: André Silva

Todo sobre mi madre, por André Silva

Arrepiante é a palavra que encontro para descrever o trabalho do realizador Pedro Almodóvar. Neste minha demanda a ver algumas obras do cineasta espanhol, tenho sido invadido sempre pelo mesmo sentimento: uma simples e humana sensação de tristeza. Não só pelas histórias dramáticas que nos são apresentadas, mas também pela descomplexa forma como é traduzida a realidade social. Hoje apresento “Todo sobre mi madre”, produzido em 1999. Apesar de drama, encontramos rasgados traços de uma comédia leve e descomprometida, contributo do excelente desempenho das personagens femininas como Cicilia Roth, Marisa Paredes, Penélope Cruz e Antónia San.
Manuela, interpretada por Cicilia Roth, é uma enfermeira que mora sozinha com o filho, que acaba de festejar o seu 17º aniversário. No dia do aniversário, os dois vão assistir a um espectáculo de teatro, trazendo à memória do rapaz o objectivo de encontrar e conhecer o seu pai. Porém, a vida acaba para o filho de Manuela, consequência de um atropelamento mortal. Disposta a reencontrar o pai do rapaz e revelar-lhe toda a verdade, Manuela deixa o emprego e parte para Barcelona. A personagem acaba tornando-se o núcleo da história que dará um novo sentido à sua vida, enquanto que a sua ajuda e influência acabam por mudar o rumo das vidas das pessoas que a rodeiam.
Vencedor do Óscar de melhor filme estrangeiro e Palma de Ouro de Melhor Director no Festival de Cannes de 1999, “Tudo sobre minha Mãe” é uma obra por vezes bizarra, tocante, chocante, mas muito interessante. Mergulhar no universo de Pedro Almodóvar parece significar entrar na própria realidade da sociedade contemporânea, conhecendo muitos dos problemas e limites à condição humana. Exibe-nos a história de várias actrizes que vivem constantemente numa situação de dupla representação, no palco e na vida real, sujeitas a simular e dissimular sentidos para viver e sobreviver.
O nome original do filme é uma homenagem de Pedro Almodóvar ao filme All About Eve (em português, A Malvada), do realizador Joseph L. Mankiewicz, de 1950. Relembro uma frase dita pela personagem Agrado que me ficou na cabeça: “Uma pessoa é tanto mais autentica quanto mais se parece com aquilo que sempre sonhou para si mesma".
“Todo Sobre Mi Madre” tem o invulgar atributo de nos desvendar situações aparentemente surreais, que estão indiscriminadamente mais presentes na nossa vida do que aquilo que imaginamos.

autor: André Silva