terça-feira, dezembro 30, 2008

o peixe Lynch

O outro David Lynch que a maioria de nós desconhece. E do qual não fiquei com grande vontade de conhecer.

Em Busca do Grande Peixe – Meditação, Consciência e Criatividade

Em Julho de 1973, David Lynch tinha 27 anos, uma carreira artística errática (algures entre a pintura e o cinema), uma bolsa de dez mil dólares do American Film Institute e uma primeira longa-metragem encalhada por falta de meios (Eraserhead, futura obra de culto que só completaria em 1977). Um belo dia, entrou num centro de Meditação Transcendental (MT), em Los Angeles, conheceu uma instrutora «parecida com a Doris Day» e tudo mudou. Sentado numa pequena sala, de olhos fechados, Lynch repetiu certo mantra («um pensamento-vibração-som») e «foi como se estivesse num elevador e tivessem cortado o cabo». Ou seja: «Buum! Caí em beatitude – pura beatitude.» E nunca mais quis outra coisa. Desde aquele dia, há três décadas e meia, que o realizador cumpre, sem falhas, o mesmo esquema: «Medito uma vez de manhã e, de novo, à tarde, durante cerca de vinte minutos de cada vez. Depois, vou à minha vida.» Só que com muito mais energia e capacidade criativa, diz ele.
No fundo, a MT é o método através do qual Lynch «pesca» literalmente as ideias para os seus filmes e este livro pretende ser uma explicação prática desse método. Tudo se resume a uma metáfora ictiológica, repetida vezes sem conta: «As ideias são como peixes. Se quisermos capturar peixes pequenos, podemos ficar pelas águas pouco profundas. Mas, se quisermos capturar os peixes grandes, temos que ir mais fundo.» Mais fundo, entenda-se, no «oceano de consciência pura e vibrante» que existe dentro de cada ser humano. A julgar pelos exemplos descritos, Lynch domina tão bem esta arte da introspecção que para ele se tornou fácil mergulhar até à Fossa das Marianas do seu Ser (com maiúscula) e arrancar de lá as ideias perturbantes que depois vemos, transfiguradas, no grande ecrã.
Apesar do estilo telegráfico, com irritantes tiques de guru oracular, os capítulos em que Lynch fala da aplicação da MT ao seu trabalho artístico, ou da paixão pelo cinema, ou do entusiasmo pelo vídeo digital, ainda escapam. O problema é que o autor de Mulholland Drive tenta ao mesmo tempo evangelizar o leitor, apelando à sua grande causa: a luta «contra a negatividade», em prol da «paz verdadeira na Terra». O discurso, de tão ingénuo, chega a parecer irónico. Mas não é. Atrás do Lynch perverso dos filmes, esconde-se um insuportável avatar new age.
Quando vi Em Busca do Grande Peixe na secção de Espiritualidades de uma livraria, fiquei chocado. Depois de o ler, porém, acho que é precisamente ali o seu lugar.

autor: José Mário Silva

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Paraiso da Nostalgia


É o que me ocorre dizer depois de vêr Cinema Paradiso (1988), de Giuseppe Tornatore. Não me apetece alongar muito. Até porque é difícil quando a sorrateira emoção ameaça constituir avalanche para os sentidos mais lúcidos.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Badfellas


Vi ontem pela primeira vez o aclamado Goodfellas (1990), do Scorsese. A melhor coisa do filme foi confirmar no meu interior a minha aversão por filmes sobre a mob. Porque, ao contrário de muita gente, não consigo tirar prazer e gozo da mob em si, enquanto organização. Algo me diz que matar com cinco balázios nos cornos alguém que até aquele dia era o meu irmão de sangue apenas porque ele estacionou mal o carro e levantou suspeitas, tem o seu quê de estranho. E de desagradável, porventura.
Pior, Goodfellas despertou-me muitos deja vus de padrinhos e outros que tais.
Por outro lado lado, se em padrinhos e outros que tais, o relato histórico contextual ainda nos é destacado, e transmitido de uma forma construtiva e interessante, em Goodfellas esse plano é, a meu ver, bastante subalternizado. Quanto ao enredo principal em volta do puto-inocente-depois-membro-da-família Ray Liotta, este é, na minha humilde opinião, tão pouco original que até dá vontade de juntar uns ingredientes para tornar a coisa mais atractiva.
Enfim, vale pelo elenco: Ray Liotta, De Niro (fica-lhe sempre bem o papel de gangster), Paul Sorvino e Joe Pesci (por esta ordem na fotografia).

ADITAMENTO:Depois de escrever e publicar este texto, dei uma vista de olhos pelo google, curioso por saber de outras opiniões sobre o filme. Desde "um dos melhores filmes dos anos 90" a "inspirador de todos os filmes noir póstumos", todos os honrosos qualificativos contradizem a minha apreciação. Eheh... bem, o que posso dizer? Que detesto mesmo a merda da máfia e os filmes sobre ela!

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Baraka, por André Silva

O blog do Cineclube volta a contar com críticas de filmes feitas por leitores e cinéfilos. Espero que seja a primeira de muitas.



“Baraka” é um incrivél tele-documentário experimental realizado pelo director norte-americano Ron Fricke. Na língua Sufi, a palavra “Baraka” significa Sopro de vida ou Bênção. Um autêntico poema visual onde as imagens incluem um vasto registo de rituais religiosos, maravilhas naturais, processos de mecanização e produção humana e diversos estilos de vida. O contraste e as metáforas visuais criadas por Ron Fricke provocam reflexão, tranquilidade e inquietação aos espectadores atentos. As músicas aliciantes e os efeitos sonoros contribuem para que Baraka seja uma experiência única e marcante. Baraka é um documentário sobre o homem e a natureza, a sua beleza e diversidade cultural, o contraste humano, as suas semelhanças e a sua própria destruição, enquanto ser incapaz de entender o frenético ritmo social a que a vida se desenrola. È facilmente apreendida a intima e frágil ligação entre todos os homens, resultado da multiplicidade de diferenças religiosas, culturas e linguísticas.
São noventa e seis minutos, sem narração, legenda ou discurso, somente imagens e sons cuidadosamente capturados. Baraka exibe-nos de que forma a raça humana e seus diferentes ciclos de vida estão eternamente vinculados ao ritmo da natureza, fazendo uma surpreendente análise do mundo e de quem nele habita.
Filmado em 152 lugares diferentes, localizados em 24 países, Argentina, Austrália, Brasil, Cambodja, China, Equador, Egipto, França, Hong-Kong, Índia, Indonésia, Irão, Israel, Itália, Japão, Kenya, Kuwait, Nepal, Polónia, Arábia Saudita, Tanzânia, Tailândia, Turquia, e Estados Unidos da América, “Baraka” não tem qualquer história ou enredo. Em vez disso utiliza, não só temas para nos apresentar novas perspectivas, mas também genuínas emoções que nos fazem entrar na mensagem do filme. Não aconselho a visualização deste filme a pessoas confiantes no seu ego, seguras pelo seu egoísmo étnico centralizado, nem com configurações pré-definidas de vida humana ou comportamentos sociais, já que nos é proporcionada uma verdadeira experiência sensitiva e espiritual que leva o telespectador a olhar o mundo de um modo totalmente diferente e de uma forma mais condescendente para com os outros. Baraka permitiu-me ver realidades que nem sonhava existirem, comportamentos sociais que por vezes surgem-nos como irreais, vislumbrar padrões de conectividade cultural, tudo isto num sentido de equilíbrio e proporção de relações internacionais humanas. O meu olhar fugia simplesmente de encontro a outros olhares e caras de pessoas, levando-me a entender a universalidade do espírito humano.
Guardo a triste lembrança de uma enorme lixeira pública na Índia, onde grupos de pessoas procuram incessantemente por qualquer tipo de coisa que lhes permita sobreviver mais um dia, competindo com outros animais. Mulheres e crianças descalças procuram pequenos “tesouros” naquele horrível lugar, onde nenhum ser humano deveria ser obrigado a viver.
Fricke afirma que o objectivo desta obra era ser "uma viagem de redescoberta da própria vida, mergulhando na natureza, na história, no espírito humano e por fim no reino do infinito." Único na sua beleza, sensibilidade e percepção, “Baraka” consegue, ao longo de noventa e seis minutos, e movendo-se na realidade quotidiana de um mundo multifacetado, transmitir-nos uma ideia de tolerância e respeito cultural a que todos deveríamos estar sujeitos.
Mais que uma obra puramente fantasiosa e imaginária, “Baraka” é um filme sobre a vida, um registo sobre a própria Humanidade.

autor: André Silva

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Sugestões para um Natal mais quentinho...



Começo com 'Le Grand Bleu - The Big Blue', de Luc Besson.
Neste fabuloso filme (e é mesmo, não estou com falta de adjectivos), acompanhamos infância e vida adulta de Jacques Mayol e Enzo Molinari (na foto), dois mergulhadores de alta competição, que têm com o mar uma relação mais complexa que a profissional.
Fotografia e interpretações brilhantes.


Segue-se 'Payback', de Brian Helgeland, que para muitos pode parecer apenas mais um filme de acção com o actor/realizador/pastor, Mel Gibson. Mas não o é. Mais do que um banal filme de acção, 'Payback' conta com um cativante e bem conseguido enredo, capaz de nos prender ao ecran. Conta também com mais uma excelente interpretação de Mel Gibson, sempre igual a si mesmo.


Termino com um filme mais recente, 'In Bruges', de Martin McDonagh, com Colin Farrell e Ralph Fiennes.
Todo passado em Bruges, o filme conta-nos a história de um grupo de assassinos bem peculiares. Repleto de humor e situações pouco provaveis, é um excelente filme ao género de 'Snatch'.
É fantástico.

terça-feira, dezembro 09, 2008

O cowboy (Joe) da meia-noite.

Filme disponível na Biblioteca da FDUP

Quando o simples visionamento de um filme nos perturba, deixa ensimesmados, deprimidos e, até, de certa maneira, tristes, já temos mais do que o necessário para poder dizer que a obra nos marcou. Não será isso, para além daquela imediata finalidade de “passar um bom bocado”, que procuramos no cinema?

“Midnight Cowboy”. Ou, para quem preferir o título da versão portuguesa, “O cowboy da meia-noite”. O filme marca porque nos abre um vasto leque de perguntas. Se às mesmas sabemos ou não responder é outro problema. O autor destas linhas, que é o Tiago Ramalho, plasma em escrito que não sabe. E por isso está perturbado, ensimesmado, deprimido e, até, de certa maneira, suponho que mesmo o mais despistado dos leitores adivinha a palavra que se seguirá, triste.

Irei relembrar a história para aqueles que a já não recordam. Aos que ainda não viram o filme, salvo se tiverem uma firme aversão à surpresa, recomendo que primeiro o vejam e depois leiam.

Vejamos então, sucintamente: um jovem, de nome Joe, larga o seu pequeno mundo no Texas, onde era lavador de pratos, e parte para Nova Iorque. Projecto: acreditando na sua anacrónica imagem de cowboy, tem em mente viver como prostituto de senhoras que possam pagar os seus serviços, e tudo correrá pelo melhor. Já Ratso é um ladrão de vão de escada. Apesar de estatisticamente poder não ser um sem abrigo, é um pobre coitado que vive num prédio devoluto. Ambos, não obstante alguns pequenos problemas iniciais, acabam por ser o sustentáculo um do outro, vivendo Joe na casa de Ratso. Naturalmente que Joe não foi bem sucedido no seu ofício, pois de outra forma não viveria em tão precárias condições. De facto, em vez de grandes senhoras, aquele que, segundo palavras próprias, não é um verdadeiro cowboy, mas um bom garanhão, acaba por ou não trabalhar ou fazer apenas serviços homossexuais, o que abala o seu sentido estético e, porque não dizê-lo, a masculinidade que faz questão em ostentar. Creio que com isto um quadro geral fica traçado.

O em todo este filme mais parece perturbar é a turbulência das relações humanas: parece ser inegável a forte relação de amor entre Joe e Ratso, esses dois homens sós perdidos na grande metrópole. Mas que amor é esse? Que estranha relação cultivam os dois sujeitos? É curioso como Ratso, ao ver Joe chegar a casa com dinheiro, depois da primeira (que vem a ser única) noite de serviços sexuais remunerados o ataca com violência. Qual a causa dessa hostilidade que leva um homem a violentar o outro – o único – que se preocupa consigo? São dois homens perdidos, duas torres em queda que se apoiam uma na outra num muito frágil equilíbrio. E é uma relação tão forte que leva Joe a cometer um crime (ele que, aparentemente, tanta aversão a tal tinha) para poder levar Ratso à Florida, essa terra com que tanto sonhava, em que nunca chega a pôr os pés mas apenas a depositar o olhar (e a vestir uma camisa com uma palmeira). Pergunto-me então, de novo, sobre que força tão grande é essa que leva aqueles homens a suportarem-se um ao outro. Talvez uma qualquer que transcenda os nossos quadros de compreensão, que só pode ser sentida por homens assim tão sós, tão carentes de uma palavra singela, de um sorriso, ainda que amargurado, ou, tão-somente, de uma sombra pela casa que os lembre que não estão sós no mundo.

Também não consigo deixar de me perguntar sobre qual o valor do sonho: valerá a pena persegui-lo? Aquele rapaz ingénuo, firme na sua inocência, que parte para um espaço que não conhece acreditando no seu visual à John Wayne, que acredita nessa sua ilusão até ao momento em que, abandonando nova Iorque, depara consigo mesmo e, tão somente, não gosta. Basta comparar uma das cenas iniciais em que, ainda na pequena vilória do Texas, garbosamente se arranja para sair de casa, com aquele em que, na viagem para a Florida e depois de comprar um novo vestuário, deita todos os seus velhos pertences ao lixo. Talvez aí morra o Cowboy da Meia Noite do Texas e nasça um novo Joe de Nova Iorque. Há um desconsolo enorme em ver a figura de Joe destruir-se ao longo de todo o filme e, nesse momento em que “volta a si”, vê-lo a ver morrer o seu camarada de vida.

As interpretações dos dois principais actores são notáveis: John Voight tem um ar incrivelmente inocente ao longo de todo o filme; Dustin Hoffman parece um verdadeiro rufia. Comparar esta sua interpretação com a que realiza em “The Graduate” revela toda a sua qualidade. Será mesmo o mesmo, passe a redundância?

Comecei por dizer que este filme abre bastantes perguntas. Abre perguntas e com ela nasce alguma dor. Mas tudo isso dentro da grande felicidade de ver uma grande obra e de efectuarmos uma viagem a uma outra realidade pela câmara de um realizador.

Não classifico filmes com estrelas mas com palavras. Sobre este digo que é perturbante, às vezes doloroso, e que tem brilhantes interpretações. Ah…e recomendo a qualquer um.
*post rectificado perante a correcção da Maria João. Sobre o nome "Ratso" recomenda-se o dito comentário, da mesma menina, senhora, mulher.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Amanhã há filme


Amanhã há filme.
Rushmore (1998), de Wes Anderson; às 18:15h na sala 1.01 da FDUP.
Entrada gratuita.
Aparece.

quarta-feira, novembro 26, 2008

Última sessão do semestre - Rushmore


Terça, dia 2 de Dezembro, às 18:15h na sala 1.01.
Aparece.

terça-feira, novembro 18, 2008

Hoje há filme!



How green was my valley (1941), de John Ford, às 18h, na sala 1.01.
Aparece e traz um amigo!

sábado, novembro 08, 2008

British Culture Week

Chegou às minhas mãos, por intermédio do meu professor de Inglês Jurídico, um interessante ciclo de cinema inglês, promovido no âmbito da British Culture Week, iniciativa levada a cabo pelo Oporto British Council. Paralelamente, haverá lugar para duas tertúlias sobre o cinema inglês. O local é a FLUP.
Aqui fica:

Monday 10th
15h30 Anfiteatro Nobre
Official Opening Session:
Tony Barker (Univ. Aveiro)
"You´re Nicked!” A Taxonomy of Classic British Crime Films.

Tuesday 11th
13h45 Anfiteatro Nobre
Film:
Bend It Like Beckham (Gurinder Chadha)
Introduced by Nic Hurst (meu Professor)

Wednesday 12th
10h45 Anfiteatro Nobre
Sara Graça da Silva (CETAPS – PhD Univ. Keele)
And now for Something Completely Different: British Comedy and the Representation of Britishness.

15h45 Anfiteatro Nobre
Film:
My Left Foot (Jim Sheridan)
Introduced by Roger Luke

Thursday 13th
15h45 Anfiteatro Nobre
Film:
Kes (Ken Loach)
Introduced by Jonathan Banatvala

Friday 14th
13h45 Anfiteatro Nobre
Film:
The Life of Brian (Terry Jones)
Introduced by David Christopher

domingo, outubro 26, 2008

Berlim: Reconstrução crítica

:: CICLO DE CINEMA / Cinema Passos Manuel / 4-7 NOV ::
O Ciclo de Cinema apresenta um conjunto óbvio de quatro filmes incontornáveis, pontos de referência na linha da história de Berlim, que serão analisados e contextualizados por intelectuais apaixonados pelo cinema e pela cidade.

4 NOV 21h30
BERLIM, SINFONIA DE UMA GRANDE CIDADE
Walter Ruttmann, 1927
Analisado por Nuno Portas

5 NOV 21h30
GERMANIA, ANNO ZERO
Roberto Rosselini, 1947
Analisado por Abílio Hernandez Cardoso

6 NOV 21h30
ASAS DO DESEJO
Wim Wenders, 1987
Analisado por Pedro Barreto

7 NOV 21h30
BERLIN BABYLON
Hubertus Siegert, 2001
Analisado por Hubertus Siegert


Com Manoel de Oliveira em Serralves, um Ciclo de Cinema Italiano no TECA, um Festa do Cinema Francês no Cidade do Porto e agora este novo ciclo, pode-se dizer que o cinema está de pedra e cal na Invicta! Venha daí a Cinemateca... (?)

segunda-feira, outubro 20, 2008

21/10/2008 - Los Olvidados


A segunda sessão do Cineclube FDUP é já amanhã.
Após o sucesso de Love and Death de Woody Allen, segue-se outra fabulosa obra cinematográfica, desta feita Los Olvidados de Luís Buñuel.
Com apresentação de Inês Silvestre e crítica de Francisco Noronha, Los Olvidados promete fazer as delícias da plateia ávida de bom cinema.
Até já.

sexta-feira, outubro 17, 2008

Hell Ride – Antevisão

Já o tenho e sinceramente guardo grandes espectativas. Um elenco de luxo, entre os quais Vinnie Jones (que se esquece dos seus papeis em “ Snatch “ , e “ Lock Stock and two smoking Barrels “), o grande Michael Madsen, e um dos meus heróis de sempre o Dennis Hopper. Produzido por Tarantino, uma historia de vingança com motas, rock’n’roll, álcool mulheres bonitas, e violência, muita violência. Isto é arte, a arte do puro entretenimento, espero que o filme corresponda a todas as expectativas … Domingo farei uma critica ao filme, até lá fica o trailer para aguçar apetites.


domingo, outubro 12, 2008

sexta-feira, outubro 10, 2008

Grazie!



CICLO DE CINEMA ITALIANO

O cinema italiano vive de novo um momento alto. O sucesso recente de alguns filmes (exibidos e premiados nos melhores festivais de cinema do mundo) trouxe consigo uma «espécie de euforia» (JLR, Expresso) e um aumento significativo de espectadores. A Medeia Filmes propõe para esta rentrée cinematográfica no Porto, um CICLO DE CINEMA ITALIANO. A exibir no Teatro do Campo Alegre, a partir de 9 de Outubro, e ao longo de 3 semanas. São 21 filmes, a partir do pós-neo-realismo até aos nossos dias. Obras incontornáveis dos «mestres» Viconti, Fellini, Antonioni, Pasolini. As gerações que se lhe seguiram: Bertolucci, Belochio, Moretti..., até ao novo cinema napolitano, como Mario Martone. Actores e actrizes, como Marcello Mastroianni, Claudia Cardinale, Alida Valli, Silvio Orlando, Nicoletta Brashi, Michele Placido... Argumentistas como Tonino Guerra. Músicos como Ennio Morricone, Nino Rotta... Para ver ou rever. Sim, porque como dizia Mastroianni, nós amamos [este] cinema.


TEATRO DO CAMPO ALEGRE - 9 A 29 DE OUTUBRO

Quinta, 9 Outubro
SENSO / SENTIMENTO
de LUCHINO VISCONTI

Sexta, 10 Outubro
IL GATTOPARDO / O LEOPARDO
de LUCHINO VISCONTI

Sábado, 11 Outubro
LA DOLCE VITA / A DOCE VIDA
de FEDERICO FELLINI

Domingo, 12 Outubro
AMARCORD
de FEDERICO FELLINI

Segunda, 13 Outubro
FELLINI 8 E ½
de FEDERICO FELLINI

Terça, 14 Outubro
IL DECAMERON / DECAMERON
de PIER PAOLO PASOLINI

Quarta, 15 Outubro
I RACONTI DI CANTERBURY / OS CONTOS DE CANTERBURY
de PIER PAOLO PASOLINI

Quinta, 16 Outubro
IL FIORE DELLE MILLE E UNA NOTTE / AS MIL E UMA NOITES
de PIER PAOLO PASOLINI

Sexta, 17 Outubro
BLOW UP
de MICHELANGELO ANTONIONI

Sábado, 18 Outubro
THE PASSENGER / PROFISSÃO : REPÓRTER
de MICHELANGELO ANTONIONI

Domingo, 19 Outubro
LAST TANGO IN PARIS / O ULTIMO TANGO EM PARIS
de BERNARDO BERTOLUCCI

Segunda, 20 Outubro
IL MOSTRO / O MONSTRO
de ROBERTO BENIGNI

Terça, 21 Outubro
APRILE / ABRIL
de NANNI MORETTI

Quarta, 22 Outubro
APASSIONATE / APAIXONADAS
de TONINO DE BERNARDI

Quinta, 23 Outubro
RESPIRO
de EMANUELE CRIALESE

Sexta, 24 Outubro
LA FINESTRA DI FRONTE / A JANELA EM FRENTE
de FERZAN OZPETEK

Sábado, 25 Outubro
LA MEGLIO GIOVENTÙ / A MELHOR JUVENTUDE (parte 1)
de MARCO TULLIO GIORDANA

Domingo, 26 Outubro
LA MEGLIO GIOVENTÙ / A MELHOR JUVENTUDE (parte 2)
de MARCO TULLIO GIORDANA

Segunda, 27 Outubro
CANTANDO DIETRO I PARAVENTI / CANTANDO POR DETRÁS DAS CORTINAS
de ERMANNO OLMI

Terça, 28 Outubro
BUONGIORNO, NOTTE / BOM DIA, NOITE
de MARCO BELLOCCHIO

Quarta, 29 Outubro
L'ODORE DEL SANGUE / O ODOR DO SANGUE
de MARIO MARTONE


Sessões às 18h e 22h. Bilhetes 3.5euros.

Ontem fui ver o primeiro do ciclo, Sentimento, do Visconti. Fantástico...

quarta-feira, outubro 08, 2008

07/10/2008 - Love and Death




A primeira sessão do Cineclube FDUP foi um sucesso.
Após uma cativante apresentação de Lídia Queirós, Woody Allen fez rir uma plateia com cerca de 45 pessoas.
Um excelente começo para o Cineclube, que mais uma vez promete trazer cinema de qualidade ao anfiteatro 1.01, e à biblioteca da Faculdade de Direito da Universidade do Porto.
Até daqui a 15 dias…

sexta-feira, outubro 03, 2008

Cineclube, o regresso.


O cartaz está aí, o Cineclube voltou.
É já na próxima terça-feira, 7 de Outubro, que o Cineclube regressa à actividade, com mais um semestre de bom cinema na Faculdade de Direito da Universidade do Porto.
Este será um semestre em que a programação nos levará à volta do mundo, percorrendo realizadores de várias nacionalidades e estilos. Abrimos com Love and Death de Woody Allen, seguindo-se Los Olvidados de Luís Buñuel, Tales of Ugetsu de Kenji Mizoguchi, e How Green Was My Valley do famigerado John Ford. Para terminar o semestre em grande e com um sorriso na face, fecharemos com Rushmore do aclamado Wes Anderson.
Mais uma vez, neste semestre continuaremos com a estrutura de apresentação aos filmes no início das sessões, com o mesmo objectivo de conduzir a uma compreensão contextualizada das obras, ao nível estético e histórico.
Assim, esta terça-feira o Cineclube volta a encher a faculdade de cultura, e a acolher o Porto cinéfilo em sessões bem-humoradas de cinema.
Estão todos convidados…

quinta-feira, outubro 02, 2008

Gomorra: A outra Face

Tive já também a oportunidade de ver o referido filme. Começando pelo seu sucesso, ser uma grande escolha de um festival como Canne acho que simplesmente fala por si e pelo que o filme conseguiu captar, se falarmos de sucesso em Portugal o caso muda de figura obviamente, as nossas escolhas não são claramente pautadas por uma aposta no cinema europeu e sim nos blockbusters americanos. Se para muitos os Óscares são o topo, não escondo que Canne é a minha preferência pessoal. Passando ao filme propriamente dito, é uma verdade que não acrescenta nada de novo, mas também estamos a falar de um género que já dá cartas pelo menos desde os anos 20 em que víamos um Dr Mabuse de Fritz Lang a controlar todo o submundo do crime. Esgotado portanto o conceito acho que este filme enova pelo facto de sair dos moldes clássicos do tema, historia de amor entre do protagonista ( torna assim de certa forma a personagem mais humana e leva ao publico a desculpar involuntariamente os seus actos, ora como seria o “ era uma vez na América “ se o Robert De Niro não fosse “ perdidamente apaixonado ? ), quebrando também com a clássica versão de Hollywood do príncipe ladrão, que apesar de roubar matar e traficar até e uma boa pessoa, aquele que leva a muitos dizerem “ quero ser como ele “ ( Pensando agora na legião de fans que Vito Corleone Move, tornando-se mais que um ídolo, um ícone Pop). Este filme não é mais um daqueles em que assistimos a uma ascensão apogeu e queda de um que um dia quis ser o rei do seu bairro. Este filme retrata a dura realidade das ruas napolitanas, desde as crianças a que no Brasil chamam de Vapores, aos traficantes, vários tentáculos de um polvo (a camorra), que chega a todos os ramos da sociedade. A senhora Maria que recebe de Don Ciro uma maquia certa por mês pelo seu marido preso (membro da camorra), até à Diva que se passeia em desfiles na televisão com um vestido contrafeito pelo senhor Pasquale. È também clara a alusão à crise provocada pela camorra no caso do lixo, à altura do filme éra a questão dos resíduos tóxicos, neste verão foi a recolha de lixo da cidade inteira de Nápoles, que levou a actuação das Forças Armadas para suster a crise. A brutalidade das máfias italianas, muito acima de qualquer outra que me recorde (apesar de falarem de máfias russas e de outros países, Itália é o único país que eu conheço em que Juízes como o Juiz Falcone são assassinados de forma impune e à luz do dia e com meios de uma autentica guerra, ou as actuações de personagens como o Scana Cristiani, e as ordens de Totó Riina) é neste filme uma constante, e apesar de noutros filmes como “ Scarface “ haver mais mortos em numero, neste sabemos que ninguém está a safo numa guerra entre gangs, há aquilo a que chamamos de “ danos colaterais “ em linguagem militar, vitimas inocentes que nada fizeram para merecer o seu fim. O filme ganha no meu entender nos detalhes que compõem o retrato, os dois tontos que entram em acção no filme a imitar a sequencia final do Scarface de Brian de Palma (o cineclube no semestre passado exibiu a versão original de 1932 ), passando o resto do filme perseguindo o sonho de violência e conquista do poder desmedido sem o mínimo de cabeça, assim se perderam muitos no meu entender, com mensagens de violência a quem não tem nada e anseia por tudo. O fim dos dois é o fim de todos o que escolhem aquele caminho ….
Por ultimo e em toda a dureza do filme, há uma esperança. Roberto (não revelo o porque desta mensagem pois estragaria a historia, mas depois de visto o filme percebe-se o porque da sua existência no filme). Quanto à fotografia e aos pormenores de realização confesso que não tenho capacidade de analisar como o resto (arrogância de parte, sempre me interessei mais pelo conteúdo dos filmes, pecando pela falta de conhecimento em aspectos mais técnicos, não obstante invejo quem disso sabe mais do que eu), noto no entanto que em certas alturas torna um filme um pouco cansativo a quem esta a ver e quebra um pouco a dinâmica que se procura com câmaras sempre em movimento. Ainda um remate final para a banda sonora e os adereços usados pelos criminosos, não é um filme com uma música apoteótica na queda e auge na cena, nem os criminosos a morrerem em fatos deslumbrantes. São execuções a musica é pastilha, tem um estilo a que os espanhóis chamam de “ chungo “ que tão bem descreve aquilo que no bairro se veste e que cá a expressão adquire um sentido mais lato. Apesar de algumas falhas, acho um bom filme no geral, com uma visão inovadora e dinâmica de um mundo que tantos ouvimos falar mas que tão pouco conhecemos. Todos até hoje conhecíamos a máfia siciliana chamada de Cosa Nostra, mas não sabíamos que a Camorra é bem mais antiga e sangrenta, e que estende a sua mão a quase tudo o que dá lucro.
Um pequeno aparte à margem do filme sobre o Comment do Francisco, bem o filme passa-se na altura do livro que lhe serviu de suporte, ou seja a actualidade. Quanto as afirmações bombásticas, são devidamente sustentadas. O jornal o Publico durante este verão foi trazendo a conta gotas, como todas as informações do género que chegam a Portugal, uma serie de noticias acerta da Camorra, também o livro de Roberto Saviano foi alvo de um especial pelo suplemento P2. Outro livro que fala no tema, embora não seja sobre ele, é o “ Cosa Nostra “ de Dickie, aquele que se propõe a ser o 1º livro independente de “ Historia “ e sublinho Historia da Máfia em Itália, não um romance com fundo de verdade. Obviamente para quem vê o filme pela primeira vez isto cai um pouco de para quedas e neste caso tens toda a razão tudo parece um pouco confuso, mas como bem sabes interesso-me bastante por este tema o pelo que em mim não se declararam estas dificuldades, mas sim são pontos negativos para o filme. Não concordo que seja um cidade de Deus Italiano, isso seria diminuir um em prol de outro. Seguindo o Raciocínio podíamos afirmar então que o Cidade de Deus é o Los Olvidados Brasileiro.