sábado, janeiro 10, 2009

Discos Voadores


Este é um dos filmes de cinema espanhol que mais me marcou. Um tema que à partida remete-nos para a ficção científica, é neste filme a pedra basilar de uma dissertação sobre a liberdade, e os sonhos de uma pessoa. Até onde estas disposto a ir? Que sacrifícios consentes para atingir a felicidade?

A força do poder

Este dispensa qualquer tipo de apresentação, uma obra-prima …



E que dizer do final ?

Sempre se falou, ou tem-se a ideia que os filmes tentam retratar o que se passa na verdade, baseados em factos e pessoas. No decorrer do meu estudo sobre o crime organizado tive acesso a textos que não só põem em causa esta noção como apresentam argumentos contrários. Sendo este filme o grande exemplo exposto, aquele que levou a um Boss da Campânia a mandar edificar uma casa exactamente igual a de Tony Montana, sendo designada de Hollywood.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Da mudança de imagem

A um mês de celebrar 2 anos, sentiu-se a necessidade de levemente renovar a imagem ao blog do Cineclube FDUP. Assim, alterou-se o cabeçalho, bem como um ou outro pequeno pormenor mais.
Quanto ao novo cabeçalho, este não surgiu apenas da ideia de apresentar algo fresco e cativante, mas também de apresentar algo relacionado com o cinema. Das várias ideias sobre a mesa, entre velhos projectores de cinema a resmas de película de filme, destacou-se uma. Desde menino que me deixei fascinar pelo efeito do excesso de luz sobre a película de filme. Adorava as fotografias que o meu pai deixava queimar, adorava o tom “torrado” dalgumas fotografias que ele tirara com a sua velha Zenit…
Mais tarde, fiquei também fascinado com o final do The Last Temptation of Christ de Martin Scorsese, uma longa cena em que vemos Cristo rendido e crucificado, em que lentamente (e ao que parece, acidentalmente) a película começa a deteriorar-se e a “queimar”, deixando um efeito espectacular, algo surreal.
Assim, foi toda a ideia da fragilidade da película, a beleza do acidente e do imperfeito, que inspiraram esta nova imagem. Se está bem conseguida ou não, isso já é outra história…

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Gael Garcia Bernal

A todas as fans deste actor, apresento o seu novo filme. No Mexico já esta em exibição, com pena minha creio que nunca chegará a Portugal. Temos sempre os meios ilicitos para o arranjar. Senhoras e senhores:



Chocante não ?

Parece ser um filme fantastico ...
eis o trailer:


Perdita Durango ( Dance With The Devil )


Este é no meu entender a obra-prima de Alex de la Iglesia. Violência, uma Femme Fatale, México, Rituais de Santeria, Screamin’ Jay Hawpkins, tudo para passar uma noite agradável junto com um maço de Lucky’s e uma garrafa de Jameson, ou fiel a nacionalidade do realizador, um maço de Celtas e uma litrona de Mahou.
Para os que gostam de ver estrelas de Hollywood em acção, há a promessa de um James Gandolfini em grande!

Roger Corman




Na altura de reis, decidi hoje não falar de um filme, mas precisamente do rei dos “ B’s “. Agora que metade dos que liam, já se foi embora devido ao tema a que me refiro, digo o seu nome, Roger Corman. Apesar de todo o preconceito que rodeia todo este género, sem pretensões snobes que muitas vezes rodeiam que ama o cinema independente ou as aspirações artísticas de um realizador da moda, este é o verdadeiro cinema de massas, feito com baixos custos para ser consumido por quem não tem poder de compra. Quer se queira ou não, apesar dos baixos custos podemos observar dentro do género os mais belos exemplos de cinema de qualidade. Entre eles, quem melhor e mais eficientemente usou os recursos ao seu dispor é Corman. Realizou sempre dentro dos géneros que mais gosto, desde o Horror, até ao crime e a ficção científica. Aluno de Oxford, deixou a faculdade para seguir o sonho de realizar e produzir, aproveitou uma oportunidade em Hollywood, e as suas qualidades de dirigir tornaram-no uma referência. É dos mais influentes realizadores de sempre, sendo ele quem deu oportunidade de brilhar aos mais brilhantes realizadores americanos do pos guerra, Francis Ford Coppola, Martin Scorsese, Ron Howard, Peter Bogdanovich, Jonathan Demme, Donald G. Jackson, Joe Dante, James Cameron, entre outros. Foi também ele que levou à ascençao actores como Jack Nicholson, Peter Fonda, , Michael McDonald, Dennis Hopper, Talia Shire, ou Robert De Niro.
Os seus filmes marcaram épocas, como o Wild Angels, que com o Vanishing Point e o Easy Rider, formam as obras que definiram o espírito dos 60’s, a Contracultura.





Dez anos antes, lançou vários filmes de Sci-Fi que hoje são referencia e ícones do género. Não vos falarei certamente do Attack of the crab Monsters como uma grande obra cinematográfica, mas diria que o dilema exposto no Not of This Earth é soberbo, uma visão filosófica sobre a hipotética vida Extra terrestre. Bem sei que parece estranho pensar que pode haver filosofia e E.T’s mas por via das dúvidas vejam o filme para depois eu ter alguém com quem debater.





Muitos querem negar o que Corman representa, e apagar da historia este tipo de cinema, estou aqui para que não seja esquecido, e sugiro ao cineclube abraçar no futuro um filme dele, uma forma de dizer aqueles que nos apontam de elitistas que afinal temos, todos os géneros para todos os gostos.




para mais info: Wikipedia


para ver a sua obra completa: mandar-me um email com o filme que querem ver. Custos: 0.60cent já com iva

Cadillac Records




Antes de mais, um bom ano a todos os meus companheiros do cineclube. Este natal havemos de ter recalcado mais uns quantos filmes temáticos. Pessoalmente sinto-me sempre nostálgico e revejo alguns clássicos. Ricos e Pobres foi o eleito para a consoada. Aparte de festividades, o filme que venho hoje falar chama-se “ Cadillac Records “. Por cá ainda não soube nada de estreias, e não me admiro se nunca ca chegar. Ainda que uma falácia norteie toda a história do filme, deve ser visto. O Blues há muito esquecido por todos, vê aqui um suspiro, uma chama que teima em apagar-se a sua volta. Esta é a história da Chess Records, uma das mais importantes editoras do genero, oriunda de Chicago, lançou Muddy Waters, Chuck Berry, Howlin’ Wolf, Etta James, e inúmeros outros. Mas como Hollywood já tinha feito na historia da Atlantic Records, também aqui um projecto de irmãos foi cortado, ficando apenas o Leonard Chess, admirado com o facto de a historia não corresponder aquilo que sempre li sobre eles, fui investigar e descobri que o produtor é o filho de Leonard. Bem, Hollywood é mesmo assim … O filme tem também uma força muito grande, um retrato de uma América Racista que felizmente é já Historia. A todos os que estejam interessados em conhecer mais sobre o Blues, este é um filme a não perder. Ou se não gostarem do género sempre se podem entreter com as beldades que se vão passeando pelo ecrã. De notar ainda no detalhe que ninguém se lembra, ou pensa, quando criticam os celebres Gangstas, de ver que não é um fenómeno do hip hop, mas sim dos guettos, a violência sempre foi e sempre será uma presença. Ao ver o filme perceberão o porque das minhas palavras.

Três de uma vez

Marie Antoinette - Sofia Coppola

À primeira vista, há várias maneiras rápidas, nada abonatórias e falaciosas de descrever este filme: “Sexo e a Cidade no século XVIII”, um videoclip de duas horas, …mas a verdade é que gostei do filme.
Divertido, bem conseguido, e com uma fotografia bonita acima de tudo. È, também, uma estranha e nada habitual maneira de ver um membro da realeza, especialmente Maria Antonieta.

Children of Men - Alfonso Cuarón

Num futuro muito próximo, o Homem enfrenta adversidades nada impossíveis, mas raramente discutidas. Com cenas de acção totalmente inovadoras (e não falo de efeitos digitais), cativantes cenas muito extensas, e brilhantes actuações, Children of Men é sem duvida uma das mais fortes obras da recente vaga de autores mexicanos.

The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford - Andrew Dominik

Ao género da obra de Terrence Malick, The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford é um filme muito bonito, em que muitas vezes o enredo passa para segundo (ou terceiro, até) plano. A fotografia, a par com The New World de Malick e Marie Antoinette de Sofia Coppola, é brilhante, conseguida muito à custa do natural.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Rushmore - Sessão de 2/12/2008

Com as minhas desculpas pela publicação atrasada e "fora-de-horas", aqui vai a minha crítica ao "Rushmore" que foi distribuída na sessão, mas que por lapso me esqueci de pôr no Blog.
À laia de "New Year's Resolution" tentaremos passar a publicar as críticas logo a seguir à sessão, para que as pessoas que não possam ter estado presentes vão a correr à DVDteca buscar o filme!


“Rushmore” / “Todos Gostam da Mesma” (1998)

De Wes Anderson; Argumento de Wes Anderson e Owen Wilson;
Com Jason Schwartzman, Bill Murray, Olivia Williams e Seymour Cassel

“Rushmore” conta-nos a história de Max Fischer (Jason Schwartzman), um rapaz de 15 anos que estuda num prestigiado colégio, a Rushmore Academy, e que se recusa a permitir que a realidade limite as suas ambições. Logo no início, deparamo-nos com uma das mais geniais sequências do filme: a contagem dos inúmeros cargos de Max nas suas actividades extra-curriculares, algumas delas verdadeiramente insólitas – recorde-se a Rússia no Model United Nations, a Debate Team, os Rushmore Beekeepers, Caligraphy Club ou a Bombardment Society! Não obstante o seu brilhantismo em todas estas responsabilidades, especialmente na escrita e encenação de peças de teatro, Max é, nas palavras do Director da escola “one of the worst students we’ve got”, e juntando isso à sua irreverência, a ameaça de expulsão da escola paira sempre sobre a sua cabeça.
Tudo se complica quando o jovem conhece a mais recente professora primária do colégio, Miss Cross (Olivia Williams), e, perdidamente apaixonado, conjura com Herman Blume (Bill Murray), um milionário pai de dois colegas seus de quem se torna íntimo, o plano de erguer um aquário em sua homenagem. Max é então expulso da escola e começa uma nova etapa de conquista no liceu local. O mais surpreendente é que estaríamos à espera que ele não se integrasse, dada a sua peculiaridade, num ambiente que é o oposto do elitismo a que estava habituado, mas isso não acontece. De facto, Max continua a encenar as suas peças, e ganha novas admiradoras, como a encantadora Margaret (Sara Tanaka), mas nem por isso desiste de lutar por Miss Cross. Contudo, a trama ganha novos contornos quando Herman se envolve com Rosemary Cross, e os dois entram numa batalha de ataque e contra-ataque, que é absolutamente surreal atendendo à diferença de idades entre Max e Blume, e ao gozo que lhes dá aperfeiçoar as suas partidas – a sorriso de Herman quando se apercebe que a trama das abelhas é obra de Max é paradigmático.
“Rushmore” tem fortes elementos autobiográficos: foi filmado na escola que Anderson frequentou, em cujo auditório também ele encenava as suas peças, na maioria épicos de acção, e tal como Max, também Owen Wilson (co-argumentista) foi expulso do liceu. O filme também toca, embora de modo subtil, a questão do fosso entre classes sociais – percebemos isso quando vemos que Max frequenta Rushmore com uma bolsa de estudo e apresenta o pai como neurocirugião. E Max é, talvez, bem representativo de todos os artistas que usam o seu trabalho para ordenar e controlar o mundo à sua volta. As suas peças são o modo que ele encontra para isso, para aproximar e reintegrar as divisões do seu mundo, as amizades perdidas e inimizades acidentais, numa comunidade equilibrada e una.
Jason Schwartzman oferece-nos uma interpretação memorável, acrescentando um brilhantismo à personagem que o argumento não imaginava conferir, e não é por isso de espantar de Anderson tenha voltado a trabalhar com ele em “Darjeeling Limited”. Os pormenores são deliciosos: o sonho inicial do filme a resolver a equação impossível no quadro com a chávena de chá na mão, a sua boina vermelha e a dança de lugares na conversa com Miss Cross, a incoerência da petição sobre o ensino do latim, a sequência em câmara lenta para receber os aplausos pela peça com sangue no nariz, a cena de ciúmes ao jantar - no fundo, todo o seu comportamento e discurso é de o de uma pessoa de 30 anos, quando não passa de um miúdo de 15. Por isso, a nossa relação com Max vai desde achar que ele precisa de apoio psiquiátrico a começar a entendê-lo, e acabar por sentir um enorme carinho por ele, especialmente quando ele desiste de Rosemary depois da fabulosa cena da simulação do atropelamento e tenta reconquistar a amizade de Herman, ou quando ele desiste da escola e vai trabalhar com o pai, e tem finalmente orgulho em apresentá-lo a toda a gente como barbeiro e seu pai. Genuinamente comovente é a cena em que ele dedica a peça à memória da mãe, e a dança do final.
Quanto a Bill Murray, a sua personagem é a de um triste homem de sucesso, com filhos insuportáveis e de uma solidão patente. Entre as suas cenas mais memoráveis conta-se a da “bomba” para a piscina de cigarro no canto da boca, a cena da cenoura na conversa à porta com Rosemary, a sequência do elevador, entre outras. O seu Herman é verdadeiramente patético, e nisso Bill Murray é mestre, tal como já nos vem habituando, mas ainda assim supera as suas deprimentes e melancólicas personagens em “Lost in Translation” e “Broken Flowers”.
A filmagem, edição e fotografia é irrepreensível, e Anderson tem a grande qualidade de conseguir dar-nos o máximo de informação num mínimo de tempo de ecrã – captamos a essência das personagens com um gesto, um sotaque, adereços e tiques. Na cena final, em jeito de homenagem à reconciliação e à felicidade, a câmara de Anderson filma com movimentos e velocidade varíavel, aí sim, para “esticar” o momento, pintando-o com cores oníricas. No fim daquela dança, é uma sensação de leveza, de empatia e envolvimento que permanece, e no fecho desce o pano sobre esta imensa peça de teatro que é este filme, feito de detalhes, e que nos faz querer ir até Rushmore conhecer tão insuitados actores deste universo paralelo.
Também a banda sonora é de uma beleza enorme, juntando temas interpretados por Cat Stevens, John Lennon, The Kinks, Yves Montand, The Who, Rolling Stones, Donovan Leitch. Pessoalmente, tenho como único aspecto a criticar algo já habitual: a tradução do título do filme, que não se compreende de onde veio, já que são dois a “gostar” da mesma, e não “todos”! Rushmore é o nome da escola e parece-me uma analogia com o Monte Rushmore, uma espécie de Eldorado, o topo dos topos, que é o que Max pretende atingir, e por ser um nome universal não carecia de qualquer tradução.
Esta obra é plena de todos os aspectos que vêm falhando no cinema comercial mais recente: humor a sério, uma escrita lapidar, música que torna uma cena inesquecível, e sentimento. “Rushmore” é um dos melhores exemplos do brilhantismo do mundo de Anderson, cujo génio atingiu a excelência cinematográfica, considero, com o filme “Darjeeling Limited”.

“When one man, for whatever reason, has the opportunity to lead an extraordinary life, he has no right to keep it to himself” - Cousteau

domingo, janeiro 04, 2009

Self improvement is masturbation. Now self destruction...


"If you wake up at a different time in a different place, could you wake up as a different person?"
Não, acredito mesmo que é fisicamente impossível. Mas poderemos acordar como pessoas diferentes no dia seguinte a termos visto o Fight Club? Acredito também que não, mas não me admiraria se sim…
Lembro-me de ter visto o filme em 2002, mas não me lembro de este me ter fascinado e sensibilizado como neste natal. Admito que me é algo estranho dizê-lo, mas esta obra de David Fincher é virtualmente incólume. Tudo está bem nela. Tudo encaixa. Tudo é perfeito, um pouco contra a temática do filme…
Já houve quem me dissesse que nunca vira ou verá o filme porque “não gosta de filmes de porrada”, mas ter o Fight Club como um filme de porrada é uma pré-concepção errada, muito errada. È como achar a Lula e a Baleia um filme de animação, ou achar o Diamante de Sangue um bom filme. Cenas de combate, o filme tem apenas meia dúzia, que ao todo tomarão uns 8 minutos à película. Alias, esta errónea pré-concepção trouxe dissabores ao realizador, que, diz-se, ficou furioso quando viu publicidade ao filme ser especialmente feita no intervalo de combates, nos Estados Unidos.
Todo o filme é subversivo, temática e esteticamente falando. Não falo da subversividade de um filme sobre skaters adolescentes que fumam estupefacientes ao som de Korn ou Bob Marley. É algo diferente. No filme, combates de rua, entre amigos e desconhecidos, surgem como a mais eficaz forma de libertação. Libertação do dia-a-dia, da responsabilidade, do mobiliário Sueco, da arte incompreensível, da perfeição…
Das personagens, três há a focar. Tyler Durden, o Messias, o visionário, o sonho. Á sua volta orbitam Marla Singer, psicótica filha dos dias que correm, e principalmente o mirabolante insone Narrador, sem nome aparentemente. Das personagens nada mais direi. Seria como tirar o gás a uma Coca-Cola antes de a oferecer.
Tyler durden aparece-nos como um Messias, trazendo a salvação para uma vasta geração perdida no tempo e na sociedade. “We're the middle children of history. No purpose or place. We have no Great War. No Great Depression. Our Great War's a spiritual war... our Great Depression is our lives. We've all been raised on television to believe that one day we'd all be millionaires, and movie gods, and rock stars. But we won't. And we're slowly learning that fact. And we're very, very pissed off.”
Auto-destruição como modo de regeneração, libertação de toda e qualquer pré-concepção moral como modo de…de…de libertação de toda e qualquer pré-concepção moral, sabão como modo de purificação social, são estes alguns dos princípios defendidos por Tyler, princípios a que muitos rapidamente sucumbem. Mas mais dizer não quero. Seria como oferecer-vos este filme com o DVD riscado e maltratado: uma falsa sensação de satisfação...
Como atrás disse, toda a estética do filme vai contra os habituais critérios. A fotografia é propositadamente granulada, imperfeita, algo de acordo com a temática do filme. Ao longo do filme o espectador é brindado com repentinas e fugazes aparecimentos de elementos estranhos ao cenário, nem sempre agradáveis. A banda sonora, a cargo da dupla Dust Brothers, completa na perfeição a dualidade e irreverência da película.
Por fim, as interpretações. Perfeitas, todas elas perfeitas, com especial destaque para Edward Norton, o Narrador, e Brad Pitt, no papel de Tyler Durden. Este ultimo especialmente, julgo-o no papel da sua vida (até ao momento). A caracterização de Tyler está perfeita. Tyler é tudo que o Narrador quer ser. Tyler é tudo que queremos ser. “All the ways you wish you could be, that's me. I look like you wanna look, I fuck like you wanna fuck, I am smart, capable, and most importantly, I am free in all the ways that you are not.” Brilhante.
Não, não acredito que tenha acordado uma pessoa diferente no dia a seguir a ter visto o Fight Club, mas aprendi muito.
Como fazer sabão por exemplo…

terça-feira, dezembro 30, 2008

o peixe Lynch

O outro David Lynch que a maioria de nós desconhece. E do qual não fiquei com grande vontade de conhecer.

Em Busca do Grande Peixe – Meditação, Consciência e Criatividade

Em Julho de 1973, David Lynch tinha 27 anos, uma carreira artística errática (algures entre a pintura e o cinema), uma bolsa de dez mil dólares do American Film Institute e uma primeira longa-metragem encalhada por falta de meios (Eraserhead, futura obra de culto que só completaria em 1977). Um belo dia, entrou num centro de Meditação Transcendental (MT), em Los Angeles, conheceu uma instrutora «parecida com a Doris Day» e tudo mudou. Sentado numa pequena sala, de olhos fechados, Lynch repetiu certo mantra («um pensamento-vibração-som») e «foi como se estivesse num elevador e tivessem cortado o cabo». Ou seja: «Buum! Caí em beatitude – pura beatitude.» E nunca mais quis outra coisa. Desde aquele dia, há três décadas e meia, que o realizador cumpre, sem falhas, o mesmo esquema: «Medito uma vez de manhã e, de novo, à tarde, durante cerca de vinte minutos de cada vez. Depois, vou à minha vida.» Só que com muito mais energia e capacidade criativa, diz ele.
No fundo, a MT é o método através do qual Lynch «pesca» literalmente as ideias para os seus filmes e este livro pretende ser uma explicação prática desse método. Tudo se resume a uma metáfora ictiológica, repetida vezes sem conta: «As ideias são como peixes. Se quisermos capturar peixes pequenos, podemos ficar pelas águas pouco profundas. Mas, se quisermos capturar os peixes grandes, temos que ir mais fundo.» Mais fundo, entenda-se, no «oceano de consciência pura e vibrante» que existe dentro de cada ser humano. A julgar pelos exemplos descritos, Lynch domina tão bem esta arte da introspecção que para ele se tornou fácil mergulhar até à Fossa das Marianas do seu Ser (com maiúscula) e arrancar de lá as ideias perturbantes que depois vemos, transfiguradas, no grande ecrã.
Apesar do estilo telegráfico, com irritantes tiques de guru oracular, os capítulos em que Lynch fala da aplicação da MT ao seu trabalho artístico, ou da paixão pelo cinema, ou do entusiasmo pelo vídeo digital, ainda escapam. O problema é que o autor de Mulholland Drive tenta ao mesmo tempo evangelizar o leitor, apelando à sua grande causa: a luta «contra a negatividade», em prol da «paz verdadeira na Terra». O discurso, de tão ingénuo, chega a parecer irónico. Mas não é. Atrás do Lynch perverso dos filmes, esconde-se um insuportável avatar new age.
Quando vi Em Busca do Grande Peixe na secção de Espiritualidades de uma livraria, fiquei chocado. Depois de o ler, porém, acho que é precisamente ali o seu lugar.

autor: José Mário Silva

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Paraiso da Nostalgia


É o que me ocorre dizer depois de vêr Cinema Paradiso (1988), de Giuseppe Tornatore. Não me apetece alongar muito. Até porque é difícil quando a sorrateira emoção ameaça constituir avalanche para os sentidos mais lúcidos.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Badfellas


Vi ontem pela primeira vez o aclamado Goodfellas (1990), do Scorsese. A melhor coisa do filme foi confirmar no meu interior a minha aversão por filmes sobre a mob. Porque, ao contrário de muita gente, não consigo tirar prazer e gozo da mob em si, enquanto organização. Algo me diz que matar com cinco balázios nos cornos alguém que até aquele dia era o meu irmão de sangue apenas porque ele estacionou mal o carro e levantou suspeitas, tem o seu quê de estranho. E de desagradável, porventura.
Pior, Goodfellas despertou-me muitos deja vus de padrinhos e outros que tais.
Por outro lado lado, se em padrinhos e outros que tais, o relato histórico contextual ainda nos é destacado, e transmitido de uma forma construtiva e interessante, em Goodfellas esse plano é, a meu ver, bastante subalternizado. Quanto ao enredo principal em volta do puto-inocente-depois-membro-da-família Ray Liotta, este é, na minha humilde opinião, tão pouco original que até dá vontade de juntar uns ingredientes para tornar a coisa mais atractiva.
Enfim, vale pelo elenco: Ray Liotta, De Niro (fica-lhe sempre bem o papel de gangster), Paul Sorvino e Joe Pesci (por esta ordem na fotografia).

ADITAMENTO:Depois de escrever e publicar este texto, dei uma vista de olhos pelo google, curioso por saber de outras opiniões sobre o filme. Desde "um dos melhores filmes dos anos 90" a "inspirador de todos os filmes noir póstumos", todos os honrosos qualificativos contradizem a minha apreciação. Eheh... bem, o que posso dizer? Que detesto mesmo a merda da máfia e os filmes sobre ela!

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Baraka, por André Silva

O blog do Cineclube volta a contar com críticas de filmes feitas por leitores e cinéfilos. Espero que seja a primeira de muitas.



“Baraka” é um incrivél tele-documentário experimental realizado pelo director norte-americano Ron Fricke. Na língua Sufi, a palavra “Baraka” significa Sopro de vida ou Bênção. Um autêntico poema visual onde as imagens incluem um vasto registo de rituais religiosos, maravilhas naturais, processos de mecanização e produção humana e diversos estilos de vida. O contraste e as metáforas visuais criadas por Ron Fricke provocam reflexão, tranquilidade e inquietação aos espectadores atentos. As músicas aliciantes e os efeitos sonoros contribuem para que Baraka seja uma experiência única e marcante. Baraka é um documentário sobre o homem e a natureza, a sua beleza e diversidade cultural, o contraste humano, as suas semelhanças e a sua própria destruição, enquanto ser incapaz de entender o frenético ritmo social a que a vida se desenrola. È facilmente apreendida a intima e frágil ligação entre todos os homens, resultado da multiplicidade de diferenças religiosas, culturas e linguísticas.
São noventa e seis minutos, sem narração, legenda ou discurso, somente imagens e sons cuidadosamente capturados. Baraka exibe-nos de que forma a raça humana e seus diferentes ciclos de vida estão eternamente vinculados ao ritmo da natureza, fazendo uma surpreendente análise do mundo e de quem nele habita.
Filmado em 152 lugares diferentes, localizados em 24 países, Argentina, Austrália, Brasil, Cambodja, China, Equador, Egipto, França, Hong-Kong, Índia, Indonésia, Irão, Israel, Itália, Japão, Kenya, Kuwait, Nepal, Polónia, Arábia Saudita, Tanzânia, Tailândia, Turquia, e Estados Unidos da América, “Baraka” não tem qualquer história ou enredo. Em vez disso utiliza, não só temas para nos apresentar novas perspectivas, mas também genuínas emoções que nos fazem entrar na mensagem do filme. Não aconselho a visualização deste filme a pessoas confiantes no seu ego, seguras pelo seu egoísmo étnico centralizado, nem com configurações pré-definidas de vida humana ou comportamentos sociais, já que nos é proporcionada uma verdadeira experiência sensitiva e espiritual que leva o telespectador a olhar o mundo de um modo totalmente diferente e de uma forma mais condescendente para com os outros. Baraka permitiu-me ver realidades que nem sonhava existirem, comportamentos sociais que por vezes surgem-nos como irreais, vislumbrar padrões de conectividade cultural, tudo isto num sentido de equilíbrio e proporção de relações internacionais humanas. O meu olhar fugia simplesmente de encontro a outros olhares e caras de pessoas, levando-me a entender a universalidade do espírito humano.
Guardo a triste lembrança de uma enorme lixeira pública na Índia, onde grupos de pessoas procuram incessantemente por qualquer tipo de coisa que lhes permita sobreviver mais um dia, competindo com outros animais. Mulheres e crianças descalças procuram pequenos “tesouros” naquele horrível lugar, onde nenhum ser humano deveria ser obrigado a viver.
Fricke afirma que o objectivo desta obra era ser "uma viagem de redescoberta da própria vida, mergulhando na natureza, na história, no espírito humano e por fim no reino do infinito." Único na sua beleza, sensibilidade e percepção, “Baraka” consegue, ao longo de noventa e seis minutos, e movendo-se na realidade quotidiana de um mundo multifacetado, transmitir-nos uma ideia de tolerância e respeito cultural a que todos deveríamos estar sujeitos.
Mais que uma obra puramente fantasiosa e imaginária, “Baraka” é um filme sobre a vida, um registo sobre a própria Humanidade.

autor: André Silva

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Sugestões para um Natal mais quentinho...



Começo com 'Le Grand Bleu - The Big Blue', de Luc Besson.
Neste fabuloso filme (e é mesmo, não estou com falta de adjectivos), acompanhamos infância e vida adulta de Jacques Mayol e Enzo Molinari (na foto), dois mergulhadores de alta competição, que têm com o mar uma relação mais complexa que a profissional.
Fotografia e interpretações brilhantes.


Segue-se 'Payback', de Brian Helgeland, que para muitos pode parecer apenas mais um filme de acção com o actor/realizador/pastor, Mel Gibson. Mas não o é. Mais do que um banal filme de acção, 'Payback' conta com um cativante e bem conseguido enredo, capaz de nos prender ao ecran. Conta também com mais uma excelente interpretação de Mel Gibson, sempre igual a si mesmo.


Termino com um filme mais recente, 'In Bruges', de Martin McDonagh, com Colin Farrell e Ralph Fiennes.
Todo passado em Bruges, o filme conta-nos a história de um grupo de assassinos bem peculiares. Repleto de humor e situações pouco provaveis, é um excelente filme ao género de 'Snatch'.
É fantástico.

terça-feira, dezembro 09, 2008

O cowboy (Joe) da meia-noite.

Filme disponível na Biblioteca da FDUP

Quando o simples visionamento de um filme nos perturba, deixa ensimesmados, deprimidos e, até, de certa maneira, tristes, já temos mais do que o necessário para poder dizer que a obra nos marcou. Não será isso, para além daquela imediata finalidade de “passar um bom bocado”, que procuramos no cinema?

“Midnight Cowboy”. Ou, para quem preferir o título da versão portuguesa, “O cowboy da meia-noite”. O filme marca porque nos abre um vasto leque de perguntas. Se às mesmas sabemos ou não responder é outro problema. O autor destas linhas, que é o Tiago Ramalho, plasma em escrito que não sabe. E por isso está perturbado, ensimesmado, deprimido e, até, de certa maneira, suponho que mesmo o mais despistado dos leitores adivinha a palavra que se seguirá, triste.

Irei relembrar a história para aqueles que a já não recordam. Aos que ainda não viram o filme, salvo se tiverem uma firme aversão à surpresa, recomendo que primeiro o vejam e depois leiam.

Vejamos então, sucintamente: um jovem, de nome Joe, larga o seu pequeno mundo no Texas, onde era lavador de pratos, e parte para Nova Iorque. Projecto: acreditando na sua anacrónica imagem de cowboy, tem em mente viver como prostituto de senhoras que possam pagar os seus serviços, e tudo correrá pelo melhor. Já Ratso é um ladrão de vão de escada. Apesar de estatisticamente poder não ser um sem abrigo, é um pobre coitado que vive num prédio devoluto. Ambos, não obstante alguns pequenos problemas iniciais, acabam por ser o sustentáculo um do outro, vivendo Joe na casa de Ratso. Naturalmente que Joe não foi bem sucedido no seu ofício, pois de outra forma não viveria em tão precárias condições. De facto, em vez de grandes senhoras, aquele que, segundo palavras próprias, não é um verdadeiro cowboy, mas um bom garanhão, acaba por ou não trabalhar ou fazer apenas serviços homossexuais, o que abala o seu sentido estético e, porque não dizê-lo, a masculinidade que faz questão em ostentar. Creio que com isto um quadro geral fica traçado.

O em todo este filme mais parece perturbar é a turbulência das relações humanas: parece ser inegável a forte relação de amor entre Joe e Ratso, esses dois homens sós perdidos na grande metrópole. Mas que amor é esse? Que estranha relação cultivam os dois sujeitos? É curioso como Ratso, ao ver Joe chegar a casa com dinheiro, depois da primeira (que vem a ser única) noite de serviços sexuais remunerados o ataca com violência. Qual a causa dessa hostilidade que leva um homem a violentar o outro – o único – que se preocupa consigo? São dois homens perdidos, duas torres em queda que se apoiam uma na outra num muito frágil equilíbrio. E é uma relação tão forte que leva Joe a cometer um crime (ele que, aparentemente, tanta aversão a tal tinha) para poder levar Ratso à Florida, essa terra com que tanto sonhava, em que nunca chega a pôr os pés mas apenas a depositar o olhar (e a vestir uma camisa com uma palmeira). Pergunto-me então, de novo, sobre que força tão grande é essa que leva aqueles homens a suportarem-se um ao outro. Talvez uma qualquer que transcenda os nossos quadros de compreensão, que só pode ser sentida por homens assim tão sós, tão carentes de uma palavra singela, de um sorriso, ainda que amargurado, ou, tão-somente, de uma sombra pela casa que os lembre que não estão sós no mundo.

Também não consigo deixar de me perguntar sobre qual o valor do sonho: valerá a pena persegui-lo? Aquele rapaz ingénuo, firme na sua inocência, que parte para um espaço que não conhece acreditando no seu visual à John Wayne, que acredita nessa sua ilusão até ao momento em que, abandonando nova Iorque, depara consigo mesmo e, tão somente, não gosta. Basta comparar uma das cenas iniciais em que, ainda na pequena vilória do Texas, garbosamente se arranja para sair de casa, com aquele em que, na viagem para a Florida e depois de comprar um novo vestuário, deita todos os seus velhos pertences ao lixo. Talvez aí morra o Cowboy da Meia Noite do Texas e nasça um novo Joe de Nova Iorque. Há um desconsolo enorme em ver a figura de Joe destruir-se ao longo de todo o filme e, nesse momento em que “volta a si”, vê-lo a ver morrer o seu camarada de vida.

As interpretações dos dois principais actores são notáveis: John Voight tem um ar incrivelmente inocente ao longo de todo o filme; Dustin Hoffman parece um verdadeiro rufia. Comparar esta sua interpretação com a que realiza em “The Graduate” revela toda a sua qualidade. Será mesmo o mesmo, passe a redundância?

Comecei por dizer que este filme abre bastantes perguntas. Abre perguntas e com ela nasce alguma dor. Mas tudo isso dentro da grande felicidade de ver uma grande obra e de efectuarmos uma viagem a uma outra realidade pela câmara de um realizador.

Não classifico filmes com estrelas mas com palavras. Sobre este digo que é perturbante, às vezes doloroso, e que tem brilhantes interpretações. Ah…e recomendo a qualquer um.
*post rectificado perante a correcção da Maria João. Sobre o nome "Ratso" recomenda-se o dito comentário, da mesma menina, senhora, mulher.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Amanhã há filme


Amanhã há filme.
Rushmore (1998), de Wes Anderson; às 18:15h na sala 1.01 da FDUP.
Entrada gratuita.
Aparece.

quarta-feira, novembro 26, 2008

Última sessão do semestre - Rushmore


Terça, dia 2 de Dezembro, às 18:15h na sala 1.01.
Aparece.

terça-feira, novembro 18, 2008

Hoje há filme!



How green was my valley (1941), de John Ford, às 18h, na sala 1.01.
Aparece e traz um amigo!

sábado, novembro 08, 2008

British Culture Week

Chegou às minhas mãos, por intermédio do meu professor de Inglês Jurídico, um interessante ciclo de cinema inglês, promovido no âmbito da British Culture Week, iniciativa levada a cabo pelo Oporto British Council. Paralelamente, haverá lugar para duas tertúlias sobre o cinema inglês. O local é a FLUP.
Aqui fica:

Monday 10th
15h30 Anfiteatro Nobre
Official Opening Session:
Tony Barker (Univ. Aveiro)
"You´re Nicked!” A Taxonomy of Classic British Crime Films.

Tuesday 11th
13h45 Anfiteatro Nobre
Film:
Bend It Like Beckham (Gurinder Chadha)
Introduced by Nic Hurst (meu Professor)

Wednesday 12th
10h45 Anfiteatro Nobre
Sara Graça da Silva (CETAPS – PhD Univ. Keele)
And now for Something Completely Different: British Comedy and the Representation of Britishness.

15h45 Anfiteatro Nobre
Film:
My Left Foot (Jim Sheridan)
Introduced by Roger Luke

Thursday 13th
15h45 Anfiteatro Nobre
Film:
Kes (Ken Loach)
Introduced by Jonathan Banatvala

Friday 14th
13h45 Anfiteatro Nobre
Film:
The Life of Brian (Terry Jones)
Introduced by David Christopher