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quarta-feira, janeiro 26, 2011

tall dark stranger


"O cinema de Woody Allen, é sabido, tornou-se num piloto automático: cumprir uma ordem de trabalho esquemática que se traduz, muitas vezes, numa reprodução de um guião da sua autoria sem grande direcção de actores ou marcação de preferências estilísticas, ou ainda, se quisermos, uma mera presença do universo de um autor sem ser pelos restos das vias tradicionais das "punchlines" ou das suas angústias diárias — a ideia que a vida, para Allen, simplesmente não faz muito sentido. Infelizmente, é esse mesmo distanciamento de Allen do seu clima de rodagem e da sua direcção que faz com que os filmes traduzam apenas isso: filmes que não fazem, também eles, muito sentido.
(...) é de novo pelo despropósito do argumento que o filme acaba por cair na inutilidade. Allen já não parece construir o seu filme para nos oferecer uma moral (como no excelente, e último grande filme dele, Match Point), mas apenas entregar-nos o esquema de uma moral que servirá, já por si, de justificação para um filme (que as ilusões das vidas dos outros não serão melhores que as nossas desprovidas de rumo). You Will Meet a Tall Dark Stranger começa com uma boa captação do seu ambiente e das suas "famílias", no entanto, é quando Allen decide mexer nas peças para provar o seu ponto que tudo desaba, sem caminho, sem rigor e sem conclusão, ficando-se inclusivamente com a impressão que a segunda parte do filme ficou por escrever".




sexta-feira, março 05, 2010

"See? I'm the only one that sees the whole picture. That's what they mean by genius".


Whatever works foi dos filmes que mais gozo me deu ver nos últimos tempos e também um dos melhores Woody Allen em tempos mais recentes (não olvidando o fabuloso Match Point (2005) e, eventualmente, o Cassandra's Dream (2007), que não vi). É um Woody Allen que toca no mesmo humor neurótico dos inevitáveis Annie Hall (1977), Midsummer Night's Sex Comedy (1982) ou Manhattan (1979), mas muito mais arejado; a neurose é a mesma, mas a perspectiva é agora outra, bem mais descontraída e optimista.

Inacreditavelmente, o youtube não tem (ou eu não encontrei) aquela que para mim é a melhor cena do filme: quando Boris (Larry David) desce as escadas exclamando "Vou morrer, vou morrer, eu vou morrer!", e a mulher, preocupada, lhe pergunta "queres que chame uma ambulância?". Ele abana muito a careca dizendo "não, não, não é isso, não estás a perceber, eu um dia vou morrer!".
A esta se segue imediatamente outra cena sublime, quando Boris e a mulher iniciam um diálogo cuja conclusão, feita por Boris, é qualquer coisa como "apaixonámo-nos de uma forma perfeitamente racional: gostávamos da mesma literatura, da mesma música, da mesma arte; fez tanto sentido, foi tão racional, que deu nisto".

(Perdoem-me a muito provável adulteração grosseira dos diálogos, mas a culpa é mesmo do youtube. E transcrito perde metade da piada, bem sei).

sábado, outubro 31, 2009