quarta-feira, agosto 28, 2013

Para que não vos falte nada!




RENTRÉE NO TEATRO DO CAMPO ALEGRE.
A nova temporada cinematográfica do Teatro do Campo Alegre, com programação da Medeia Filmes, arranca na próxima segunda-feira, 2 de Setembro, também com uma novidade nos horários: para além das sessões diárias às 18h30 e 22h, a partir de agora, aos sábados e domingos, haverá mais uma sessão, às 15h30.

Porque ainda é Verão, abrimos com a comédia A RAPARIGA DE 14
 DE JULHO, de Antonin Peretjatko (Cannes 2013), “uma corrida, delirante e caótica, pelo espírito e pelas memórias da nouvelle vague” (Luís Miguel Oliveira, Público).

A 5 de Setembro, um dos acontecimentos desta rentrée: no ano em que se celebra o 110º aniversário de um dos grandes mestres da história do cinema, o japonês Yasujiro Ozu, a Medeia Filmes estreia, em exclusivo, em versões digitais restauradas, duas obras-primas do cineasta, nunca estreadas comercialmente em Portugal: VIAGEM A TÓQUIO e O GOSTO DO SAKÉ. Disse Wim Wenders sobre este “tesouro sagrado”: “O cinema nunca esteve, nem antes, nem depois, tão próximo da sua essência e do seu propósito.”

Nos próximos meses veremos ainda vários filmes que foram seleccionados e premiados nos maiores festivais de cinema do mundo. Teremos os novos filmes do mestre italiano Bernardo Bertolucci, EU E TU (Cannes e Lisbon & Estoril Film Festival); do alemão Thomas Arslan, OURO (Festival de Berlim); do russo Sergei Loznitsa, NO NEVOEIRO (Cannes, Prémio FIPRESCI); do iraniano Massoud Bakhshi, UMA FAMÍLIA RESPEITÁVEL (Festival de Cannes); a Palma de Ouro do último Festival de Cannes, LA VIE D’ADÉLE, CHAPITRES 1 ET 2, de Abdellatif Kechiche; ou THE GRANDMASTER, de Wong Kar Wai Festival de Berlim), entre outros.

As já 'clássicas' “Terças-feiras Clássicas do Teatro do Campo Alegre” regressam no dia 3 de Setembro, com o ciclo “Algumas Divas ‘Muito Cá de Casa’” (obrigado João Bénard da Costa), que revisita grandes actrizes e grandes filmes, em cópias de 35mm, do catálogo da Leopardo Filmes.
Estrelas únicas, mágicas, fatais, a preto e branco e a cores, atraíram gerações atrás de gerações às salas de cinema. Da época de ouro de Hollywood, Marlene Dietrich (“Her voice alone can break your heart”, dela dizia Hemingway), Katharine Hepburn, Cyd Charisse, Janet Leigh, Maureen O’Hara, às divas do cinema europeu dos anos 50 e 60, Alida Valli, Moreau, Bardot, Anna Karina, Catherine Deneuve. Em simultâneo, pode ser vista, no hall do cine-estúdio do Teatro do Campo Alegre, uma exposição de fotografias destas e outras divas do cinema, numa co-produção do Museu do Cinema de Melgaço - Jean-Loup Passek e do Institut Français du Portugal, com a colaboração da Medeia Filmes.

Até ao final do ano exibiremos ainda um extenso ciclo de cinema de uma das figuras centrais do cinema moderno, o realizador sueco Ingmar Bergman.

Estreias
A RAPARIGA DE 14 DE JULHO, de Antonin Peretjatko (2 a 4 de Setembro. Sessões às 18h30 e 22h – excepto terça, 3 de Setembro, só às 18h30))
VIAGEM A TÓQUIO, Yazujiro Ozu (5 de Setembro)
O GOSTO DO SAKÉ, Yazujiro Ozu (6 de Setembro)
(os filmes serão exibidos em dias alternados; todos os dias às 18h30 e 22h – excepto terças, só às 18h30; aos sábados e domingos também às 15h30)
EU E TU, Bernardo Bertolucci (26 de Setembro)
OURO, Thomas Arslan ( 3 Outubro)
NO NEVOEIRO, Sergei Loznitsa
UMA FAMÍLIA RESPEITÁVEL, Massoud Bakhshi
LA VIE D’ADÉLE, CHAPITRES 1 ET 2, Abdellatif Kechiche (21 de Novembro)
THE GRANDMASTER, Wong Kar Wai (12 de Dezembro)
e outros a anunciar oportunamente.


Terças-feiras Clássicas do Teatro do Campo Alegre
Ciclo ALGUMAS DIVAS “MUITO CÁ DE CASA”

MARLENE DIETRICH
3 Setembro, 22h
FATALIDADE, de Joseph Von Sterberg (1931)
Dishonored
10 Setembro, 22h
O DIABO É UMA MULHER, de Joseph Von Sterberg (1935)
The Devil Is a Woman
17 Setembro, 22h
ANJO, de Ernst Lubitsch (1935)
Angel

KATHARINE HEPBURN
24 Setembro, 22h
CASAMENTO ESCANDALOSO, de George Cukor (1940)
The Philadelphia Story

CYD CHARISSE
1 Outubro, 22h
SERENATA À CHUVA, de Stanley Donen e Gene Kelly (1952)
Singin’ in the Rain

MAUREEN O’HARA
8 Outubro, 22h
A ÁGUIA VOA AO SOL, de John Ford, 1957
The Wings of Eagles

JANET LEIGH
15 Outubro, 22h
A SEDE DO MAL, de Orson Welles (1958)
Touch of Evil

ALIDA VALLI
22 Outubro, 22h
SENTIMENTO, de Luchino Visconti (1954)
Senso

JEANNE MOREAU
29 Outubro, 22h
JULES E JIM, de François Truffaut (1962)
Jules et Jim

BRIGITTE BARDOT
5 Novembro, 22h
O DESPREZO, de Jean-Luc Godard (1963)
Le Mépris

ANNA KARINA
12 Novembro, 22h
PEDRO, O LOUCO, de Jean-Luc Godard (1965)
Pierrot le Fou

CATHERINE DENEUVE
19 Novembro, 22h
BELA DE DIA, de Luis Buñuel (1967)
Belle de Jour


Ciclo INGMAR BERGMAN

A PRISÃO / FÄNGELSE (1949), inédito comercialmente em Portugal
UM VERÃO DE AMOR / SOMMARLEK (1951)
MÓNICA E O DESEJO / SOMMAREN MED MONIKA (1953)
UMA LIÇÃO DE AMOR / EN LEKTION I KÄRLEK (1954)
SORRISOS DE UMA NOITE DE VERÃO / SOMMARNATTENS LEENDE (1955)
O SÉTIMO SELO / DET STUNDE INSEGLET (1957)
MORANGOS SILVESTRES / SMULTRONSSTÄLLET (1957)
O OLHO DO DIABO / DJÄVULENS ÖGA (1960)
EM BUSCA DA VERDADE / SÄSOM I EN SPEGEL (1961)
O SILÊNCIO / TYSTNADEN (1963)
A MÁSCARA / PERSONA (1966)
RITUAL / RITEN (1969)
LÁGRIMAS E SUSPIROS / VISKNINGEN OCH ROP (1973)
CENAS DA VIDA CONJUGAL / SCENER UR ETT ÄKTENSKAP (1973)
SONATA DE OUTONO / HÖSTSONATEN / HERBSTSONAT (1978)
DA VIDA DAS MARIONETAS / AUS DEM LEBEN DER MARIONETTTEN (1980)
FANNY E ALEXANDRE / FANNY OCH ALEXANDER (1983)



Como podem ler aqui

quarta-feira, julho 31, 2013

Agosto: Cinema no Museu


O mês de Agosto é passado, às quintas-feiras, no Museu Nacional Soares dos Reis. A partir das 22h o cinema é para ali levado, com entrada gratuita, pelo Cineclube do Porto , com o apoio da Casa da Animação.


Todas as 5ª feira do Mês de Agosto pelas 22h00, o Cineclube do Porto levará ao Museu Nacional Soares dos Reis um ciclo documental, que contará com a exibição dos seguintes filmes:


||||| 1 DE AGOSTO |||||

PEDRO CALAPEZ – TRABALHOS DO OLHAR de Luís Miguel Correia
Portugal | 2009 | Doc. | Cor |48’



||||| 8 DE AGOSTO |||||

ANTÓNIO SENA – A MÃO ESQUIVA de Jorge Silva Melo
Portugal | 2009 | Doc. | Cor | 59’



||||| 15 DE AGOSTO |||||

6=0 HOMEOSTÉTICA de Bruno de Almeida
Portugal | 2009 | Doc. | Cor | 50’



||||| 22 DE AGOSTO |||||

BANKSY – PINTA A PAREDE! de Banksy
Reino Unido | 2010 | Doc. | Cor | 87’



||||| 29 DE AGOSTO |||||

A ARCA RUSSA de Aleksandr Sokurov
Rússia | 2002 | Doc. | Cor | 96'



Para mais informações basta ver aqui ou, ainda, aqui

terça-feira, julho 23, 2013

Hoje no Breyner 85

As Curtas Ao Ar Livre regressam ao Breyner 85. Cortesia do Cineclube do Porto. 

Terça-feira | 23 JUL 2013
De regresso às sessões semanais de curtas-metragens, ao ar livre, no jardim espaço Breyner 85, o Cineclube do Porto apresenta, a partir das 22h00:


"Banda Desenhada" de Pedro Santasmarinas

"Dente de Leão" de Tiago Ribeiro

"Auguste" de Amadeu Pena da Silva & Pedro Santasmarinas

"Torres" de André Guiomar 


quinta-feira, julho 18, 2013

Je ne vais pas à la maison


O Espírito da Colmeia (1973), Victor Erice.

Ao contrário do filme do Manoel de Oliveira, "não vou para casa". Se a Faculdade de Direito, no sentido mais nobre - o grego - de academia, foi e continua a ser uma casa para mim, tal se deve, numa parte muito generosa, ao Cineclube, ao qual me juntei em 2008, um ano, mais coisa menos coisa, depois da sua fundação. O primeiro filme que vi foi o Rumble Fish, que, juntamente com o Buñuel, o Chabrol, o Aranoa e o Bogdanovich (sem contar com o Antonioni, mas esse já era então um caso à parte), são os que recordo com mais gosto. Pelo meio, aprendi. Muito. Sobre Cinema, mas não só.

Mais do que tudo, aprendi que o Cinema será sempre, irredutivelmente, um amor pessoal; por essa razão é que eu e aqueles que dirigiram e dirigem este Cineclube (o mais antigo e, perdoem-me a imodéstia, o melhor, a léguas de distância, de qualquer outro no panorama universitário do Porto) nunca viram numa sessão menos concorrida - e foram várias, não tenho receio em dizê-lo - um "fracasso": at the end of the day, estamos ali nós, directores, pacificados e com os sinais alerta, a absorver tudo do ecrã (da tela, na verdade!). No final, ainda às escuras, ficamos mais um pouco a ver os créditos ao som da música (ou no silêncio, até). Depois, lentamente, acendemos as luzes, desligamos o filme, alguém o guarda (já a pensar em disponibilizá-lo na DVDteca da Biblioteca!), vamos saindo às pingas e deixamos as almofadas nos seguranças. Cá fora, trocamos impressões. Só depois, então, é que vamos para casa.
Como haverá sempre o Cineclube FDUP, como haverá sempre uma sessão (the last picture show é coisa que fica do lado de lá da tela), poderei sempre ir ver um filme. Quando acabar o filme, "vou para casa" apenas na exacta medida em que sei que poderei, novamente, voltar à sala 1.28 (não!, à sala 1.01, maldita chiadeira que fazem aquelas cadeiras...) e sentar-me no escuro e no silêncio, refugiando-me, por momentos, da vida lá de fora. Refugiando-me na vida dos outros, sempre mais bela (ou dramaticamente mais bela) nos filmes.

A todos aqueles que continuam com este projecto (inexoravelmente in progress), os meus sinceros votos de muito sucesso. A todos aqueles que o criaram, o fizeram gatinhar e, depois, andar como gente grande, o meu obrigado. A"solo", estarei por aqui e, concretamente sobre cinema, ali.

Francisco Noronha

Ciclo Herzog-Kinski, agora no Porto

Para quem, como eu, ainda não se cansou do Herzog (ou do Kinski!).



Ciclo Herzog-Kinski Queridos Inimigos em exibição na Confereração (Porto).
Uma programação conjunta do Cineclube de Joane, Cineclube Aurélio Paz dos Reis e da Confederação, com o apoio do Goethe Institut.

quarta-feira, julho 17, 2013

Peter Bogdanovich no Cinema Passos Manuel


Dia 18 de Julho, pelas 22h00, o Cineclube do Porto apresenta no Cinema Passos Manuel The Last Picture Show (1971), de Peter Bogdanovich. Um filme que vi (e que não me importaria de rever) no nosso Cineclube FDUP. Para os interessados, ficam aqui todas as informações proporcionadas pelo Cineclube do Porto.  



THE LAST PICTURE SHOW - A ÚLTIMA SESSÃO
de
PETER BOGDANOVICH

EUA | 1971 | P & B | 121'

SINOPSE 
1951: a vida de um grupo de adolescentes numa pequena cidade do Texas. A passagem para a idade adulta, as primeiras desilusões e o fim de uma época, representado pelo encerramento da única sala de cinema da localidade e pelo embarque de alguns para a guerra na Coreia. 

Nostalgia do passado, requiem pelo cinema clássico americano e alegoria dos dramas presentes em 1971, com a Coreia sugerindo o Vietname, num filme melancólico e magnífico.


Realização: Peter Bogdanovich
Argumento: Peter Bogdanovich e Larry McMurtry, baseado no romance “The Last Picture Show” de Larry McMurtry
Fotografia: Robert Surtees
Montagem:  Donn Cambern 
Interpretação: Timothy Bottoms, Jeff Bridges, Cybill Shepherd, Ellen Burstyn, Ben Johnson, Cloris Leachman, Randy Quaid, Eileen Brennan, Sam Bottoms
Produção: Stephen J. Friedman, Bert Schneider, Harold Schneider
Prémios: Oito nomeações para os Óscares, em 1972, vencendo Ben Johnson e Cloris Leachman como Melhor Ator e Atriz Secundários.

Preços
Público em geral: €3,50
Estudantes: €2,50
Sócios - €0,50



domingo, julho 07, 2013

Curtas à Beira-Mar

Começou ontem, dia 6 de Julho, o 21º Festival Internacional de Cinema Curtas Vila do Conde e assim continuará até 14 de Julho. Para todas as informações, aqui fica o site.  
 

Entretanto, hoje, pelas 21h, estreia no Teatro Municipal A MÃE e O MAR, um filme de Gonçalo Tocha (realizador conhecido pelo seu documentário sobre a ilha do Corvo, É na Terra não é na Lua, e entrevistado pelo Jornal Tribuna, Jornal da Faculdade de Direito da UP, na sua 32ª edição, no espaço "Em Amena Cavaqueira"). Aproveitem!


domingo, junho 23, 2013

Fanny Fanny (ii)

 

A Mulher do Lado (1981), de François Truffaut.

segunda-feira, junho 17, 2013

Há cinema no Passos Manuel!


Embora venha para aqui um pouco atrasado, ainda vão a tempo de algumas sessões. Aproveitem.
Para mais informações basta espreitar no tumblr da milímetro.

remissão

A propósito do filme Martha (1973), de R. W. Fassbinder, fica link para um artigo meu no À pala de Walsh.

domingo, maio 12, 2013

Esta 5ª f.: O LAMENTO DA VEREDA, de Satyajit Ray

 

Design do cartaz: Teresa Chow


Dia 16 de Maio, pelas 18:15h, na FDUP (sala 0.01 - piso do bar), o Cineclube FDUP encerra a sua programação regular do semestre com o filme O Lamento da Vereda (1956), de Satyajit Ray. Contamos com a vossa presença. Até lá e Bons Filmes!


A fechar a sua programação regular, o Cineclube apresenta um cineasta absolutamente ímpar e nunca antes mostrado no panorama cineclubístico universitário do cidade do Porto: Satyajit Ray traz o cinema indiano de autor pela mão do primeiro tomo da sua famosa Triologia de Apu: O Lamento da Vereda (1956), filme icónico do indiano que funde a estética do realismo (tributário de De Sica e outros) com temas intemporais, como o papel da Arte, a mudança e a passagem do tempo, assim como o confronto entre os valores tradicionais e os modernos e a sua percepção pelo indivíduo.

sexta-feira, maio 03, 2013

Um filme de momentos

 

http://melancoliacontemporanea.blogspot.pt/2013/05/um-filme-de-momentos.HTML

Tal como, no final da sessão, o meu colega de Cineclube, o António, afirmou: The Goddess of 1967, de Clara Law, é um filme de momentos. Concordo. E este (aquele ali no vídeo) será muito provavelmente o mais belo de todos esses momentos. Este, a par daquela cena em que ambos fazem amor, mas essas são outras narrativas.

terça-feira, abril 30, 2013

CINEdrio: O futuro da Cinemateca: que direcção?

melancolia contemporânea: CINEdrio: O futuro da Cinemateca: que direcção?

Ouvir numa das sessões do indie na cinemateca dizer-se, no final de uma apresentação elogiosa à secção director's cut, "e esperamos assim estar cá para o ano (silêncio) haja indielisboa (silêncio) e haja ainda cinemateca". Depois leio isto e arrepio-me dos pés à cabeça.

segunda-feira, abril 29, 2013

Esta 5ª f.: "THE GODDESS OF 1967"


Design: Teresa Chow

Com aquele que é, provavelmente, um dos mais belos cartazes que por aqui já passou (cortesia da nossa designer Teresa Chow), o Cineclube FDUP exibe, esta quinta-feira, 2 de Maio, The Goddess of 1967 (2000), de Clara Law.

Às 18h15, na sala 0.01 (piso do bar). Todos convidados! Até lá!

The Goddess of 1967 (2000) é o filme que nos traz Clara Law, nome-charneira da chamada "Segunda Vaga" do cinema de Hong-Kong (anos 80), a mesma em que se integra, por exemplo, Wong Kar-wai, um realizador que o Cineclube já teve oportunidade de exibir. Cineasta focada no tema da diáspora chinesa e dos resultados que essa interculturalidade origina (o amor, a solidão, o choque), é mais uma ambiciosa aposta do Cineclube na divulgação do cinema asiático menos conhecido entre nós.






segunda-feira, abril 22, 2013

Herzog e agora em Vila Nova de Famalicão

 
Para aqueles que recentemente perderam o ciclo do realizador alemão Werner Herzog no cinema Passos Manuel organizado pela Milímetro; para aqueles que não perderam, mas querem ver muito mais; para aqueles que simplesmente gostariam de dar uma espreitadela à Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão; para todos esses ficam aqui as informações sobre o ciclo em torno deste mesmo (e grande!) realizador e da sua relação com Klaus Kinski, ciclo este organizado pelo Cineclube de Joane (que já há algum tempo andava a merecer uma mençãozinha neste blog!).
 



HERZOG – Kinski: QUERIDOS INIMIGOS [entrada livre]
 
No primeiro semestre de 2012, em colaboração com o Goethe Institut, montamos um ciclo dedicado à obra de Werner Herzog, com catorzes filmes que enunciavam o cineasta germânico como um criador de um catálogo da civilização humana e onde deixamos deliberadamente de fora os filmes que Herzog construiu em parceria com Klaus Kinski. Estas cinco obras de ficção instalam-se através de narrativas desenroladas em ambientes não contaminados e originários, num vai e vem entre o interior de mentes irracionais e os locais inóspitos e desregrados onde as lendas se cultivam, propícios ao isolamento e à alienação, com o propósito de intentar feitos ousados e constituir visões ilimitadas, que erram no tempo, para lá do fim do mundo, até ao princípio do mundo. Os filmes apresentam uma linguagem que os aproxima, pela ferocidade, de um documentário de uma rodagem problemática, alimentada pela relação intensa (disputada e arriscada) entre Herzog e Kinski, transformada em processo criativo, que o cineasta explanou através do documentário O Meu Querido Inimigo (1999).
 
Ciclo montado em parceria com o Goethe Institut, a Confederação (Miragaia) e o Cineclube Aurélio Paz dos Reis
 
Cineclube de Joane, Maio de 2013
 
Programação
 
Aguirre, o Aventureiro (1972) – 2 de Maio (5.ª feira)
Woyzeck, Soldado Atraiçoado (1979) – 8 de Maio (4.ª feira)
O Meu Melhor Inimigo (1999) – 10 de Maio (6.ª feira)
Cobra Verde (1987) – 15 de Maio (4.ª feira)
Nosferatu, o Fantasma da Noite (1979) – 16 de Maio (5.ª feira)
Fitzcarraldo (1982) – 17 de Maio (6.ª feira)
 
A todos Bons Filmes!

sábado, abril 20, 2013

MAMMA ROMA E PIER PAOLO PASOLINI

Aqui fica a crítica distribuída na sessão do Mamma Roma, de Pier Paolo Pasolini, no passado dia 11 de Abril.

Texto por: Rita Carvalho
MAMMA ROMA e PIER PAOLO PASOLINI[1]

“Ajudem-me! Doem-me os braços! Porque me puseram aqui? ” Será esta a pergunta-chave de Ettore numa das últimas, mas também mais inquietante, cenas do filme Mamma Roma. Aqui, Ettore encontra-se deitado em roupa interior, preso a uma mesa que contém um buraco no centro, bem no sítio onde permite que a urina verta assertivamente para um balde colocado rigorosa e astuciosamente em sítio concertado. A transpirar enquanto treme de frio, e depois de toda a incompreensão e tentativa de libertação (ele bem tentou!), pede que parem, que o ajudem, promete portar-se bem e termina em acto de desejo: quer apenas que o levem de volta para onde vivia, para o sítio onde era pequeno. Mas que sítio seria este? Não seriam certamente os arredores da grande Roma (o borgate) onde agora se encontrava, não; seria porventura o campo, que o mesmo é dizer a simplicidade, julgamos nós. E julgámo-lo não apenas pelos elementos que o filme nos oferece, mas (e fundamentalmente) pelo que sabemos da vida do realizador. Pier Paolo Pasolini seria seduzido pela ruralidade e respectivos camponeses, costumes e dialectos (e veja-se aqui como um mero exemplo a sua poesia escrita em friulano, cuja tentação para em tal dialecto escrever viria pelo próprio a ser descrita como “uma espécie de paixão mística, de felibrígio”, que o levaram a apoderar-se dessa “velha língua”). Porém, avança nessa descrição, “com muita ingenuidade decidi ser incompreensível e, para tal, escolhi o dialecto friulano. Era para mim o cúmulo do hermetismo, da obscuridade, da recusa da comunicação. Ora aconteceu uma coisa que não esperava. O uso deste dialecto proporcionou-me o gosto da vida e do realismo. Através do friulano aprendi que as pessoas simples, por meio da sua linguagem, acabam por existir objectivamente, com todo o mistério do seu carácter camponês”. Aí quererá Ettore regressar, ao início, a tal existência objectiva (se é que ela terá de facto existido!), ainda que entre porcos e galinhas que se passeiam no chão de terra batida, entre a mesa e os convidados de um casamento, início este que se perde num quotidiano vagueado e sem rumo e do qual nunca mais ouviremos falar senão no fim.

Ler tal anseio de Ettore, filho adolescente de Mamma Roma (Anna Magnani, numa ou em mais uma brilhante interpretação) levado para o borgate no auge da sua adolescência, numa exasperada tentativa de mudar de vida (a dela – (até aí) marginal – e a dele – potencializando-a, julgava ela, maternalmente), implica impreterivelmente duas abordagens em si interpenetradas.

A primeira será a consciência de que se trata Pasolini de um realizador do neo-realismo italiano, ainda que com abundantes variações do inicial (aquele de Sica, de Rosselini ou de Visconti), nomeadamente no que concerne à utilização de actores não profissionais não para tornar as cenas o mais realistas possível, mas antes para que não parecessem tão reais (e falamos aqui já da introdução no cinema de uma dimensão mística, mítica e poética), e das significações que daqui devem ser apreendidas.

A segunda será a percepção de que, ainda que Mamma Roma se insira no primeiro período do cinema de Pasolini, iniciado com Accattone, período esse tão veemente associado ao tal neo-realismo de que falávamos, seria limitativo querer ver no filme o objectivo de uma mera apresentação da realidade – e leia-se em “realidade” a miserabilidade e marginalidade vivida no borgate; leia-se ali a vida vivida à margem dos valores burgueses espácio e temporalmente situados, na Itália de 1962, conjugada com a persistente, generosa e bela tentativa da busca de alguma felicidade, senão da felicidade ela mesma (e note-se a lindíssima cena em que a nossa Mamma Roma ensina ao seu pequeno Ettore uns quantos passos de dança no quarto do pequeno apartamento que orgulhosamente conseguiu para ambos; ou dos esforços que Mamma Roma faz para se integrar, a ela e ao seu).

Na verdade, existirá (e existe!) uma crítica suficientemente implícita para que facilmente perceptível à Itália e respectiva sociedade dos tempos a revelar. Não fosse de Pasolini que estivéssemos a falar! Tido por muitos como o maior intelectual da Itália do pós II Guerra Mundial, homossexual, marxista e ateu, com uma das mais provocantes vozes de discórdia político-cultural (seja do período do fascismo, seja do pós-guerra a que nos queiramos referir), ingénuo seria não perceber aqui a aversão pelas opções económico-políticas do pós-guerra, com base, claro está, no capitalismo, nas quais Itália se apoiava para suplantar os traumas de um regime fascista, de uma guerra e consecutivo processo de reconstrução. E percebemos isso mesmo na mota oferecida ao filho, como se o presente o fosse salvar do (des)rumo em que se encontrava (eles bem o tentaram, naquela cena linda para morrer em que nela viajam, amarrados, como se assim estivesse bem, como se bastasse); mas percebemo-lo ainda melhor no facto de Mamma Roma regressar sucessivamente à sua vida anterior de prostituta: se, por um lado a sua força quer representar um país que se esforça por se erguer e ver um futuro próspero (ou algum, pelo menos!), por outro, ela e a decadência que a envolve pretendem mostrar que aquele não pode ser o percurso a seguir, ou a marginalidade em que está enrolada não terá fim, tal como as potencialidades do seu filho não verão a luz do dia (a não ser através daquela pequena janela, mas aí…). Onde, em tal processo, ficam estas pessoas, pergunta-se. Ver em Anna Magnani somente a denúncia de uma mãe a lutar pela vida de seu filho, ainda que dolorosamente belo, não basta. Aliás, Mark Cousins veio afirmar “Mamma Roma is herself and the city”[2] com algum propósito.   

E regressando agora àquele início já mencionado, e à introdução de um cariz místico e poético neste que é, ainda assim, um filme com sérias intenções neo-realistas, falemos pois da introdução no cinema de um assumido ateu do questionar do papel da posição das crenças e do papel da Igreja e da herança cristã (e de como esse carácter místico vem inclusive acrescentar ao realismo com que Pasolini nos apresenta as pessoas e a sociedade nos seus filmes, ou seja, bem situadas). Onde queremos chegar: à cena final. Quando o mundo desaba e todos os esforços realizados fracassam ou, pior, corrompem ainda mais as almas simples e modestas como a de Ettore poderia ter sido, uma imagem: lá ao longe, uma cúpula de uma Igreja. Uma questão: servirá ela de uma réstia de salvação, ou de elemento de desacreditação total?

Para um ateu, permitir que tal questão permanecesse no ar poderia soar estranho. Mas não para Pasolini que um dia afirmaria “I may be an unbeliever, but I am an unbeliever who has a nostalgia for a belief”[3]. Controverso porque criticado por todas as frentes (pela Igreja católica, pelas suas opções sexuais e políticas, e por marxistas, pela introdução nas suas obras de elementos tão religiosos ou, melhor, místicos – o maior exemplo disso estava ainda por vir, precisamente em 1964 com o Evangelho Segundo São Mateus), apresentou-se na verdade situado acima de qualquer uma dessas posições. Não teve nunca problemas em fazer distinções entre crença e herança histórica, ou ir ainda mais além, e diferenciar a crença da nostalgia por uma crença. Às críticas responde “Que mais dizer para desencorajar esses inquisidores importunos? Não gosto do catolicismo, como instituição (…) porque a minha religião, ou antes o meu espírito religioso (…) se sente ofuscado. Resta esse cripto-cristianismo com que os mais agressivos me estigmatizam, como tara vergonhosa. Dir-lhes-ei que é difícil para um Ocidental não ser cristianizado, a não ser que seja mesmo cristão crente. Com mais razão para um italiano. Gostaria de evitar dizer, por demasiado banal, que sou – culturalmente – cristão, e que não escolhi, geograficamente falando, a minha situação, desse ponto de vista. Quanto à visão religiosa que possamos ter do mundo – tanto eles como eu –, ela dispensa o idealismo cristão. Tenho tendência para um certo misticismo, para uma contemplação mística do mundo, é sabido. (…) uma irresistível necessidade de admirar os homens e a natureza, de reconhecer a profundidade onde outros apenas pressentem a aparência inanimada, mecânica das coisas. (…)” E sobre Deus: “Pela minha parte, lamento muito, mas não acredito. (…) Entre mim e a realidade histórica criou-se a espessura do mito”.

Pasolini, porque tão controverso, polémico, e desinserido, depois de muitas acusações injuriosas, acabou assassinado em 1975, com vários ferimentos no corpo e o rosto desfigurado. Ficaram os seus textos, que de tão bem construídos quase nos fazem cair na falácia do “agora já não se faz disto!”, as pinturas e o seu cinema, aquilo que seria para ele um conjunto de cortes e reorganizações da vida em si e das variadas dimensões que a compõe, do mais real, ao mais poético e de que Mamma Roma será um estonteante exemplo. 







[1] Todas as citações que surjam ao longo do texto do próprio Pasolini são retiradas de um livro onde se compilaram algumas das suas entrevistas: “Pier Paolo Pasolini – As Últimas Palavras de um Ímpio (conversas com Jean Duflot)”, Distri Editora, 1985.
[2] In Sight&Sound, March 2013, Volume 23, Issue 3, p. 41
[3] In Sight&Sound, March 2013, Volume 23, Issue 3, p. 39

terça-feira, abril 16, 2013

"Je, Tu, Il, Elle": é já na 5ª feira!

 
 
 
 
O Cineclube FDUP apresenta, esta quinta-feira, dia 18 de Abril, o filme Je, Tu, Il, Elle (1976), de Chantal Akerman. O filme será exibido na sala 0.01, pelas 18:15h, e contará com a apresentação por David Pinho Barros, Mestre em Cinema pela Universidade de Lisboa.
 
  
Outra estreia absoluta é a de Chantal Akerman, cineasta que, inspirada na Nouvelle Vague francesa, construiu um percurso único marcado pelo experimentalismo e pela desmontagem das fronteiras entre a ficção (e da narrativa convencional que a ela costumamos associar) e o documentário, num universo pontuado pelas noções de linguagem, tempo e espaço (arquitectónico, também), mas também de solidão ou de intimidade. Je, tu, il, elle (1976) está aí para nos fazer mergulhar nesta idiossincrática filmografia.



Até lá e Bons Filmes!

segunda-feira, abril 08, 2013

Esta 5ª feira: "MAMMA ROMA"

 Design: Teresa Chow
 
 
Depois de sucessivos adiamentos, o Cineclube FDUP exibe, esta quinta feira, dia 11 de Abril, o aguardadíssimo Mamma Roma (1962), de Pier Paolo Pasolini.
 
Às 18h15, na sala 0.01 (piso do bar). Até lá!
 
 
Mamma Roma (1962) mergulha-nos no neo-realismo - tardio e, por isso, mais sofistificado, como que prenunciador das derivas estéticas difusas por vir - de um dos nomes maiores do cinema italiano (e da arte italiana, em geral, do século XX): Pier Paolo Pasolini, em estreia absoluta no Cineclube FDUP, traz-nos a histórica Anna Magnani num dos seus mais comoventes papéis.
 
 
P.S.: É favor ignorar a data que consta do cartaz (12 de Março). A data correcta é dia 11 de Abril, esta quinta-feira.

sexta-feira, abril 05, 2013

o jovem esqueleto


E não é que ontem, no nosso Cineclube a ver "A Regra do Jogo", dei por mim a lembrar-me dos Irmãos Lumière e do seu "Jovem Esqueleto"? A imagem que deixo é do filme do Renoir, no momento em que também um esqueleto dança. Coincidências, com certeza!



A Regra do Jogo, Jean Renoir, 1939

segunda-feira, abril 01, 2013

Esta 5ª f.: "A Regra do Jogo"

Design: Teresa Chow

Esta quinta-feira, dia 4 de Abril, pelas 18h15, na sala 0.01, o mais antigo Cineclube universitário do Porto retoma a sua programação com uma obra-prima da história do cinema: A Regra do Jogo (1939), de Jean Renoir.

Estão, obviamente, todos convidados. Até lá!

Dia 4 de de Abril é a oportunidade para ver uma das maiores obras da história do Cinema directamente da câmara de uma das suas maiores figuras, Jean Renoir, cineasta que, mesmo no turbilhão dos críticos dos Cahiers du Cinéma (Godard, Trauffaut, Rohmer, etc.) dos anos 60, manteve sempre o seu estatuto de Mestre e visionário. A Regra do Jogo (1939), filme-síntese-tratado da decadência da burguesia francesa (o relativismo, a amoralidade, a hipocrisia, etc.) e suas convulsões no período entre as duas grandes guerras que marcaram o século XX é a proposta do Cineclube FDUP para a iniciação à obra de Renoir.