...despercebido.
La Folie Almayer, Chantal Akerman, 2011
quinta-feira, fevereiro 28, 2013
segunda-feira, fevereiro 25, 2013
Vencedores Passatempo FANTASPORTO
E assim chega ao fim o passatempo que te leva ao FANTASPORTO 2013. Aqui fica a lista dos vencedores. Os bilhetes devem ser levantados no secretariado do FANTASPORTO, no Rivoli, entre as 15h e as 18h, a partir de hoje (dia 25 de Fevereiro). Tratam-se de dois bilhetes para o(s) dia(s) e hora(s) combinados por e-mail, sendo que para o levantamento dos mesmos será necessário apresentar BI.
Os vencedores:
António Oliveira Tavares Zacarias de Figueiredo
Daniela Rocha Garcez
José Nuno Pereira de Almeida Ferreira Maio
Maria Isabel Ferreira Pinto Magalhães
Ângela Magalhães da Costa
Alberto Manuel Rodrigues da Costa
Tiago Ferreira Parente
Maria Deolinda Ferreira Ricardo
Óscar Gil Ribeiro Dias
Anabela Veloso
Mário de Castro Marques dos Santos
Hélia da Glória Silva dos Santos Marcos
José Tiago Teixeira de Sousa Moreira
Rita Freire de Sousa Santos
Sofia Bento
Cláudio Manuel Pinto da Silva
João Tiago da Silva Freitas
Ana Manuel Rodrigues de Almeida
Tiago Vitória
Ana Rita Castro
Miguel Norberto Béco de Almeida
Marta Neves Madureira Rolo
Bom Festival, Bons Filmes!
segunda-feira, fevereiro 18, 2013
Vai ao FANTASPORTO com o Cineclube FDUP!
O Cineclube FDUP associa-se ao FANTASPORTO 2013 (Festival Internacional de Cinema do Porto), na sua 33ª edição, realizando um passatempo no blog e no facebook, através do qual poderás ganhar bilhetes para o festival.
Para oferecer temos vários bilhetes por dia, do dia 1 ao dia 10 de Março, sendo estes bilhetes atribuídos aos primeiros a responderem à pergunta "Em que ano Serguei Paradjanov foi Prémio Carreira no FANTASPORTO?". Para encontrares a tua resposta viaja um pouco pelo site do festival.
Sobre a resposta:
Deves enviar a tua resposta para o email do Cineclube FDUP (cineclubefdup@gmail.com) até ao dia 25 de Fevereiro. Os bilhetes a ser oferecidos destinam-se às sessões das 15:00, das 17:00 e das 19:00, dos dias 1 a 10 de Março. Assim, e sabendo que a cada participante serão atribuídos no máximo dois bilhetes, juntamente com a resposta deves enviar:
- nome completo;
- dia(s), hora(s) e sessão para a qual pretendes o(s) bilhete(s). Descobre a programação aqui.
Não percas a oportunidade, PARTICIPA JÁ!
segunda-feira, janeiro 28, 2013
10 on Ten
Kiarostami, um carro e a estrada de O Sabor da Cereja, neste documentário de 83 minutos. Tudo o resto pode ler-se aqui.
"Kiarostami realiza um gesto raro: a confissão do seu próprio método e da descoberta de etapas libertadoras na sua carreira, como o surgimento das pequenas câmaras digitais e a liberdade de uso que trouxeram para o trabalho desenvolvido nesses anos (“como um Deus omnipresente”, diz-nos). Mas 10 sobre Dez não é apenas uma lição de cinema – é uma janela que se abre para absorver uma forma depurada de ver o mundo, sem artifícios, buscando a verdade detrás da forma fictícia de se contar uma história, dentro do próprio método defendido pelo seu autor."
"Kiarostami realiza um gesto raro: a confissão do seu próprio método e da descoberta de etapas libertadoras na sua carreira, como o surgimento das pequenas câmaras digitais e a liberdade de uso que trouxeram para o trabalho desenvolvido nesses anos (“como um Deus omnipresente”, diz-nos). Mas 10 sobre Dez não é apenas uma lição de cinema – é uma janela que se abre para absorver uma forma depurada de ver o mundo, sem artifícios, buscando a verdade detrás da forma fictícia de se contar uma história, dentro do próprio método defendido pelo seu autor."
quarta-feira, dezembro 12, 2012
DVDteca
Caros cineclubistas e amigos,
É com um enorme contentamento que anunciamos que a DVDteca, que se encontrava suspensa há mais de ano e meio por razões diversas, foi reposta na Bibilioteca da FDUP (cujo catálogo pode ser consultado on-line). Significa isso que, desde ontem, podem novamente os estudantes da FDUP pedir de empréstimo, sem quaisquer custos, qualquer um dos filmes integrantes do espólio propriedade do Cineclube, o qual aloja não só todos os filmes passados nas nossas sessões, como outros avulsos que fomos juntando ao longo dos anos, fruto das amáveis dádivas dos amigos do Cineclube.
Dádivas, essas, que continuamos, naturalmente, a aceitar de bom grado! Por isso, se tiverem filmes repetidos, ou se, pura e simplesmente, acharem que determinado(s) filme(s) faz(em) mais falta numa biblioteca universitária pública como forma de estimular o pensamento crítico e o acesso à arte a milhares de estudantes, basta enviarem email para cineclubefdup@gmail.com.
Depois da sessão dupla de ontem, o Cineclube interrompe a sua programação até Fevereiro, momento em que voltaremos para mais um grande semestre de cinema. Até lá, bons filmes!
segunda-feira, dezembro 10, 2012
SESSÃO DUPLA: "AMOR E REVOLUÇÃO"
Design: Teresa Show
Como já vem sendo tradição, o Cineclube FDUP oferece, em vésperas natalícias, uma sessão especial aos seus associados e simpatizantes. "Amor e Revolução" é o pretexto para uma sessão dupla que contará, pelo meio, com um lanche, e onde será feita uma recolha de contribuições para ajudar o Cineclube no prosseguimento na sua missão de divulgação e compreensão do Cinema no meio universitário.
Por isso, esta terça-feira, a partir das 18h, na sala 0.01 (piso do bar), começaremos com "Antes da Revolução" (1964, Bertolucci), faremos uma pausa para lanche e terminaremos com "Zabriskie Point" (1970, Antonioni). Dois filmes que apelam à reflexão sobre o papel dos jovens no terreno político - e tema mais actual não podia existir - e sobre a forma como essa busca pode chocar com outras "buscas": o amor, o crescimento e a descoberta de nós mesmos, o alheamento puro e simples do mundo, o sonhar com uma utopia que não passa necessariamente pelas ideias políticas, entre outras.
Como sempre, o convite é tranversal: sócios, simpatizantes, amigos de amigos, estudantes e não-estudantes, todos estão convidados para um momento de convívio. Até lá!:)
domingo, novembro 25, 2012
27 Nov.:"Sombras dos Antepassados Esquecidos"
Design: Teresa Chow
O Cineclube encerra, esta terça-feira, a sua programação regular com o filme Sombras dos Antepassados Esquecidos (1965), de Sergei Parajanov. Pelas 18h15, na sala 0.01. Todos convidados!
Oportunidade, ainda, para anunciarmos o nosso modesto presente natalício. Até lá!
terça-feira, novembro 20, 2012
Low Tide, LEFFEST'12
Sobre um dos filmes do LEFFEST' 12 para o qual o Cineclube FDUP ofereceu bilhetes, Nuno Galopim escreve aqui, descrevendo-o como um dos melhores filmes que viu nesta edição do festival.
"Segundo filme de Roberto Minervini, Low Tide é um olhar de poucas
palavras construído em volta do dia a dia de um rapaz de 12 anos, algures numa
pequena cidade americana (pela cena final, imaginamos que seja no litoral),
durante os meses de Verão. Nas primeiras imagens vemo-lo a andar de bicicleta,
dela saindo para apanhar uma cobra que vira entrar numa fissura no solo. Nos
minutos seguintes transporta e arruma gelo, faz uma máquina de roupa... E só
passado um quarto de hora uma voz rompe o silêncio de palavras. É a mãe, que no
seu jeito indolente, lhe pede uma cerveja.
Ao longo dos cerca de 90 minutos do filme pouco mais vemos do que o quotidiano do rapaz e o mundo de contrastes da mãe (que de dia trabalha num lar de idosos, contando com a ajuda do filho que por ali almoça, e vive noites ruidosas de festa entre amigos). Mais de gestos de palavras, Low Tide é também mais feito de olhares que propriamente de uma trama. A câmara de Roberto Minervini aproxima-se por isso de um registo documental, procurando observar sem interferir, estudando o espaço, reparando nas rotinas, sugerindo que, além delas, pouco mais há naquelas vidas. E o aparente espaço de liberdade total que parece existir na vida do pequeno protagonista é, afinal, pouco mais que um terreno em potência onde parece que nada de novo ele próprio já espera que aconteça.
Destacando-se pelo cruzamento de uma linguagem documental com uma ideia minimalista de ficção, Low Tide tem como potenciais focos de interesse a espantosa interpretação do protagonista (Daniel Blanchard ) e uma demanda que parte da sugestão de uma muito ténue linha narrativa que vive sobretudo do tempo que passa, daquele lugar e suas personagens. E tal como o realizador ali não procurou mais (nem sequer o nome da mãe e do filho), não queiramos nós encontrar aqui o que aqui não está."
Ao longo dos cerca de 90 minutos do filme pouco mais vemos do que o quotidiano do rapaz e o mundo de contrastes da mãe (que de dia trabalha num lar de idosos, contando com a ajuda do filho que por ali almoça, e vive noites ruidosas de festa entre amigos). Mais de gestos de palavras, Low Tide é também mais feito de olhares que propriamente de uma trama. A câmara de Roberto Minervini aproxima-se por isso de um registo documental, procurando observar sem interferir, estudando o espaço, reparando nas rotinas, sugerindo que, além delas, pouco mais há naquelas vidas. E o aparente espaço de liberdade total que parece existir na vida do pequeno protagonista é, afinal, pouco mais que um terreno em potência onde parece que nada de novo ele próprio já espera que aconteça.
Destacando-se pelo cruzamento de uma linguagem documental com uma ideia minimalista de ficção, Low Tide tem como potenciais focos de interesse a espantosa interpretação do protagonista (Daniel Blanchard ) e uma demanda que parte da sugestão de uma muito ténue linha narrativa que vive sobretudo do tempo que passa, daquele lugar e suas personagens. E tal como o realizador ali não procurou mais (nem sequer o nome da mãe e do filho), não queiramos nós encontrar aqui o que aqui não está."
quarta-feira, novembro 14, 2012
Doclisboa'12: Roman Polanski: A Film Memoir
Crítica por: André Guerreiro
Embora seja apresentado como um documentário, só o é na sua definição mais restrita – em primeiro lugar, por não existir uma frieza analítica subjacente ao normal distanciamento proporcionado pela imparcialidade jornalística, pelo facto de a entrevista ser conduzida pelo seu amigo de longa data (apesar de ser filmada várias vezes a lareira introduzindo uma ideia de quão familiar está a ser a conversa, sempre uma lovely referência). Não significa necessariamente que estejamos perante um bias, porém. Enquanto vamos avançando no filme e,consequentemente, no detalhar dos infortúnios vividos por Polanski, percebemos que este filme constitui quase um direito de resposta de um individuo perante uma ordem natural e social que em nada foram fáceis para ele.
Torna-se também díficil rotular este filme de documentário
quando é, essencialmente, uma longa entrevista pontuada com elementos visuais
algo óbvios e literais (e melosos efeitos, diga-se, prestando uma memoir também
ao powerpoint).
Ora, uma das valências anunciadas do filme seria o
entrecruzar o depoimento de Polanski
retratando a sua própria existência e a correlação existente com os filmes que
fez, explorando o normal e esperado acto de transpor, mesmo que inconscientemente,
algo do ADN vivencial para a obra do artista. Esta premissa automaticamente
afastar-lo-ia dos genéricos trabalhos documentais que se limitam a detalhar
informações facilmente alcançáveis na memorabilia de dados que é a Internet. Na
verdade, tal premissa está muito mal concretizada, sendo que só atinge a sua
plenitude quando determinados momentos da vida de Polanski encontram suporte
físico nos seus filmes, como no caso do seu pessoalíssimo O Pianista. Não deixa
de ser interessante/agonizante perceber quão reais são os eventos do referido
filme, porém, e é gerador de lágrimas percebermos o limite entre a ficção e a
simples autobiografia.
Já nos restantes filmes que compõem a obra deste autor, só
nos é dada uma ligeira contextualização do status quo de Roman Polanski na
altura do lançamento de cada um.
Outra falha que se poderá apontar a este filme passa pelo
estilo deficiente de entrevista de x, manipulando Polanski para uma realidade
bem menos agressiva dos factos, fazendo parecer que todas as dificuldades de
vida do realizador sejam uma desculpabilização do erro de Polanski, a suposta
violação de uma menor .
Para além disto, X tem também um desejo desproporcionado de
aparecer, quer seja pela quantidade de vezes que força a sua cara e expressão
nos planos, ou pela necessidade incessante de acabar as frases de Polanski.
Embora estas falhas retirem alguma validade ao filme
propriamente dito, à film memoir, a verdade é que dispõe de uma vantagem óbvia,
que é dar-nos a possibilidade de assistirmos ao discurso directo de alguém tão
interessante quanto Roman Polanski.
Este teve uma vida que, se fosse ficcional, seria com
certeza acusada de ser um melodrama exagerado, cheio de negros twists. Desde a
tocante descrição da vida no bairro judeu (sendo que bairro soa a eufemismo
suburbano para tão real segregação), com toda a luta pela sobrevivência e perda
que iriam influenciar mais tarde as suas opções de vida e, paralelamente,
influenciar a escolha de direcção artística(mormente o facto de parecer uma
redundância, há mais num homem que a sua história pessoal, como prova o seu
ecletismo no que a géneros fílmicos diz respeito), até ao assassinato da sua
esposa grávida por parte do gang de Charles Manson (exactamente o mesmo destino
que a mãe dele sofreu pelas mãos das SS, único elemento coerente na
aleatoriedade trágica da sua vida).
Temos, portanto, um detalhar de todos os infortúnios vividos
por Polanski, que acabam por se confundirem com a própria vida deste, pelo
facto desta se ter desenrolado sempre através da reacção a tragédias.
Tristemente, quando houve algum exercício de livre arbítrio, foi
consubstanciado na violação de uma menor, como já dissemos. Este acaba por ser
um momento central do filme, porque Polanski evita o assunto no que diz
respeito a motivações, preferindo focar-se na perseguição mediática a qual foi
sujeito, surgindo também na persona de vítima. E talvez seja, em parte. Mas
verdadeiramente importantes não são estas situações que irão ver a sua importância diluída no tempo. O que
acaba por ser importante é que temos aqui a dimensão humana de um realizador
responsável por grandes obras, e um homem eloquente, cândido e sentimental. Se
errou, ou se o universo errou com ele, serão só valorações que se dissiparão
com o peso da importância do que criou.
Doclisboa'12: News From Home, Chantal Akerman
Crítica por: André Guerreiro
News From Home é uma obra absolutamente pessoal de Chantal Akerman. Por mais óbvia que pareça esta afirmação, a verdade é que nunca a vemos, nem há outras personagens que a representem como medium figurado ( como, por exemplo, nos trabalhos mais recentes de Woddy Allen, em que há uma transferência da sua persona para outro actor, outra realidade)
É necessário atender ao contexto vivencial de Chantal Akerman para não confundir este filme com uma ode visual à America suburbana, qual início de Down By Law de Jim Jarmusch: Chantal, originária de Bruxelas, decide ir viver para os Estados Unidos, mais concretamente para Nova Iorque.
Como qualquer jovem que viva em saudável contacto com as autoridades parentais, Chantal recebia cartas da mãe a descrever assuntos familiares e a esgrimir as genéricas preocupações relativamente à vida da filha: Frio; fome;saúde; cabelo novo?Fica-te bem;amigos. Esta situação de temporário exílio e a manutenção de contacto com a sua anterior realidade alimentam de substrato humano o que conceptualmente é muito simples: longos planos da cidade americana entrecruzados com a leitura, em voz off, de Chantal do conteúdo das cartas da progenitora, representação ulterior de tudo o que conhecia e lhe era familiar.
O que torna este
filme tão pessoal não é apenas o facto de serem concretamente as cartas da mãe
de Chantal a serem lidas por Chantal, mas o que nos é deixado ver e ouvir ao
mesmo tempo. Este voyerismo (que parece em tempo real) de algo tão intimo como
a correspondência familiar está submergido não da glamourosa Nova Iorque, mas
sim de paisagens desoladas, naturezas mortas de uma sociedade cinzenta. Vemos,
portanto, a cidade, mas através do olhar de Chantal.
Percebemos, então, a
sinestesia existente entre o que o olhar estranho e frio (real?) de Chantal
opta captar da cidade e os sentimentos sobre ela, sabendo assim que Chantal
sofre. Sofre da quase inevitável alienação urbana e o anonimato traduzível quer
nas ruas vazias à noite quer no metro cheio de gente, onde os sons maquinais
que todos ouvem são o único elemento comum a todas estas vivências e
identidades tão dispares, que deixam de ser importantes na sua
individualidade. A própria voz da mãe e,
consequentemente, a ligação familiar, começa a perder volume e intensidade,
vergando-se perante a inevitável força negativa da distância e do meio urbano.Esta tese de estarmos a receber a própria valoração da vida de Chantal por telepatia visual com esta é confirmada no final do filme, num longo plano filmado desde um barco, que lentamente ,afastando-se da paisagem nova iorquina, demonstra o finalizar da experiência e o regresso a casa.
Doclisboa'12: Lucky Three, Lucky Three: an Elliott Smith Portrait – Jem Cohen
Crítica por: André Guerreiro
Esta lindissíma curta tem como objecto Elliott Smith e o seu
eu transplatado em canções, mais concretamente três musicas (e é aqui que
reside a referida beleza da curta) : Angeles, Between The Bars e Thirteen, tudo
clássicos, ainda que esta última tenha sido apenas editada em álbum póstumo.
Como já referido,
pouco mais acontece aqui que a beleza crua das canções, apesar de alguma
footage do artista a caminhar e a conduzir pela cidade, no clássico estilo de
Jem Cohen. Não há aqui um olhar compreensivo sobre Elliott Smith ou alguma
consideração sobre a vida deste, mas quando as músicas são tão rendilhadas de
sentimentos e profundidade emocional que palavras para além das que canta não
se tornam necessárias.Doclisboa'12: La Chambre, Chantal Akerman
Crítica por: André Guerreiro
Curta experimental (naquele sentido clássico em que não compreedemos muito bem o objectivo, se há algum, subjacente às simples imagens que vemos) de Chantal Akerman. Talvez o erro seja precisamente a procura de um significado além do encapsular de determinada realidade, embora talvez nos aborecessemos se não encontrassemos um propósito maior.
Diga-seque o nome da
curta constitui um spoiler compreensivo de toda a acção, sendo o quarto tudo o
que a camara regista, em flutuante rotação de 360º sobre o mesmo. A única acção
estranha ao elemento espaço, é o facto de Chantal se encontrar no quarto e, por
vezes, trincar uma maçã.
La Chambre, não deixando de fazer sentido
com a restante obra de Chantal Akerman no que diz respeito à percepção do
espaço e a integração do elemento humano neste, não conseguimos deixar de vê-lo
como um exercício menor.
Doclisboa'12: Hotel Monterey, Chantal Akerman
Crítica por: André Guerreiro
Por muito que os filmes de Chantal Akerman possam divergir
no enredo, e na acção objectiva que apresentam, nunca estão apartados de uma
consciência do espaço de onde se desenrolam, quase como se fossem reflexo da
vida do ser que albergam. Em Hotel
Monterey o espaço arquitéctonico não funciona como mais um elemento subtil de
interpretação psicológica de uma determinada personagem, mas sim o unico
elemento de caracterização existente, retrato de uma flutuante multidão anónima.
A solidão do simples passageiro que nunca parte porque outra figura abstracta
preenche o seu lugar, não há nomes, nem caras, no Hotel Monterey. Apenas a
construção, em tempos com certeza grandiosa, mas agora desolada e esquecida,
por mais que ainda em funcionamento. As paredes despidas e os cantos vazios
demonstram a ausência de pessoas e longas estadias; são nos sítios de passagem
encontramos alguma moldura humana. No elevador, nos quartos, onde param homens
que não se mexem, ainda que num longo plano, se revelam quase como mobília do
local : provavelmente um empregado. Mesmo Chantal (vemos apenas suas costas)
aparece e desaparece de um quarto, mesmo ela é mais uma transeunte sem cara.
Para reforçar o sentimento de isolamento metafórico, o som
está absolutamente ausente deste filme, nem sons ambiente que nos distraiam da
propositada ausência de acção. São 65 minutos de quasi-retratos Hopper-like de
um realismo urbano, consubstanciando a alienação da vida moderna americana (tal
como era objectivo de Hopper, também). A partir dos 30 minutos, a camara começa
a mover-se, e a desenhar esboços de travellings até ao que pode chamar o ponto
de fuga das imagens que apresenta, até ao climax final, a fuga do prédio e o
acesso à skyline americana.
Argumentam os detractores do filme que este não é mais que
uma aborrecida colagem de imagens sem um objectivo prático, a verdade que este,
por mais que seja marcado pela ausência de narrativa, não deixa de ter algo
para dizer. E como é belo o cinema que mesmo com o movimento que o caracteriza estando
algo ausente, consegue transmitir tantas ideias, pelo facto de escolher
objectivamente representar as naturezas mortas tal como elas são.
Doclisboa'12: Genesis Encore Cascais 75
Crítica por: André Guerreiro
Tendo como móbil a vinda dos
Genesis a Portugal em 1975, em pleno PREC, Genesis Encore Cascais 75 retrata e
contextualiza toda uma geração de jovens, e de como a liberdade paulatinamente
se iria revelando através da cultura e do acesso a esta. Diga-se desde já, que
ser fã ou não de Genesis não interessa quase nada, interessando apenas, talvez,
para partilhar o entusiasmo com os entrevistados.
Ultrapassando o problema de não existirem
gravações video do concerto (apesar das gravações piratas de audio, que nos são
aleatoriamente apresentadas durante o filme) com bem humoradas entrevistas a
clássicos do mundo da música portuguesa e afins, tais como elementos dos Xutos
e Pontapés, aparecendo como representantes das suas personas adolescentes
relembrando todo o contexto em que se inseriu tal evento.
O ponto chave deste filme é obviamente a memória. A memória na sua
acepção mais lata, de efectivamente aquelas pessoas entrevistadas se lembrarem
perfeitamente de imensos pormenores do concerto e daquele dia, tendo
sobrevivido à inevitável erosão que a selecção de memória proporciona, mesmo à
mais bela recordação. Também é invocada (naquele epílogo algo desinteressante)
a memória na sua acepção mais nobre e histórica, relativamente à necessidade de
preservar a memória como se património de um povo se tratasse. Também, reforça
a necessidade de preservar não apenas as instituições mentais, mas também as
físicas e concretas, como o Dramático de Cascais, que albergou este e tantos
outros históricos concertos, estando prestes a ser demolido.
Quer tenhamos vivido tal época, quer não, é sempre importante nunca o
esquecer um passado recente, tão contextualizador é do presente e de todo o
eventual futuro. Portanto, importante se torna ver este filme e manter tais
eventos na memória colectiva.Doclisboa'12: Tomorrow we Move, Chantal Akerman
Crítica por: André Guerreiro
Primeiramente, é importante congratular o
DocLisboa e a Cinemateca (embora esta mereça um agradecimento vitálicio pela
mera existência), pela oportunidade incrível que é a revisitação da obra
integral de tão importante cineasta como Chantal Akerman .
Embora estivessemos a referir-nos à obra integral de Chantal, nunca
pensariamos estar perante uma obra em particular que fosse tão integral quanto
esta, no que diz respeito à sua falsa digestão. Para quem apenas tinha tido o
prazer de ver Je, Tu, Il, Elle e Le Rendez-vous de Anna anteriormente a este
ciclo, filmes caracterizados por longos e introspectivos silêncios, reflectindo
alguma falta de sentido e direcção das personagens que serviam um propósito
maior, de ilustração de algum vazio existencial do ser humano e,
consequentemente, das relações que estabelecem entre si, nunca imaginaria ver
um filme deste género, uma comédia ritmada, que ameaça tornar-se em musical a
cada segundo. Embora tal nunca chegue a acontecer, e as palavras nunca cheguem
a ser cantadas, ainda imperam, e são o maior veiculo de comunicação do filme.
Para além deste inesperado choque térmico de mood fílmico, começamos
progressivamente a habituar à substituição da crueza flagrante dos anteriores filmes para uma mais
ligeira abordagem ao que podemos considerar problemas clássicos constantes da
obra de Chantal Akerman, o isolamento do ser humano, quer face à plasticidade
das relações, quer em relação ao isolamento como uma necessidade, para a
prossecução de um determinado objectivo artístico.
Objectivamente, temos a história
de uma mulher-Catherine – que, na direcção inversa à uterina, muda-se para o
duplex da filha Charlotte, devido à morte do marido. Consigo traz uma
quantidade desproporcionada de bagagem, quer física quer emocional (sendo que a
mala com que não dispensa dormir, repleta de antigos bens domésticos do marido,
como cuecas e maquina de barbear, transformadas em preciosas memórias pelo
toque de midas mental no sobrevivo que a morte constitui, representa bem a
união destas duas dimensões), que desorganiza a vida da filha. Quando o que a
filha mais precisa é uma reclusão artística, por não estar a conseguir escrever
o livro erótico que lhe está encomendado. Por mais que procure no mundo que a
rodeia o erotismo que lhe falta na criação mental, a mãe é uma das únicas
fontes que rejeita, pelo facto na hierarquia feminina que definiu tacitamente
para ela, surgir primeiro mãe antes que
mulher de plenos direitos. Esta
demonstração da sexualidade latente ser corolário óbvio de ser humano (isto já
seria obvio pela nossa existência ser um extravasar dessa sexualidade latente,
pondo a questão em eufemismos crípticos), surge logo na primeira cena do filme:
ouvimos Catherine, desde fora de plano, a dar instruções relativamente ao
transporte do piano para a sua nova casa, em tom ansioso.Quando a transladação
se dá de forma bem sucedida altera-se o registo da voz, e a mudança para
pequenos gritos de excitação combinada com os picos do sismógrafo respiratório
dão origem a uma não-tão-subtil-assim analogia com um orgasmo.
A diferença entre fuso horário de vida e necessidades entre as duas
mulheres gera uma outra necessidade em Charlotte: a da mudança. Tal
predisposição encontra uma real oportunidade prática quando esta conhece
Popernick, agente imobiliário. Como eventualmente se torna óbvio, este é outros
pontos absolutamente essenciais do filme (e tematicamente, como já referido, do
cinema de Chantal): a mudança, o acto de procura de uma casa representam
figuradamente o sentimento de exílio permanente, e a importante correlação
entre o local de habitação e a identidade pessoal e cultural do sujeito. Tais
realidades são evidenciadas em vários momentos centrais do filme, tais como o
da descoberta de um apartamento decente para Charlotte viver, mas que devido à
desinfecção que foi alvo, emana um cheiro que despoleta recordações das camaras
de gás dos campos de concentração em Popernick, sobrevivente do Holocausto.
Outro importante exemplo dá-se quando Cathrine e Charlotte tentam vender o
duplex e surgem todo o tipo de casais, que representam o positivo e negativo
das relações permanentes, tal como representam o facto da mudança de casa
significa uma alteração das circunstâncias de vida e do relacionamento (Why put
a new adress on the same old loneliness?, cantam os Songs:Ohia, e adequa-se
perfeitamente, embora não estando na banda sonora do filme). Todas estas
pessoas e relações são alegorias, mas complexas e reais, ao ponto de não
parecerem carregar o peso do estereótipo fácil normalmente associado à comum
alegoria. Desde o casal que em nada concorda mas que tem medo de existências
não compartilhadas; a uma mulher grávida infeliz com a sua situação e com o seu
overly-sexual marido; ao casal absolutamente neurótico que julga
milimetricamente todos os elementos da casa, e imagina-se, cita leis e
regulamentos. Engraçado se torna quando todas estas figuras se juntam e tentam
cumprir a normalidade social.
Com todas estas camadas de alguma infelicidade doméstica, dos seus
apêndices relacionamentais e da sua indissociável habitação, alguns padrões de
felicidade e mudança de sorte aparecem também. Porque, tal como a casa, talvez
amanhã encontremos algo melhor, talvez amanhã possamos ser felizes, onde quer
que seja.
Cineclube FDUP no Doclisboa'12
O Cineclube FDUP marcou presença no Doclisboa'12 e aqui está o resultado: sete críticas bem fresquinhas, escritas por André Guerreiro.
Se também foste, envia-nos as tuas críticas, comenta, expressa-te! Caso ainda não tenha sido desta que marcaste presença no festival, esperamos pelo menos deixar-te com água na boca.
PASSATEMPO LEFFEST
Temos vencedores!
Ao passatempo lançado pelo Cineclube FDUP no passado domingo a resposta seria Monte Hellman. Assim, deixo aqui a lista de vencedores dos bilhetes oferecidos para o Lisbon and Estoril Film Festival.
Tânia Alexandra Leal da Silva Dias
Jorge Manuel da Silva Morais
Ana Isabel Macedo Falcão Fernandes
Rui Humberto Elisabeth Viegas
Bons filmes e bom festival!
segunda-feira, novembro 12, 2012
O SABOR DA CEREJA
Design: Teresa Chow
É já esta 3ª feira, dia 13 de Novembro, que o melhor cinema da UP regressa à sala 0.01 (piso do bar), da Faculdade de Direito, com O SABOR DA CEREJA(1997), de Abbas Kiarostami, Irão.
A sessão tem início às 18h15.
Não percas, até lá!
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