nota solta: Quando o Cineclube passou Aguirre, der Zorn Gottes, lembro-me de um amigo meu comentar que a cena final - onde Aguirre, sem nada nem ninguém, numa jangada condenada ao naufrágio num rio perdido da Perú, bradava aos céus que era o conquistador da América do Sul - trazia metaforicamente à memória (até pela personalidade de Werzog) os últimos momentos de um Hitler derreado, tentando o tudo por tudo pela manutenção do jugo nazi. O mesmo me veio agora à memória com Al Pacino, na última cena de Scarface. Um Tony Montana sozinho, deprimido, psicótico e enterrado em coca; cercado por todos os lados, baleado aturadamente, sempre grita "YOU FUCKING MARICONS! YOU THINK YOU CAN TAKE ME? YOU NEED A FUCKING ARMY TO TAKE ME! I'M TONY MONTANA, YOU FUCK WITH ME, YOU FUCK WITH THE BETTER". Claro, Tony: "The world is yours".
A Medeia Filmes comemora 20 anos e vai festejá-los a 19 e 20 de Dezembro. Com antestreias (UM PROFETA, de Jacques Audiard; O SÍTIO DAS COISAS SELVAGENS, de Spike Jonze; CINERAMA, de Inês Oliveira). Com a exibição de curtas metragens de jovens cineastas portugueses, premiadas em vários festivais (Rodrigo Areias, André Gil Mata, Rita Nunes, José Maria Vaz da Silva, Edgar Pêra e outros), ou da artista Joana Areal. Com a exibição de NOITES DE LUA CHEIA, de Eric Rohmer, assinalando o lançamento de um pack em dvd de 6 dos seus filmes dos anos 80, do ciclo “Comédias e Provérbios”. Com uma homenagem ao cineasta Joaquim Pinto. 2 dias a assinalar 20 anos. De diversidade cinematográfica. De descoberta de novas cinematografias e novos cineastas. De reposições de clássicos em cópias novas. De debate. Com bilhetes a 2 euros. De encontro com realizadores, actores e técnicos. No cinema Medeia Cidade do Porto e Teatro do Campo Alegre. Um fim-de-semana a não perder. Bilhetes já à venda.
Sábado, 19 de Dezembro Cinema Medeia Teatro do Campo Alegre
18h30 > CURTAS DA CASA (DIA TRIUNFAL, de Rita Nunes; SEREIA e CARAVAGGIO, de José Maria Vaz da Silva; DORA, de Isabel Aboim; O SENSO DOS DESATINADOS, de Paulo Guilherme) 22h > NOITES DE LUA CHEIA, de Eric Rohmer
Domingo, 20 de Dezembro Cinema Medeia Cidade do Porto
14h30 > CINERAMA, de Inês Oliveira (antestreia, com a presença da realizadora) 17h > O SÍTIO DAS COISAS SELVAGENS, de Spike Jonze (antestreia) 19h30 > ONDE BATE O SOL, de Joaquim Pinto (homenagem a Joaquim Pinto) 22h > UM PROFETA, de Jacques Audiard (antestreia)
Cinema Medeia Teatro do Campo Alegre
18h30 > CURTAS JOANA AREAL (13/14; DOMINGÃO) 22h > BANDO À SOLTA (CORRENTE, de Rodrigo Areias*; CRIME ABISMO AZUL REMORSO FÍSICO, de Edgar Pêra; ARCA D’ÁGUA, de André Gil Mata*, CIEL ÉTAINT, de F. J. Ossang *(com a presença dos realizadores)
O Cineclube FDUP tem para oferecer 10 convites duplos para a sessão "Bando à Solta", Domingo às 22h no Teatro do Campo Alegre. Enviem email para o habitual cineclubefdup@gmail.com, com o vosso nome e contacto telefónico!
Terá dito Dostoievsky qualquer coisa como "para reduzir um homem a nada basta dar ao seu trabalho um carácter de inutilidade".
À beleza da citação literária contrapõe-se a riqueza do mundo real. Assim neste filme: um grupo de trabalhadores de meia-idade é despedido dos estaleiros navais, passando a lutar dia-a-dia pela reconstrução das próprias vidas. Homens que podiam ser pais de qualquer um de nós, viris, marcados pela idade, mas ao mesmo tempo frágeis, à deriva, em busca de qualquer ponto onde se apoiar - contando apenas uns com os outros e com as segundas ao sol.
Um filme, diria eu, sobre os efeitos, sobre o relevo do trabalho na vida das pessoas. Ou da ausência forçada dele.
É 5ª-Feira, no Cineclube FDUP, às 18h00, sala 1.01.
Guardo estas duas fotografias há já nem sei quanto tempo no meu computador. Encontrei-as já nem sei bem como, nem o porquê ou o caminho que me levou até ela. O que sei ao certo é que me fascinaram desde o primeiro instante. Quando as encontrei, e quando as soube pertencentes ao filme Play Time (1967), de Jacques Tati, formulei para mim um intenso desejo de o ver. Por falta de oportunidade, por esquecimento ou por coisa outra, a verdade é que já lá vão uns aninhos e nunca o vi. Passado tanto tempo, soube que o Cine-Clube Escola das Artes da Universidade Católica (Pólo da Foz), vai passar o filme na próxima segunda-feira, dia 14, pelas 21h. Não sei se é bom, muito bom ou muito mau (só vi um filme de Tati - "Há festa na Aldeia" no hoje desaparecido Nun'Álvares, teria eu uns 10 ou 11 petizes anos - do qual guardo excelentes recordações!)... mas estão todos convidados! :)
Amanhã, quinta-feira, 10 de Dezembro , na sessão das 21h30
Cinemas Medeia Cidade do Porto
Jorge Campos(documentarista e professor do curso de Artes da Imagem, da ESMAE);
Fernando dos Santos Neves(reitor da Universidade Lusófona do Porto; professor de Ciências Políticas)
A Medeia Filmes tem, ao longo dos anos, trazido a debate muitos dos filmes que exibe, participando de forma activa no espaço público em que se insere o trabalho que vem desenvolvendo. Nesse sentido, organizou um debate em torno do último filme de Michael Moore, em exibição no cinema Medeia Cidade do Porto, CAPITALISMO: UMA HISTÓRIA DE AMOR, em que o cineasta aborda as origens e consequências da actual crise financeira mundial. Polémico, irreverente, desafiador, e actual, o cinema de Moore tem vindo a afirmar-se ao longo de duas décadas, tendo recebido muitos e prestigiados prémios e obtido grande sucesso junto do público.
CAPITALISMO: UMA HISTÓRIA DE AMOR / CAPITALISM: A LOVE STORY >Michael Moore
Festival de Veneza > Selecção Oficial em Competição
“Capitalismo: Uma História de Amor” é, vinte anos depois, o “fecho do círculo” iniciado com “Roger e Eu”. […] é o filme de alguém que admitiu que a América em que vive já não é (ou talvez nunca tenha sido) a América em que julgava viver, e que compreende que ao mesmo tempo, a força e a limitação do que a sua câmara pode fazer. E aí, ganha-se como, provavelmente, o mais sincero dos filmes de Moore – e, provavelmente, o mais interessante.
Jorge Mourinha, Público
Moore denuncia que o sistema faliu […,] exibe as ilegalidades e afrontas das grandes empresas, da banca, e dos especuladores financeiros.
Manuel Halpern, JL
Se ainda não viu “Capitalismo, Uma História de Amor” de Michael Moore, vá ver. Pode não simpatizar com o homem, mas fica logo a perceber os casos BPN e BPP.
... que ainda se conseguem fazer bons filmes sobre Nova Yorque, em Nova Yorque, sobre as pessoas de Nova Yorque, está New York I Love You. É evidente que prová-lo não é tarefa fácil e nem tudo corre bem - é quando o filme não consegue ser criativo na reelaboração de clichês associados à vida mundana de uma cidade cosmopolita, aos encontros fortuitos geradores de emoções fortíssimas, aos diálogos adolescentes entre pessoas adultas, àquele teasing cheio de pinta entre homens e mulheres ainda com mais pinta. Mas quando o consegue, o filme atinge picos deliciosos. E depois é uma cambada de actores e actrizes cada um melhor que o outro. Deles destaco a prestação de Shia LaBeouf (onde quer que tenha ido buscar aquele passo canhestro, foi buscá-lo muito bem), Hayden Christensen, Ethan Hawke, Chris Cooper, Julie Christie, Eli Wallach e Uguer Yecel. E entretanto, enquanto vou apontado os nomes e revendo o filme na cabeça, começo a duvidar se esta minha avaliação não tem tanto em conta as interpretações quanto as cenas em si em que elas se revelam... (e isto acaba por reflectir um pouco o que foi dito no segundo parágrafo).
Um dos "takes" que mais gostei, filmado por Shekhar Kapur, creio (ah, pois, esqueci-me de mencionar o facto do filme, ou dos filmes, serem realizados por pessoas diferentes - como o inevitável IMBD nos mostra). Na imagem, Julie Christie e Shia LaBeouf em cena sublime.
Infelizmente, não consegui encontrar nenhuma cena de Days of Being Wild (1990, de Kar Wai Wong) com legendas em inglês. No diálogo acima, e num outro que a ele se segue, York interpela enigmaticamente Li-zhen (que não o conhece de parte alguma), pedindo-lhe para que nunca se esqueça daquele dia e daquela hora - 16 de Abril de 1960, um minuto para as 15h. Ou, como o IMDB me fez questão de facilitar a tarefa:
Gostei mesmo muito deste filme, que me foi emprestado por um cineclubista da FEP - depois de me ter fascinado com Chungking Express (1994), do mesmo Kar Wai Wong - e a quem agradeço a partilha! Days of Being Wild supera, na minha opinião, Chungking Express, e isto tendo em conta os incontornáveis pontos de contacto (mais numerosos que os de contraste, arrisco sem grande risco) entre os dois filmes. As teias dos nebulosos relacionamentos humanos - muito mais próximas do que se pensam -, a fugacidade dos mesmos e a dor da perda a ela associada, tudo isto é filmado por Kar Wai Wong de uma forma bela, contemplativa, sem no entanto nos deprimir ou angustiar como se não houvesse amanhã. A propósito disto, lembrei-me de um artigo no ípsilon sobre a exposição de Tim Burton no MoMa: "(...) Burton nunca transpõe a linha do terror. Ele quer-nos impressionar, provocar e desafiar, mas não nos quer aterrorizar. Os seus monstros maravilham-nos, não nos metem medo. (...) Há energia e destruição, mas também ternura e sedução". Quer em Days of Being Wild, quer em Chungking Express, Kar Wai Wong faz também isto mesmo: não transpõe a linha da solidão, do amor ou da perda. "Impressiona-nos", "maravilha-nos", faz-nos pensar; mas não nos atira no escuro nem nos tritura a alma.
nota: Tal como em Chungking Expres, encontramos também neste filme uma banda-sonora muito bonita.
Vem com o Cineclube assistir a este filme/concerto único na Casa da Música!
Temos 15 convites para oferecer - serão atribuídos aos primeiros 15 a enviar email para cineclubefdup@gmail.com, intitulado "Metropolis", com indicação de nome e número de telefone. A entrega dos mesmos será feita no fim da sessão do Cineclube de dia 19 de Novembro, sendo portanto um requisito a presença no filme, e a limitação a um bilhete por pessoa!
O espectáculo terá lugar na Sala Suggia, dia 24 de Novembro às 19h30. O preço dos bilhetes, para menores de 25 anos, é de 8€. Portanto, aproveita rapidamente esta oferta exclusiva!
Os nossos agradecimentos à Casa da Música - para mais detalhes, consultar www.casadamusica.pt.
O Cineclube FDUP tem o prazer de anunciar a oferta de 6 (seis) convites DUPLOS para a Antestreia do filme Tetro, de Francis Ford Coppola. A sessão terá lugar nos Cinemas Cidade do Porto, dia 18 de Novembro, às 21h45.
Os primeiros emails a chegar ao endereço do cineclube - cineclubefdup@gmail.com -, com indicação de nome e número de telefone, ganham um convite duplo!
Por falar em imagem/fotografia "que queria mesmo aqui deixar" mas que "infelizmente não a encontrei em lugar algum", há uma, esta pertencente ao Aguirre, der Zorn Gottes (passado pelo nosso Cineclube no passado dia 5) que também não consegui partilhar aqui no blog. Falo do momento em que a câmara como que se senta, já sabendo ao que vai, numa rocha perdida no meio do rio e observa, contempla, longamente, placidamente, o marulhar (não do mar, mas do rio) de tons castanho alaranjados. A música (cordas) que acompanha esse marulhar cíclico (vem-me melancolicamente à cabeça o adjectivo "inexorável") da natureza só ajuda a embelezar (ainda mais) o momento.
nota: Tentei encontrar esse momento sob a forma de "clip". Mas parece que o youtube foi saqueado. Nada de preocupante, ou não houvesse já uma equipa de intervenção constituída para solucionar o problema - "a team of highly trained monkeys has been dispatched to deal with this situation". Maroto, este "500 Internal Server Error".
Terças-feiras, pelas 18h15, na sala 0.01 da FDUP. A entrada é gratuita.
FAÇAM-SE SÓCIOS DO CINECLUBE
Com uma singela contribuição anual (2 euros), ajudem o Cineclube na aquisição de filmes (para exibição nas sessões e requisição na DVDteca) e na realização de eventos!
Para o efeito, enviem email para cineclubefdup@gmail.com dando conta da intenção em tornarem-se sócios e nós enviaremos a ficha de inscrição.
DVDTECA CINECLUBE FDUP - CATÁLOGO
Consulta aqui o catálogo dos filmes disponíveis para requisição gratuita na Biblioteca da FDUP (clicar na imagem)
"Coimbra, 6/III/1933 Estoirei-me hoje de um carro eléctrico abaixo por causa de um filme do Charlot. Ia morrendo, ou pelo menos ficando sem um braço. Mas o filme mereceu o fato inutilizado e merecia também o braço a menos."