sexta-feira, agosto 07, 2009
Filmes subvalorizados
The Abyss (1989) - de James Cameron. Um bom filme de ficção-cientifica debaixo de água (as parecenças com o ambiente espacial são berrantes e óbvias, contribuindo para algum do sucesso na execução do filme).
The Assassination of Richard Nixon (2004) - discreto, mas de indiscutivel qualidade. Este filme faz-nos acompanhar o dia-a-dia de um homem descontrolado e algo esquizofrénico (Sean Penn), e acaba por nos deixar algo comovidos com a sua história e desfecho (não ao jeito de I am Sam). A partir de setembro, também disponivel na DVDteca da biblioteca da FDUP.
Birth (2004) - não concordo com quem o acusa de conter cenas de conteúdo impróprio. Uma estranha história de amor, pouco plausivel mas bem conseguida, com cenas arrepiantes e grandes interpretações.
Children of Men (2006) - uma revolucionária obra prima de cinema, de Alfonso Cuarón.
The Fearless Vampire Killers (1967) - desde miudo que o vejo com frequência (o canal TCM insiste em passa-lo pelo menos uma vez por mês, o que quer dizer algo). Um bom filme de vampiros, da autoria de Roman Polanski, que associa terror, fantasia e um timido humor. Delicioso pelo Natal.
Gattaca (1997) - um excelente filme de ficção-cientifica, com interpretações de Jude Law e Ethan Hawke. Uma história de ambição desmesurada e luta, passada num futuro próximo e nada estranho.
Le Grand Bleu (1988) - completamente desconhecido para a maioria dos que me rodeiam, este filme de Luc Besson retrata a estranha história de dois bem sucedidos mergulhadores de alta competição, Jacques Mayol e Enzo Molinari, desenhando-a com contornos fantásticos. Apaixonante, aquático, e com uma fotografia lindissima por terras da Grécia, Itália e Peru, aconselho vivamente este filme.
Heat (1995) - de novo o aconselho, e agora mais vivamente, depois de o rever e de ver Public Enemies, também de Michael Mann, e no mesmo registo. Uma frenética história de acção e assalto a bancos, culminando num fascinante jogo do "rato e do gato" entre Robert de Niro e Al Pacino.
Hulk (2003) - o de Ang Lee. Vale especialmente pelos impressionantes efeitos especiais conseguidos através de tecnologia CGI. O enredo não é o melhor e mais cativante, mas as inumeras e bem conseguidas sequências de acção preenchem essa lacuna.
In Bruges (2008) - bem humorado, realizado e interpretado, todo rodado na linda cidade de Bruges, este filme tinha tudo (inclusive Colin Farrell) para ser bem sucedido nas bilheteiras. Mas não o foi. No entanto não passou despercebido à Academia...
Life Aquatic with Steve Zissou (2004) - dos meus filmes preferidos. Bem ao estilo de Wes Anderson, com o insubstituivel Bill Murray, e com uma banda sonora de fazer inveja (o fundir do melhor de dois mundos), este filme não foi bem sucedido nas bilheteiras, e apenas foi reproduzido timidamente na televisão portuguesa. Uma boa história de humor e acção, com óptimas interpretações por óptimos actores merecia melhor.
New World (2005) - uma aventura para os sentidos, bem ao estilo de Terrence Malick. A acção não é o seu forte, mas a belissima fotografia e paisagens fazem esquecer os momentos mais parados.
Payback (1999) - um dos casos mais berrantes. Uma boa história de vingança (algo autista) com Mel Gibson, que passou alheia à maioria.
Snatch (2000) - esquecido em Portugal por altura do seu lançamento, começa agora a ganhar alguma notoriedade. Uma história de mafiosos e negócios menos licitos bem ao estilo de Guy Ritchie, com fabulosas interpretações de Brad Pitt (como cigano) e um Jason Statham então desconhecido.
Unbreakable (2000) - de M. Night Shyamalan, bem ao estilo de M. Night Shyamalan. Uma história de super-heróis que passa despercebida como tal. Não se trata de uma sequência de cansativas cenas de acção, sendo as poucas que encontramos de beleza e perfeição raras. Negro e calmo, consegue despertar grande curiosidade e suspense até ao final.
Velvet Goldmine (1998) - o retrato de uma época, de um estilo e de uma forma de estar (algo naive). Uma alegoria à carreira louca de David Bowie como Ziggy Stardust, bem conseguida através de interpretações de Ewan McGregor, Christian Bale e Jonathan Rhys Meyers. Um jogo de luzes, brilho, cor e música. Disponivel na DVDteca na biblioteca da FDUP.
quinta-feira, agosto 06, 2009
Public Enemies
3 anos depois, Michael Mann volta ao grande ecrã com um negro e frenético filme de gangsters.Muito ao jeito de Heat (1995) e Collateral (2004), algo descontrolado e nada estático, Public Enemies retrata um pequeno trecho da vida criminosa de John Dillinger, um assaltante de bancos dos anos 30 do século passado, e os seus perseguidores - o maquiavélico J. Edgar Hoover inclusive.
Apesar das excelentes sequências de acção, o filme está também recheado de inumeros e bem conseguidos "escapes" de violência. Uma pouco provável (mas bonita, ora essa) história de amor, uma banda sonora surpreendente e ajustada, e uma incólume fotografia, bem como excelentes interpretações pelo vastissimo numero de actores.
Assaltos, romance, jazz e muitas tommy guns, tudo isto neste bom filme, levado à tela por Johnny Depp, Christian Bale e Marion Cotillard entre outros.
Eu gostei.
quinta-feira, julho 16, 2009
o pecado dos guionistas

A propósito do ciclo de cinema do Campo Alegre, já por aqui publicitado, apraz-me fazer um breve comentário sobre o filme de terça: Mio Fratello è Figlio Unico (Itália, 2007), de Daniele Luchetti.
A melhor forma de iniciar este comentário é explicar o porquê de ter ido ver o filme, já que esse iter é para aqui fundamental: quis ver Mio Fratello è Figlio Unico quando soube que os guionistas da película eram os mesmos responsáveis pelo filme La meglio gioventù (Itália, 2003), de Marco Tullio Giordana. Isto porque gostei tremendamente deste último. Com outro dos responsáveis pelo Cineclube da FDUP, o Tiago, partilhei (aquando da ida) e partilho ainda hoje apontamentos sobre esse filme maravilhoso.
Mas adiante.
Exposta esta relação causa-efeito, devo então dizer que este Mio Fratello è Figlio Unico apresenta uma história perfeitamente decalcada do La megliò gioventú, com a agravante de ser francamente mais vulgar, monótono, sem chama. Isto aos olhos de quem viu anteriormente o La meglio gioventù. Acredito que Mio Fratello è Figlio Unico possa eventualmente ser bem mais vibrante quando visto sem conhecimento prévio do outro.
Retomando o apontamento: decalcado porquê?
As personagens: a família italiana pitoresca, os dois jovens irmãos como personagens principais e uma mulher entre os dois (e os dois apaixonados, em tons diferentes).
O contexto histórico: anos 60/70 no fervilhar dos movimentos operários, meias-revoluções, comícios de estudantes esquerdistas, marxismos-leninismos, fascismos e saudosismos da vecchia signora da camisa negra , etc. etc..
A nostalgia: catrapada de despedidas, meias-despedidas; umas físicas, outras mais espirituosas.
A perturbação emocional de um dos irmãos ao longo de toda a fita: no caso de Mio Fratello è Figlio Unico, o jovem Accio.
O carinho inatacável entre os dois irmãos, não obstante as divergência marcantes na personalidade, nos afectos, ou até, a dada altura, nas convicções políticas.
A mulher: serena, belíssima, apaziguadora. Um híbrido elo entre os dois irmãos.
Concluindo: foi ver um remake ou uma sequela sem o encanto e profundidade do original.
Salva-se a lindíssima actriz Diane Fleri (Francesca), a excelente interpretação de Elio Germano (Accio Benassi) e, curiosamente, a meu ver, o título do filme: numa família com três filhos, Accio comporta-se, de facto, como um verdadeiro filho único - e ignoremos por agora os contornos mais ou menos definidos do termo.
domingo, julho 12, 2009
sábado, julho 11, 2009
O segredo de um Cuzcuz

Bom Cinema no Verão do Campo Alegre
Está de volta o ciclo "Um ano de Cinema(s)" ao Teatro do Campo Alegre, até Setembro, com sessões diferentes todos os dias às 18.30h e 22h. Bilhetes a 3,5€. A não perder, entre filmes oscarizados, menos divulgados, regressos de grandes cineastas e algumas estreias. Eu vou estar por lá.A programação completa (e legível) pode ser encontrada em http://www.medeiafilmes.pt/noticias/noticias.htm
segunda-feira, junho 15, 2009
sábado, junho 13, 2009
terça-feira, junho 09, 2009
Escapar
segunda-feira, junho 08, 2009
Os filmes dos últimos dias



quarta-feira, junho 03, 2009
Uma remissão e um obrigada
http://torreaosul.blogspot.com/2009/05/cineclube.html
Porque também nunca é demais lembrar Bénard da Costa, sugiro que quem ainda não foi ao Campo Alegre, vá até ao fim desta semana, lembrar os "filmes da vida" de alguém que viu mais, soube mais, e fez mais pelo Cinema em Portugal do que qualquer outro.
http://ipsilon.publico.pt/cinema/texto.aspx?id=231908
http://ipsilon.publico.pt/cinema/texto.aspx?id=231919
É pena não passarem o Johnny Guitar, aquele que Bénard muitas vezes disse ser um dos seus favoritos de sempre. Felizmente existe na Dvdteca do Cineclube (ainda que em versão sem legendas), por isso corram à Biblioteca - é um grande filme!
terça-feira, maio 26, 2009
João Bénard da Costa: 10 filmes da sua vida
Ciclo João Bénard da Costa no Teatro do Campo Alegre
JOÃO BÉNARD DA COSTA – 10 FILMES DA SUA E DA NOSSA VIDA
quinta, 28 Maio, OPINIÃO PÚBLICA / A WOMAN OF PARIS, Charlie Chaplin, 1923
sexta, 29 Maio, AURORA / SUNRISE, Friedrich W. Murnau, 1927
sábado, 30 Maio, FATALIDADE / DISHONORED, Joseph von Sterberg, 1931
domingo, 31 Maio, O EXTRAVAGANTE SR RUGGLES / RUGLES OF THE RED GAP, Leo McCarey, 1935
segunda, 1 Junho, VONTADE INDÓMITA / THE FOUNTAINHEAD, King Vidor,1949
terça, 2 Junho, SENTIMENTO / SENSO, Luchino Visconti, 1954
quarta, 3 Junho, DEUS SABE QUANTO AMEI / SOME CAME RUNNING, Vincent Minelli, 1958
quinta, 4 Junho, VERTIGO / A MULHER QUE VIVEU DUAS VEZES, Alfred Hitchcock, 1958
sexta, 5 Junho*, A BELA IMPERTINENTE / LA BELLE NOISEUSE, Jacques Rivette, 1991
sábado, 6 Junho, O SOL DO MARMELEIRO / EL SOL DEL MEMBRILLO, Victor Erice, 1992
Sessões às 18h30 e 22h, excepto A BELA IMPERTINENTE, às 21h.
sábado, maio 23, 2009
sexta-feira, maio 22, 2009
conhecendo o homem

Grande parte do que conheço de João Bénard da Costa (JBC) chega-me do que ouço de pais e amigos ou o que leio de jornais e revistas.
No entanto, já aconteceu algumas vezes passar os olhos por escritos do autor sobre obra cinematográfica. E gostei muito. Lembro-me que quando escrevi uma crítica aqui para o Cineclube, a propósito do Los Olvidados do Buñuel, uma das fontes de que me servi foi a sua compilação de folhas da Cinemateca acerca do realizador espanhol, que o meu pai havia comprado há já muito tempo.
A sensibilidade com que JBC utilizava as palavras para traduzir a mesma sensibilidade do filme e a abordagem tão vasta e absorvente que fazia da fita (com curiosas incursões pela filosofia ou pela literatura romancista) cativaram-me sobremaneira. Por outro lado, a exposição técnica - longe de ser enfadonha (tarefa difícil) - era igualmente prazerosa, pois recordava-me cenas precisas do filme e percebia a intenção e o porquê de fazer assim e não fazer assado; o porquê de utilizar isto para sugerir aquilo, subtis pormenores que simbolizam correntes; etc.
Assim foi que até um excerto seu ipsis verbis coloquei na minha crítica, tal era o valor e o modo como se identificava com o que eu pretendia expôr. E o mesmo fez o Tiago Ramalho na sua crítica ao How Green Was My Valley, do Ford. Sem me querer imiscuir nas considerações do Tiago, penso que essa citação também reflectirá parte do que aqui quis transmitir.
Acima de tudo, tenho JBC como um homem de fina sensibilidade. Alguém que pensou o Cinema de forma muito própria. E a mim agrada-me muitíssimo lêr alguém que pensa algo (diferente de pensar sobre), que o sistematiza, que o expõe com argúcia e lucidez. O Direito a intrometer-se na 7ª Arte, porventura...
Não me interessam agora as questão institucionais, digamos assim, mais ou menos felizes a que JBC esteve ligado. Neste momento faço o tributo apenas ao homem das letras.
Não tendo ainda, na verdade, uma real percepção do peso de JBC no Cinema português, posso dizer, da minha parte, que as suas linhas me despertaram a vontade de ler mais e mais. O que não deixa de ser um aspecto poderoso, não fosse o Cinema a arte da imagem (e de muito mais, é certo); imagem que, na gíria, "vale mais do que mil palavras". Talvez as de JBC não sejam assim tão facilmente superáveis.
sexta-feira, maio 15, 2009
Ainda em 2009
Adaptação da obra de Maurice Sendak por parte de Spike Jonze, outro renegade do cinema norte-americano. Pelo que já pude ver em trailers e snapshots (e o cartaz), aliciantes não faltam ao filme. A óptima fotografia e o bom gosto arrebatador sobressaem obviamente. (trailer)
De Jim Jarmusch, com grande parte dos suspeitos do costume. (trailer)
Do ainda desconhecido Neill Blomkamp, District 9 é uma sátira (acredito) a toda a problemática dos refugiados e do xenofobismo, em particular na África do Sul, contra moçambicanos e habitantes do Zimbabwe que lá se refugiam.Com o selo de qualidade da WingNut Films de Peter Jackson, District 9 é visto também como inspirado na badalada curta-metragem de Neill Blomkamp de 2005, Alive in Joburg. (trailer)
clicar sobre o titulo do filme ou poster para aceder à pagina IMDB
segunda-feira, maio 11, 2009
12 Maio - Easy Rider
sexta-feira, maio 08, 2009
proposta
segunda-feira, maio 04, 2009
The Grapes of Wrath - Apresentação crítica
Todas as escolhas são circunstanciais e esta por mais do que uma razão. Há anos que incluo “As vinhas da ira” na selecção de filmes de temática laboral, embora a classificação seja insuportavelmente redutora. É-o, mas é muito mais: é, entre muitas outras perspectivas, um manifesto político e sindical, uma elegia familiar, uma saga matriarcal, um épico da gente comum perante a adversidade ou um fresco da Dust Bowl ou da Grande Depressão. E por ser tudo isto e muito mais ganhou redobrada actualidade na desgraçada crise que atravessamos. Ainda há dias a BBC News, referia-se-lhe como uma obra profética, um clássico para os dias de hoje, pelo paralelismo da falência institucional da trilogia bancos-empresas-Estado.
Em suma, é uma obra-prima, que resistiu ao tempo do tempo e da técnica. É um cruzamento raríssimo de génio: ao romance maior de John Steinbeck, juntaram -se a imensidão de talento do realizador John Ford, as representações prodigiosas de Jane Darwell ou de John Carradine e o carisma de Henry Fonda. A estes nomes deve, todavia, acrescentar-se um menos conhecido, mas nem por isso menos decisivo: Gregg Toland, o director de fotografia.
Não é seguramente por acaso, que a dramaticidade da escrita de Steinbeck gerou uma série de conhecidos outros filmes (“East of Eden”, “Viva Zapata”, por exemplo) e de títulos literários memoráveis: “A Pérola”, “O Inverno do nosso Descontentamento” ou “A um Deus Desconhecido”. O filme, porém, tem vida própria, bem expressa pela divergência do final, que a opção de Ford ou o pudor dos tempos não mostraram na crueza do livro. A meu ver, no entanto, o filme acabou por envelhecer melhor do que o livro.
Apesar da utilização pedagógica que dele faço, por condensar muitas das questões fundantes do Direito do Trabalho, tais como o papel do trabalho na vida, a legitimidade da propriedade, o conceito de trabalho digno, os efeitos devastadores da precariedade e do desemprego, a existência de working poors, a natureza conflitual da relação laboral, o carácter alimentar do salário, os problemas da intermediação e do recrutamento, a superação do desequilíbrio contratual através da acção colectiva ou até a justificação do direito à greve e do princípio da não substituição de grevistas, a minha adesão emocional às “vinhas da ira” prende-se, sobretudo, com o facto de ser um road movie da provação – “nenhum ser humano aguentaria tanta miséria”, diz um personagem menor - e uma magnífica corporização simbólica das forças e fraquezas humanas: a caminhada inicial de um Tom Joad sozinho na iminência do encontro com o infortúnio, o avô que morre quando desenraizado do seu nativo Oklaoma, a avó que não sobrevive à travessia do deserto, a gravidez de Rosasharn, a Ma – personagem maior do que a vida - que se desfaz da sua história pessoal antes de partir, que se recusa a olhar para trás ou que ampara a sogra morta para fazer prosseguir a família através da fronteira estadual.
Do ponto de vista formal, é uma narrativa que só podia ter sido filmada a preto e branco, pois é, constantemente, uma narrativa de claro-escuro, de desencanto e de esperança, de dureza e ternura, de injustiça e revolta, de solidão e solidariedade, tal como a vida. Espero que confrontados com as belíssimas imagens do filme sintam o murro no estômago que só pode ser dado pela realidade, mesmo quando ela é tão simbolicamente retratada. Segundo consta, este foi, aliás, o propósito de Steinbeck, quando terá referido ao seu editor que fez o possível para “arrasar os nervos” dos leitores. Não sei se conseguiu tão universalmente quanto John Ford.














