quarta-feira, março 14, 2012

três zeros




Caros Cineclubistas e amigos,

Pela primeira vez, e na era da desertificação da blogosfera, o blog do Cineclube atingiu, em Fevereiro, um número superior a 1000 visitas!
A despeito dos números, é uma marca de vitalidade deste espaço e, mais, do gosto de quem nos visita pelo que se passa na actualidade cinematográfica. Da nossa parte, continuarão a encontrar por aqui aquilo a que estão habituados: críticas, agendas cinematográficas, fotogramas magníficos (como o deste post - via Antonioni), impressões, odes repentinas de amor ao cinema, etc..

Bons filmes!

terça-feira, março 13, 2012

Projecto CineBatalha


Segue, abaixo, a apresentação de um projecto de um grupo de cidadãos para a revitalização do Cinema Batalha.


O Cinema Batalha é um emblemático edifício que motiva o nosso interesse (e de tantas outras pessoas com quem temos falado), não só por ser uma simbólica obra de arte e de arquitetura, mas também pela sua história cinematográfica, que chega até aos dias de hoje sob a forma de memórias.

Eu faço parte de um grupo de 4 pessoas, com formação em diversas áreas, mas com uma grande paixão em comum - o Cinema Batalha. Enquanto cidadãos, consideramos estar em nós a vontade de tentar mudar uma situação que perdura há algum tempo, sem trazer qualquer benefício à comunidade. Nos últimos meses temos vindo a discutir como levar a cabo esta intervenção e qual a melhor forma para a sua manifestação, aproveitando as potencialidades do Cinema Batalha. Perante esta iniciativa, esperamos poder contar com entidades que se mostrem sensíveis a esse potencial, bem como à frustração em ter um edifício tão marcante da cidade do Porto nas condições atuais.Não será de mais acrescentar que estamos perante um projeto baseado na nossa boa-vontade, e na boa-vontade de futuros colaboradores, sem qualquer fim lucrativo em vista. Por esse motivo, contacto-vos na esperança de conseguir uma calorosa colaboração e envolvimento entre todos os interessados.

Visitem, por favor, o nosso blogue e a respectiva página do facebook, que utilizaremos como principal meio de divulgação da nossa intervenção. Divulguem também por todos os vossos contactos, para que façamos chegar esta iniciativa ao maior número de pessoas possível.Só trabalhando em conjunto, por uma causa, será possível valorizar o Cinema Batalha e, a um nível superior, dar o devido valor à arte e à cultura em Portugal.

Contamos com a vossa ajuda!

Joana Brandão

domingo, março 11, 2012

Crítica a "Trust" de Hal Hartley


Trust, sem qualquer tipo de preliminares com as formalidades narrativas, anuncia-nos imediatamente, por Maria (antes da evidente mudança a nível de profundidade emocional) um brainstorm de clichés e estereótipos da suburbia americana, plasmados na desistência desta de várias entidades típicas do romantizado ideário da juventude : da escola e da inocência (não propriamente sexual – embora esta, neste caso não exista mais, sendo que se pressupõe que esta Maria não tem a mesma espontaneidade criacionista genética da homónima personagem bíblica – mas antes do distanciamento tácito de determinadas responsabilidades para com a sociedade, quando esta definiu restritas regras de respeitabilidade e de capacidade para as arcar).

Pese embora a situação difícil em que se encontra, Maria confia no seu namorado para um eventual casamento prometido, com a gravidez como eterno dote catalisador das uniões matrimoniais. Porém, tal planeamento de vida choca diretamente com o futuro que tal namorado projetou para si.

Este decurso inicial dos acontecimentos, algo digno de telenovela de ritmo acelerado, revela a ironia que se encontra na superfície deste filme (sendo também um traço distintivo do cinema de Hal Hartley), alternando fluidamente entre o realismo e o absurdo polvilhado de humor deadpan. Como quando o pai morre (literalmente) com a notícia da gravidez de Maria, com esta a chama-lo de “bastard” como ultimas palavras, como se de um antecipado elogio fúnebre por parte de um orador brutalmente honesto se tratasse.

Nesse aspecto, na aparente arbitrariedade de determinadas situações e subplots, Hal Hartley parece partilhar o gosto de Godard pelo absurdo e pela coincidência, sem serem momentos pontuados por apaixonadas reflexões sobre as motivações que regem as acções das diversas personagens, mas um encapsular de vida em modo fast forward, que demonstra a universalidade do sentimento de deriva emocional, quer no domínio das relações humanas que estabelecem, quer na relação com as suas próprias ideologias.

Essa parte humana do filme, apesar das camadas de ironia e absurdo em que esta se camufla, está melhor presente na relação entre Maria e Matthew, que quando se encontram, ambos em momento de fuga de um folclore parental controlador, agem desconfiados, como se tratassem de animais feridos traumatizados pela presença de predadores. Acaba por uni-los o sentimento de não-pertença, quer em casa, onde se passeiam as autoridades parentais que não compreendem, quer o mundo em geral, que os ironicamente os subjuga e às ideologias ainda não formatadas pela realidade material, como Matthew ver-se obrigado a trabalhar na reparação de televisões, quando recusa terminantemente ter algum contacto com esse tipo de tecnologia.

Confiança, seja qual for a fórmula em que se decomponham os diversos sentimentos em que esta se alicerça, é o motor para a osmose emocional e convergência efectiva que ocorre entre os dois, e é apenas isso que sabemos, porque o filme apenas nos mostra uma parte da procura. Da procura de algo em que possamos confiar, a procura de razões para confiarmos em nós próprios.

sexta-feira, março 09, 2012

Foi com "TRUST" (1990), de Hal Hartley, e com mais de duas dezenas de espectadores, que o Cineclube voltou ao activo neste semestre. Em breve estará aqui disponível a crítica do André Guerreiro.

O reencontro, esse, já sabem: é dia 22, às 18h15, com "FAUSTO", de F. W. Murnau, obra que marca a estreia do Cineclube no cinema mudo. Até lá e bons filmes!

segunda-feira, março 05, 2012

Programação 2.º Semestre

Design: Luísa Beato


Aqui está a tão aguardada programação completa para o 2.º Semestre 2011-2012.
Como tem sido seu propósito, o Cineclube FDUP prossegue a sua missão na divulgação das diferentes estéticas e filmografias da história do Cinema, num percurso que se inicia na cinema independente americano e termina naquele que é talvez o mais importante realizador brasileiro.

Depois de termos exibido John Cassavetes, o pai do cinema indie americano, mostraremos agora Hal Hartley, nome maior dessa mesma corrente nas décadas de 80 e 90, num dos seus filmes-charneira: "TRUST" (1990).
Segue-se uma estreia absoluta no Cineclube FDUP: o mudo. Não obstante as disputas em torno do recente êxito de The Artist (M. Hazanavicious), o certo é que o cinema mudo voltou a estar nas bocas do mundo. Melhor altura que esta não havia, portanto, para mostrar um clássico imemorial do género: "FAUST" (1926), de F. W. Murnau, obra tributária do movimento expressionista alemão.
Segue-se a obra de um dos grandes realizadores menos conhecidos em Portugal, dada a escassa distribuição comercial dos seus filmes. Falamos do húngaro Bela Tárr, de quem "DAMMNATION" (1987) servirá de aperitivo para o seu próximo filme a estrear em Portugal ("O Cavalo de Turim").

Só para os mais desatentos é que as vitórias de Salaviza e Miguel Gomes, em Cannes, podem surpreender, e prova disso são os nomes do cinema português contemporâneo que há muito dão cartas no circuito internacional. Exemplo disso é, inquestionavelmente, Teresa Villaverde, cuja obra "MUTANTES" (1998) marca, também, a estreia do Cineclube FDUP no cinema português de autor, no caso, aquele fortemente ligado ao realismo social. É, igualmente, um convite aos menos conhecedores do que de melhor se faz no nosso país.
A terminar, e quase em espírito de lusofonia, apresentamos uma obra icónica do chamado Cinema Novo brasileiro, "DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL" (1963; nomeado para Palma de Ouro, em Cannes, em 1964), de Glauber Rocha, autor controverso filiado no neo-realismo italiano e na nouvelle vague de Godard e companhia. Uma oportunidade, outrossim, para mostrar que o cinema brasileiro não se reduz a cidades de deus e tropas de elite.


O ponto de encontro já está marcado: é esta quinta-feira, às 18h15, com "TRUST", precedido da apresentação de Tomé Pereira. Sala 1.01, entrada gratuita.


PROGRAMAÇÃO:

8 Março: TRUST, Hal Hartley | EUA | 1990

22 Março: FAUST, F. W. Murnau | Alemanha | 1926

12 Abril: DAMNATION, Bela Tarr | Hungria | 1987

19 Abril: MUTANTES, Teresa Villaverde | Portugal | 1998

3 Maio: DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL, Glauber Rocha | Brasil | 1964

domingo, março 04, 2012

Esta quinta-feira (8 Março): "TRUST"



O Cineclube FDUP está de volta para mais um semestre de cinema!

Esta quinta-feira, 8 de Março, as sessões regulares voltam à rua dos Bragas com "TRUST" (1990), de Hal Hartley.
É às 18h15, na sala 1.01, com a apresentação de Tomé Pereira.

O cartaz com a programação geral segue dentro de momentos, estejam atentos!

Respect + admiration + trust = love. Only Hartley would attempt to devise some sort of metric to quantify a feeling as intangible as love; one critic, I can’t recall who, suggested that Hartley’s scripts were so hermetic and rigidly plotted that it’s as if they were written on graph paper. But while his films definitely give the impression of being fully worked out well before the cameras roll, that doesn’t necessarily condemn the end results to being stale and overly calculated. For one, actors like Shelly and Donovan have more than enough charisma, and in Trust specifically, Hartley zeroes in on universal problems that affect many young men and women trying to make their way in the world. Who can’t identify with Matthew, who’s forced to trade in his stubborn idealism for grown-up responsibility by swallowing his pride and taking a job in TV repair? Or Maria, who’s redeemed by love in a very old-fashioned way, once you look past Hartley’s cool detachment and eccentricity?

(crítica completa aqui)



quinta-feira, março 01, 2012

por falar em Carné

Digam lá se este plano, de Le Havre, não é repescado de Le Quai des Brumes, na cena em que Jean (Jean Gabin) apanha boleia de Perez (Marcel Pérès) (e em que Gabin, muito angustiado, diz qualquer coisa como: "o pior de tudo é o nevoeiro que tenho na cabeça")?


terça-feira, fevereiro 28, 2012

Le Havre


A crítica a propósito de Le Havre é, para mim, uma das melhores de Luís Miguel Oliveira no ipsílon em muito tempo. Não falta nada: começa no título e acaba no "plano-ozu".

De resto, apetece dizer que Kaurismäki fez uma coisa lindíssima, um Le Quai des Brumes (1938, Marcel Carné) - curiosamente, ou nada curiosamente, filmado também em Le Havre - séc. XXI, prestando homenagem ao cinema clássico francês [anos 30 - cinema mediado (e influenciado) pelas duas grandes guerras] e à sua mundividência local (aquele bairro é uma autêntica "cápsula do tempo" e aquele bar é o bar Panamá do filme de Carné), mas, simultaneamente, embebendo-o na contemporaneidade, i.e., no global dos nossos dias - a imigração, o racismo, a xenofobia e, porque não dizê-lo, a crise económica. Tudo num fairy tale em que, como escreve LMO, "o cinema ainda pode mais que a vida". E se não é por isto que (também) vamos ao cinema...


sábado, fevereiro 25, 2012

Passatempo Fantasporto 2012 - AVISO

Os premiados no Passatempo 2012, para que possam levantar os seus bilhetes, têm que se deslocar ao Secretariado do Fantasporto, no Rivoli, cujo horário é o seguinte: 10:30H-13:00H; 14:30H-19:00H.

Os bilhetes têm de ser levantados no próprio dia ou no dia anterior para a sessão pretendida.

Bons filmes!


quinta-feira, fevereiro 23, 2012

num cinema perto de si


Caros cinéfilos e amigos do Cineclube,

As aulas voltaram e, com elas, a actividade do Cineclube FDUP.
Está para muito breve a divulgação da programação para o 2.º Semestre, a qual contará, se depender da nossa vontade, de algumas boas surpresas - "extra" sessões, digamos - para todos aqueles que nos acompanham.
De momento, podemos adiantar que, este semestre, e a título excepcional, as sessões do Cineclube passarão a ter lugar à quinta-feira (e não à terça, como habitualmente), às 18h15. Anotem já nas vossas agendas: primeira sessão no dia 8 de Março!

Mantenham-se atentos!
Bons filmes!

terça-feira, fevereiro 21, 2012

Curso História do Cinema Japonês - últimas inscrições


O Curso de História do Cinema Japonês, leccionado pelo David Barros, amigo do Cineclube FDUP, aceita as últimas inscrições até 24 de Fevereiro. Mais info. aqui.

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Premiados Passatempo FANTASPORTO 2012

Segue, abaixo, a lista dos 15 premiados com um bilhete para as sessões da tarde do FANTASPORTO 2012, a terem lugar no Grande Auditório do Rivoli.

PREMIADOS

Ricardo Lima
Fernando Jesus
Tiago Parente
João Tomé Pereira
Sofia Lemos
Elsa Pinto
Alexandre Ferreira
Pedro Teixeira
Ricardo Gama
Berta Ramos
Pedro Durão
Catarina Lameira
Maria do Carmo Louceiro
Diana Barra
Daniela Costa


Indicações importantes:
- Os bilhetes podem ser levantados a partir das 15h00 do dia 20 de Fevereiro, no secretariado do Fantasporto, no Rivoli. Os premiados deverão indicar o seu nome no acto de levantamento.
- Os bilhetes têm de ser levantados no próprio dia ou no dia anterior para a sessão pretendida.


Bons filmes!

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Passatempo encerrado

O passatempo FANTASPORTO 2012 encontra-se encerrado. Divulgaremos, em breve, os participantes premiados. Fiquem atentos!

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Passatempo FANTASPORTO 2012



O CINECLUBE FDUP e o FANTASPORTO 2012 associam-se num passatempo para o sorteio de 15 convites para as sessões da tarde do Festival, a decorrer no Grande Auditório do Rivoli.

Para ganhares um bilhete para o Festival, envia email para cineclubefdup@gmail.com , com a resposta à seguinte pergunta:

Quais os prémios, e a quem foram atribuídos, na edição 2011 do Fantasporto?

Apressa-te a ganhar o teu bilhete!


Indicações importantes:
- Os convites têm que ser trocados na bilheteira do Rivoli no próprio dia
ou no dia anterior para a sessão pretendida.
- Cada participante só pode concorrer a um convite para uma sessão.

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

"Ciclos Pequenos", pelo Cineclube da Maia

Neste mês de Fevereiro, o Cineclube da Maia vai dar início à realização dos Ciclos Pequenos, no Pequeno Auditório do Fórum da Maia. Tratam-se de ciclos temáticos, a decorrer paralelamente aos eventos mensais no Cinema Venepor, e com sessões à quinta-feira à noite. Para este primeiro ciclo, convidou-se o Professor Luís Humberto Marcos, coordenador do Curso de Ciências de Comunicação no ISMAI e director do Museu da Imprensa, para programar três filmes sobre o tema "Comunicação e Média".






"Pequeno Ciclo, Grandes Obras, O ciclo começa com um traço cruel da actualidade - a ditadura das audiências! - e termina com um dos expoentes máximos da cinematografia mundial: o Citizen Kane. O império de Hearst (1863-1951), o 1º grande magnata da história dos média, teve discípulos e imitadores. Fracos, digamos. Talvez porque nunca mais alguém chegou aos pés da figura que serviu de referência a Orson Welles.Parte-se da actualidade - ditadura das audiências, fria e sangrenta como qualquer ditadura - e recua-se até à época d'ouro da imprensa, quando a rádio já começava a ameaçar o primado da 'galáxia de Gutenberg'. Anos 40 do séc. XX. Entre os dois tempos está a expressão daquilo que melhor evidencia o poder do jornalismo: caso Watergate, com 'Os filhos do presidente'. É a ficção de uma realidade verdadeira. A obra mostra o melhor exemplo, à escala mundial, do poder soberano do jornalismo.Nestas três obras do ciclo estão três poderes em equação: o poder do Capital, o poder do Jornalismo e o poder das Audiências. Lumet, Pakua e Welles mostram-nos bem a magia do cinema, através de realidades que se anteciparam à ficção. A sua mestria abre-nos as portas para grandes reflexões. Porque os três poderes continuam na ordem do dia. Mesmo que as roupagens nos iludam e a realidade pareça diferente." (Luís Humberto Marcos)


Data/Hora: 2, 9 e 16 de Fevereiro de 2012, 21h30
Local: Pequeno Auditório do Fórum da Maia
Preço: 2€* normal entrada gratuita para associados(* a presença nas três sessões do ciclo dá direito a um cartão de associado semestral)

2 FEV "Network" (Escândalo na TV) com apresentação do ciclo por Luís Humberto Marcos[realização: Sidney Lumet Cor 1976 EUA Drama 121min M/12]

9 FEV "All the President's Man" (Os Homens do Presidente) [realização: Alan J. Pakula Cor 1976 EUA Drama, Thriller 133min M/12]

16 FEV "Citizen Kane" (O Mundo a Seus Pés) [realização: Orson Welles P/B 1941 EUA Drama 119min M/12]

terça-feira, janeiro 31, 2012

O Cineclube FDUP na Time Out


Este mês, a revista Time Out dedica a capa ao Porto "Grátis". Entre as 50 ideias sugeridas para aproveitar a cidade a custo zero, uma delas é, precisamente, "explorar os cineclubes das faculdades".

Lê-se na página 24: "Quem diz que não há bons filmes no Porto, de cinema histórico e de cinema de autor, engana-se. Há e são grátis. [...] Outro cineclube activo é o da Faculdade de Direito da Universidade do Porto (FDUP). Os filmes são exibidos à terça na sala 1.01 da FDUP, às 18.15."

Faz-se ainda menção a outros cineclubes universitários, como o da Universidade Lusófona ou o da Escola de Artes da Universidade Católica do Porto.

O cinema grátis na FDUP, por enquanto, ainda não recomeçou, mas como aconselha a Time Out: para saber a programação é ir ao blog cineclubefdup.blogspot.com. Mantenham-se atentos!



quinta-feira, janeiro 26, 2012

é já hoje:



O documentário vencedor do Doc. Lisboa 2011, Praxis (2011), de Bruno Cabral, estreia hoje na cidade do Porto. É às 22h, no cinema Passos Manuel. Pela mão da Milímetro.

sábado, janeiro 14, 2012

she said it's ok

Mais uma recriação que o rapper Blu faz de um filme (ou de excertos de) para um videoclip, desta vez com All That Jazz (1979), de Bob Fosse.
A música chama-se "She said it's ok" e faz parte de Give Me My Flowers While I Can Smell Them (2011), álbum composto por Blu e Exile (os Pete Rock & CL Smooth do século XXI).

terça-feira, janeiro 10, 2012

Cursos na Aliança Francesa do Porto






As inscrições ainda estão abertas! Para mais informações, vejam www.davidpinhobarros.com

segunda-feira, janeiro 09, 2012

"political solutions don't work"



"Após a agitação política e cultural dos anos sessenta, que podia parecer ainda um investimento de massa da coisa pública, é uma desafecção generalizada que ostensivamente se afirma no social, tendo por corolário o refluir dos interesses no sentido de preocupações puramente pessoais e isto independentemente da crise económica. A despolitização e a dessindicalização ganham proporções nunca antes atingidas, a esperança revolucionária e a contestação estudantil desapareceram, a contra-cultura esgota-se, raras são as causas ainda capazes de galvanizarem a longo prazo as energias. A res publica encontra-se desvitalizada, as grandes questões «filosóficas», económicas, políticas ou militares suscitam mais ou menos a mesma curiosidade desenvolta que um qualquer fait divers; todos os «cumes» se abatem pouco a pouco, arrastados pela vasta operação de neutralização e banalização sociais. Só a esfera privada parece sair vitoriosa desta vaga de apatia; zelar pela própria saúde, preservar a sua situação material; perder os «complexos», esperar que cheguem as férias: viver sem ideal e sem fim transcendente tornou-se possível. Os filmes de Woody Allen e o sucesso que obtêm são o símbolo autêntico deste hiper-investimento do espaço privado; como o próprio Woody Allen o diz: «political solutions don't work» (...); sob muitos aspectos, esta fórmula traduz o novo espírito do tempo, este neo-narcisismo que nasce da deserdação do político. Fim do homo politicus e advento do homo psychologicus, à espreita do seu ser e do seu bem estar".

Gilles Lipovetsky, A Era do Vazio, Relógio d'Água, 1989, pp. 48-49.