sábado, março 06, 2010
hip-hop e nouvelle vague
As cenas são do filme Ascenseur pour l'échafaud (1958), de Louis Malle, filme que não vi mas a que cheguei pela música. A banda sonora original era de Miles Davis, mas parece-me que este pequeno "remake" feito pelo Blu (um dos melhores artistas da cena rap norte-americana) não ficou nada mal. Ah, e a senhora loira é a grande Jeanne Moreau.
sexta-feira, março 05, 2010
É de facto um filme fofinho
Juno (2007), de Jason Reitman, não sendo propriamente inspirado ou fora do vulgar, conta a simplicidade de uma adolescente que engravida e que ao invés de fazer um aborto, como milhões de adolescentes fariam, decide dedicar-se a uma causa mais altruísta, optando por dar o bebé para adopção, depois de lhe dizerem que ele teria unhas. E só isto não diz de facto grande coisa, até porque os pais não têm nenhuma crise parental depois de descobrirem e o pai da gravidez indesejada não é nenhum jogador de futebol musculado que troca a rapariga pela loira chefe de claque. É precisamente aqui que reside a diferença do filme para um qualquer candidato a um domingo à tarde mau, sendo mais um candidato de domingo à tarde agradável (talvez por isso ainda não tenha passado em nenhum canal ao domingo à tarde, pelo menos que eu tenha conhecimento), por fugir a uma data de lugares comuns capazes de atrair muita gente ao cinema e de torná-lo num êxito garantido entre adolescentes e já repetido vezes sem conta.Existem de facto pequenos detalhes que o tornam caricato. Juno ainda usa o telefone em forma de hambúrguer, o pai é o jovem que todos esperavam que fosse virgem pelo menos até aos 30 e não se cria uma cena de indecisão, depois do filho nascer, entre dá-lo ou não, de modo a evitar lágrimas e dramas tão habituais no tipo de situação. Além disso, o pai adoptivo é uma espécie de adolescente preso na pele de um adulto casado com uma mulher de negócios bem sucedida, que encontra em Juno a possibilidade de falar sobre as coisas em que tem interesse, embora a rapariga tenha sempre comentários impertinentes e infantis a fazer. Felizmente também não é um daqueles que transforma a miúda irresponsável numa completamente adulta que fica com um instinto maternal mesmo muito apurado resultado da gravidez e das hormonas por ela libertada. Mais relevante de tudo, é que também não se cria uma tensão entre os dois pais com um a querer dar para adopção e o outro a querer ficar com o bebé.
Em suma, Reitman acerta em cheio no facto de adolescentes serem sempre adolescentes e não alterarem a perspectiva que têm das coisas porque têm um acidente de percurso. O que efectivamente não acontece na maioria dos casos, resultando quase sempre numa caricata aventura que tentar educar uma criança que se decide ter porque existe sempre os que pressionam e dizem que os dois irão mudar. E isto lembra-me tão bem múltiplas situações que se foram repetindo ao longo dos anos na escola que porventura é por isso que o filme acaba por criar uma empatia inevitável. Além de que a barriga de Juno é adorável.
Critica por Daniela Ramalho
"See? I'm the only one that sees the whole picture. That's what they mean by genius".

Whatever works foi dos filmes que mais gozo me deu ver nos últimos tempos e também um dos melhores Woody Allen em tempos mais recentes (não olvidando o fabuloso Match Point (2005) e, eventualmente, o Cassandra's Dream (2007), que não vi). É um Woody Allen que toca no mesmo humor neurótico dos inevitáveis Annie Hall (1977), Midsummer Night's Sex Comedy (1982) ou Manhattan (1979), mas muito mais arejado; a neurose é a mesma, mas a perspectiva é agora outra, bem mais descontraída e optimista.
Inacreditavelmente, o youtube não tem (ou eu não encontrei) aquela que para mim é a melhor cena do filme: quando Boris (Larry David) desce as escadas exclamando "Vou morrer, vou morrer, eu vou morrer!", e a mulher, preocupada, lhe pergunta "queres que chame uma ambulância?". Ele abana muito a careca dizendo "não, não, não é isso, não estás a perceber, eu um dia vou morrer!".
A esta se segue imediatamente outra cena sublime, quando Boris e a mulher iniciam um diálogo cuja conclusão, feita por Boris, é qualquer coisa como "apaixonámo-nos de uma forma perfeitamente racional: gostávamos da mesma literatura, da mesma música, da mesma arte; fez tanto sentido, foi tão racional, que deu nisto".
(Perdoem-me a muito provável adulteração grosseira dos diálogos, mas a culpa é mesmo do youtube. E transcrito perde metade da piada, bem sei).
terça-feira, março 02, 2010
1ª Sessão - McCabe & Mrs. Miller
sexta-feira, fevereiro 26, 2010
Cartaz 2º Semestre
terça-feira, fevereiro 23, 2010
Enviem criticas
se têm por hábito escrever criticas a filmes e gostavam de as ver publicadas neste blog, enviem-nas por email para cineclubefdup@gmail.com, deixando um comentário de aviso no último post publicado.
A direcção do CineclubeFDUP ficará agradecida com a vossa contribuição.
domingo, fevereiro 21, 2010
terça-feira, fevereiro 16, 2010
sábado, fevereiro 13, 2010
as cores mais bonitas do mundo
...estão aqui, neste clip (autoria de Nez Khammal).
Obra prima que me faz pensar (rectius, duvidar) acerca das barreiras entre televisão, cinema e algo mais.
Do México
"Rudo y Cursi" de Carlos Cuarón (2008) leva-nos numa viagem até ao México remoto das plantações de banana, das estradas de terra e dos preconceitos entre homens e mulheres. Ao mesmo tempo que faz o retrato de uma povoação pobre e pequena, onde os maridos ainda podem bater nas mulheres, onde as crianças não vão à escola porque ficam a trabalhar e onde os rapazes jogam futebol para passar o tempo, enquanto sonham com a glória dos grandes craques. E os detalhes que caracterizam o lugar onde Tato (Gael Garcia Bernal) e Beto (Diego Luna) vivem, são essenciais para perceber o que acontece a seguir na história e traçar analogias com situações comuns.Tato e Beto são irmãos que trabalham na plantação de bananas, o primeiro com o desejo de se tornar cantor e o segundo com um terrível vício no jogo. Na ânsia de encontrar a fama que tanto procura, Tato decide que vai abandonar o México para ir em busca do sonho de ser cantor nos Estados Unidos, até que por coincidência ambos encontram um empresário de futebol parado na berma da estrada com problemas no carro. A partir daí, são escolhidos como promessas do futebol mexicano, mudando-se para a capital e começando o mais importante da história: a forma fiel como é filmada a ascensão dos irmãos. Claro que não é difícil imaginar o que acontece a dois rapazes nascidos num meio pobre que são catapultados para as capas de revistas, para o dinheiro fácil e para um meio onde passam a conviver com aqueles que se habituaram a ver pela televisão.
A Tato não falta nenhum detalhe de caracterização: desde as madeixas às camisolas de lycra cor-de-rosa, aos carros imponentes e à namorada estrela de televisão que já passou por meio México. Rudo, mantém o seu bigode nativo, mas perde-se entre o jogo e a cocaína, enquanto continua a ser alvo de troça por ter uma mulher que trabalha. Entretanto Tato consegue concretizar o seu sonho e grava um videoclip, esperando finalmente poder deixar o futebol para se dedicar ao espectáculo, mas o único concerto que chega a dar é bastante terrível.
O filme é uma sátira ao mundo do futebol e à forma como são pescados e catapultados miúdos para o topo quando no minuto seguinte falham e não têm direito a uma segunda oportunidade, sendo facilmente esquecidos por aqueles que chamavam os seus nomes nos estádios, pelas revistas e por todas as pessoas que os rodeiam. É ao mesmo tempo um apanhado bastante bem feito de algumas figuras bem nossas conhecidas, mesmo que sem intenção.
quarta-feira, fevereiro 10, 2010
sexta-feira, fevereiro 05, 2010
ainda Invictus
quinta-feira, fevereiro 04, 2010
a invencibilidade foi beliscada
nota:
Em (grande) parte, acho que a bolha de admiração e reverência que vai acompanhando Invictus se deve à história verídica que retrata. E essa, a de Mandela e a da luta de um país, merece a admiração de todos e da História. Mas isso é uma coisa... outra coisa é o filme.
domingo, janeiro 31, 2010
The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford (2007), Andrew Dominik
Cena inicial e primeira faixa da banda sonora por Nick Cave e Warren Ellis.
sábado, janeiro 30, 2010
Unbreakable (2000), M. Night Shyamalan
Um filme de super-heróis que não o é."What if Superman was here on Earth and didn't know he was Superman",
Tarantino on Unbreakable






